JARDIM DOS ENCONTROS
Lugar de encontrar palavras, devaneios, imagens e sonhos plantados a esmo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Não há nada a esconder. Nada a dissimular, a mentir, a desmentir, a fingir que nunca existiu. Minha pele é fina demais para manter qualquer coisa não revelada debaixo dela. Basta olhar nos meus olhos e as respostas serão dadas, mesmo que a boca sequer faça menção de se abrir.

(...)

É complicado manter a realidade à distância. Neste jogo que eu nunca tinha jogado, desconheço as regras de falta e fartura e termino por perder a mão por excesso de clareza. 'De longe as palavras soam mais pesadas do que são', assim como na TV as pessoas parecem mais gordas do que na vida, deve ser quase do mesmo jeito... Eu não tenho como precisar isso, na verdade, mas eu sinto isso ao longe mesmo; e fico numa agonia que somente uma filha de Marte poderá compreender.

Acontece ainda que daqui a pouco o momento é outro e recomeçamos o ciclo mais longo de todos, esse ciclo que chamamos de 'ano'. Eu adoro os novos anos, porque eles apresentam sempre novidades quentinhas e numerosas para nos deleitarmos enquanto buscamos nossas construções pessoais. As minhas são TANTAS que canso somente por pensar nelas, mas essa agonia pré-realização é parte do que há de mais interessante em minha personalidade (e por conta disso aceitei fazer as pazes com ela...)

(...)

Hoje fui a um Oráculo e ele me revelou coisas que eu já sabia e, por conta disso, tudo me pareceu ainda mais importante. Porque não se tratavam de ideias a serem trabalhadas e sim ações concretas a serem lançadas no plano da realidade. É preciso agir por mim mesma; senti isso com clareza. Mas na agonia de sentires eu termino que meto os pés pelas mãos e acabo a me sentir como neste exato momento. E eis que eu queria estar em mais de um lugar ao mesmo tempo e essa vontade tão louca vai praquela gaveta das certeza irrealizáveis. Mas é isso... Fins de noite nem sempre são agradáveis para aqueles que desejam demais.

Ai... a cabeça vai mais veloz do que as palavras. Espero me libertar dela assim que possível for.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Da série ORAÇÕES: Reduzir a distância

Tomei um baque. Assim, há poucos minutos, por conta de uma notícia. O Tempo parecia querer me avisar que ele já tem o seu ritmo definido, que é necessário acompanhá-lo às vezes. Que ele é amigo, muito amigo, mas há os momentos em que ele não pode esperar. Que é preciso viver mais ligeiro, com mais presença, mirando menos o porvir e mais o passo do instante. E que, sim, é preciso agir agora, reduzindo a distância entre o pensamento e o gesto.

(Encontros recentes me sacolejaram o ânimo. Abriram umas janelas no fundo do cômodo, que pareciam já esquecidas. E crio então a oração íntima que diz: "Reduz o tamanho da estrada, Pensamento, porque não há tempo de percorrer tudo o que falta a pé", e a repito como um mantra que me purgará dos males e medos de todo dia).

Se o mundo não acabar, será esta a minha resolução do novo ano que se entregará a nós: reduzir a distância entre o querer e o realizar.

Vai bem, querido Hamilton. E desculpe o mal-jeito e a falta de generosidade mundana da mocinha aqui. Espero que possa me perdoar, sinceramente. E ficam os meus agradecimentos por sua gentil forma de me ensinar sobre as coisas.


domingo, 28 de outubro de 2012

Da série REFLEXÕES SOBRE QUALQUER COISA: Give me me back, buddy!

Esta última semana foi algo da categoria 'Inacreditável'. Não aquele inacreditável de letras imensas, maiúsculas... nada daquela coisa letras-vermelhas-sobre-fundo-amarelo-ou-vice-versa. Mas, sim, um inacreditável imprevisto, como, sei lá, a mais saborosa das comidas de rua (essa prazerosa fonte de felicidade urbana, que nunca pára de me surpreender), como um banho de mar numa tarde de quarta-feira, como um luar de lua cheia ou uma canção ou um cédula encontrada ao acaso no bolso de um jeans. Inacreditável da categoria que não sustentaria um livro inteiro de tão prosaico, mas boa demais por ser imprevista.

In com Im em mim esta semana de ser Fênix mais uma vez.

Pensando que a semana começa num domingo, eu sorrio primeiro com um desses cruzamentos urbanos de ideias que nos fazem atravessar a noite em claro.
Em seguida a 2ª feira me carrega pelas estradas de nosso estado, cada vez mais bonito e empoderado de sua riqueza imaterial.
Vem a 3ª pra me levar à reunião, à solução, à cena e à mesa, com encontros que foram apenas soma. Ufa!
A 4ª começou cedo, me brindando com a companhia de 04 das mais fantásticas mulheres que irei conhecer na vida. Inspiração tanta, tanta, tanta que ajudou o tempo a passar depressa. E o dia finda com direito a reencontro com novos e antigos afetos que me preencheriam por um ano inteiro.
E as boas companhias seguem pela 5ª, que me doa ainda novas belas mulheres artistas de nossa Bahia de Obá.
6ª é dia de finalizações de coisas muito, muito, muito importantes.
Sábado fecha mais um ciclo e abre outros, com novas amizades nascendo.
Domingo encerra mais um ciclo (benzadeusIsabela), ao lado de afetos.

(...)

A semana chegou ao fim. Mas alguma coisa não se respondeu, e os diálogos imaginários vêm à tona enfim.

- Mas, e onde está o tal do inacreditável então, sra. Isabela?, pergunta o Cético.
- O inacreditável reside nas pontas da semana, meu caro.
- Nas pontas, e isso existe. Como assim?, indaga ele irônico.
- A loucura mora nos cantos das certezas. Porque eu era rio e tristeza e dor e confusão antes desse belo furacão reorganizar tudo, senhor. E, tal como eu, as flores da janela ficaram lindas novamente.
- Sorria então com a nova florada, mocinha.
Ela silencia um pouco. E constata:
- Mas é que hoje mais cedo roubaram meu sorriso junto com minha cidade, meu caro. E como comemorar quando só há o pior a se esperar..?

Como sorrir simplesmente quando tudo parece estar descompassado outra vez?

domingo, 21 de outubro de 2012

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Le farfalle nello stomaco

Simples. Bem simples mesmo. De tão simples, a constatação da semana dói que não me larga. E veja que algumas coisas têm andado bem, bem até demais, a ponto de me carregarem nos braços e não me deixarem inerte nem um diazinho que seja.

(...)

Sonhos de ser novamente adolescente para poder choramingar semanas inteiras por conta de um machucadinho prosaico no ânimo. Há um desejo de correr até lá, interpelar, reclamar, exigir todaclarezadomundoagorababy! assim, em um fôlego só. Comprometer o dia, o mês inteiro, as horas de toda vizinhança com essa busca; desmarcar cada compromisso e dizer "Somente este projeto é importante agora, pessoal!" e ir atrás de tapar o buraco que me causaram bem aqui, entre o pulmão e a boca do estômago.

Eu até poderia, mas não quero. Mesmo que esta maldita náusea não passe, eu não quero me expor tanto assim. (Olhe só que ironia... eu não desejo me expor desta vez. rsrsrsrs)

Mas, atenção, não se precipite, caro leitor! Este recado vai ao vento, ao vazio, ao incerto. Não é destinado para você, nem para ele, nem para nenhuma delas em verdade. Os personagens são tantos, ó meu bem, mas não é para qualquer um deles. Este recado é para mim, projeto maior de uma vida comprida que tanto me desgasta. 

Se não é para ti, porque soltar verdades ao vento, afinal? Talvez porque desta vez nem a posição protetora, nem as longas siestas, nem o choro longo, nem os cafunés amigos vão amenizar a agonia que está cravada no meu juízo. Porque o que rejeitaram foi eu mesma, foram as minhas ideias que foram rejeitadas, minha visão de mundo que causou o desagrado, meu vocabulário que soou dodecafônico demais para uma alma troppo adagio. Sempre fui a moça do allegro, não há borboletas no estômago que me façam esquecer disto, mas me negaram por completo desta vez e isto é imenso demais para se curar em um par de dias.

As mãos tremem um pouco com a energia que sou obrigada a engolir desde que a náusea me foi doada. Rígida e esticada, braços içados e cabeça para cima como a moça do circo que enfia lanças goela adentro para impressionar a plateia atônita. Os espectadores que daqui se aproximam não costumam desembolsar nenhum tostão para conferirem o meu circo particular, mas eu me sinto meio mágica meio domadora nesses dias, estalando no ar o chicote que controla a fera que trago atrapada a meus calcanhares.

Nesta luta tão inútil, nunca sei se torço por mim ou pela besta de boca aberta à minha frente, porque ambas estão tão apavoradas que tudo o que despertam é pena e um pouquinho de tédio sincero.

(...)

Lembremos apenas: outros espectadores virão assim que este número chegar ao fim. Nauseada como for, sigamos enfim, porque o show não pode parar.

domingo, 14 de outubro de 2012

Da série PALAVRAS AO VENTO: Debout, Isabela!

Tenho um canteiro de pequenas flores na entrada da minha casa. São umas florezinhas ordinárias, que nascem em qualquer lugar, mas que decidi colocar num vaso à minha janela porque eu acho elas muito bonitinhas e contaram-me que eram fáceis de cuidar.

O que ocorre é que elas precisam de mais atenção do que eu previa; se não as molho, ficam feias de dar dó. Mas estão ali desde minha chegada ao Garcia, então trocá-las por outra espécie não me soa tão legítimo assim. De todo modo, algumas vezes que elas parecem efetivamente mortas eu decido: 'Já deu', e me agendo mentalmente para substitui-las. Aí que, se tomo essa decisão mental numa 6ª feira, é quase certo que antes mesmo do domingo elas estejam floridas e vistosas novamente, como por uma mágica capacidade de auto-preservação.

Prevendo o fim, eis que se renovam a partir do que parecia perdido!

(...)

Eu sou como essas florezinhas ordinárias. Um ciclo maluco de morre-renasce-floresce-murcha-começatudodenovo que, puxa..., é tão veloz que perco a paciência inúmeras vezes. Não havendo exílio destas terras mesmo quando elas parecem definitivamente esgotadas, é aqui mesmo, no meu parco terreno afetivo exausto que procuro novo alimento. 

Tenho conseguido, por mais que a florada não venha sendo tão bonita quanto eu gostaria. Mas... c'est la vie, enfim.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Da série A MULHER NO ESPELHO: Contabilidade

Lembro de um dia acordar no meio da noite e ver minha mãe ao pé da cama contando meus incontáveis hematomas. Sempre fui de ficar marcada e a surpreendente cifra de 87 arroxeados na minha pele tão branca não foram, de fato, surpresa para mim.

Muitas noites passaram e aquela cena nunca se repetiu, mas as marcas se acumularam num total que perdi de vista há tanto tempo... MarcaS, num plural eterno e repetitivo.

(...)

Ao encontrar um recente afeto, noto que ele nota tão rápido minha imensa mancha roxa na perna que termino por ficar completamente sem-graça. E mesmo que aquilo vire piada no segundo seguinte, a vontade que tenho é de dar um salto e confessar a ele e a todos: aquelas marcas vêm de dentro! 

Mas eu me calo, meio envergonhada, porque é cedo demais para exibir-lhe as entranhas.

(...)

Os encontros são muitos na vida; profusões diárias de trocas de informações, de desejos, de experiências, de sorrisos, de ações. Adoro gente, mesmo quando igualmente detesto cada um. Eu gosto, realmente, de me embolar na vivência de alguém e ver daquele contato nascer uma nova camada de entendimento das coisas à minha volta. Num mundo que comporta tanta diversidade, não haveria de ser possível nem mesmo a um incansável Odisseu a descoberta de todas as terras que se escondem do lado de dentro daqueles que encontramos. Por isso eu gosto tanto de abrir minhas portas, meus olhos&boca&ouvidos e deixar o outro desbravar os meus continentes desconhecidos para, em seguida, convidar-me a desbravar-lhe os seus. Adoro encontros. Adoro.

E depois de tantos caminhos reais e imaginários desbravados desde sempre, eis que me encontro com um desconhecido que morava tão perto que nunca poderia prever-lhe a existência. Como tão perto e tão longe?, era a única questão que martelava a cabeça nos primeiros instantes. Mas fui assim mesmo, com a pergunta ecoando dentro do juízo, e terminei por abrir-lhe minhas portas, deixei-o entrar, sair, perguntar, revistar, rir, descobrir, levar o que quisesse. Foi tudo tão rápido, e tão simples, e com um interesse tão sincero que, ao invés de tranquila, fiquei honestamente apavorada. Adorando aquele turista em minhas terras fiz a mais boba das escolhas e, ao invés de relaxar, achei de me distrair consultando o antigo livro de assinaturas com a lista de todos os recentes visitantes. (!) Pulsava naquela caixa de lembranças tanta confusão e desafeto e medo e angústia e dor que quase bradei ao distraído visitante que fosse embora antes de incluir ali o seu nome. Por um instante o quis longe de mim, mas uma risada no ar terminou por me tranquilizar pelo menos até o fim da visita.

E, ufa, foi tudo ótimo. E eu me comportei como uma boa anfitriã. E me despedi na porta. E o vi partir. E fui para frente do espelho. E me despi. E encarei meu corpo. E ali vi tantas marcas que não haveria tempo suficiente  numa vida para contar todas elas. E me horrorizei de tal modo com aquela visão que chorei de-ses-pe-ra-da. Notei enfim o quão machucada eu estou, a ponto de não reconhecer a tranquilidade quando ela me bate à porta. Perdi os olhos para o afeto, desconheço a doçura, fiquei surda para o silêncio. Emburreci da alma, de certo modo.

E me vi tão sensível ali, sozinha, com aqueles hematomas me cobrindo inteira que senti vergonha. Mil vezes mais do que quando ele apontou-me a imensa marca na coxa.

Em geral eu tenho apego a minhas cicatrizes, porque elas são parte do eu sou. São minha construção mais intrínseca, totalmente inalienáveis. MINHAS. Mas, de algum modo, o que foi trazido pelos olhos do moço-bonito é da matéria da tranquilidade, da paz, da calmaria, da maciez. E aquela ranhura toda sobre mim terminou por perder o sentido e me fez sentir excessiva de alguma forma.

Me perdi, enfim.

Estou com vontade de correr, mas fico. Depois de muito, muito, muito tempo, acho que é melhor me manter onde estou e com as portas abertas a esta ilustre visita. Apavorada, admito, mas disposta a acolher essa imensa novidade.

(...)

Eu, ser do grito, começo a desejar ser alguém do sussurro. 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Da série VERBOS QUE MUDAM TUDO: Contemplar e encontrar

É como um trem: ansiedade imensa para conseguir comprar o passe, marcar um bom assento, encontrar a plataforma correta, chegar na hora agendada... Pânico quase sempre.

Mas assim que as malas são colocadas no bagageiro e a cabeça se acomoda junto à janela, a tranquilidade toma conta de tudo, e não resta nada que não a contemplação sadia do caminho. Adoro este momento, porque minha voz se torna calma e eu viro porto e deixo de ser nau. E meu sorriso é mais brando e meu olho é mais bonito e tudo se torna mais simples em meu entorno.

Sensações diametralmente opostas. Agonia que começa com a loucura da busca, o medo da ausência, mas se desfaz na primeira curva da estrada e dá lugar a uma das coisas das melhores que existem em mim. Às vezes me distraio mas jamais perco de vista a estação correta da minha descida.

(...)

É assim. Bons encontros me causam isso. Espero que eu nunca perca o prazer de contemplar a paisagem lá fora e os assuntos aqui de dentro.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Da série SEGREDOS AO VENTO: Moda Primavera-Verão



















Interesse & Desinteresse; minha peça double face favorita.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Direto do desktop


Da série SEGREDOS AO VENTO: Polaridade

(...)

Demoro a encontrar a palavra certa. Na verdade as palavras certas, no plural, tão plural quanto os encontros vividos. Muitos, muitos, talvez até além do que minha capacidade de renovação poderia dar conta. Mas estive lá, presente, e deixei cada encontro entrar, cada afeto se instalar, cada coisa se posicionar e se espalhar e performar e se exibir no máximo. Até o momento que disse que era a hora da partida, e pedi delicadamente que se retirassem.

E alguns foram sem relutar, outros insistem em retornar e deixar bilhetes na porta quando a encontram fechada. É natural; eu faria o mesmo. E respeito os tempos de todos, inclusive os meus, então não há qualquer problema em descolar os recados da entrada e posicioná-los em um cantinho novo da memória. E foi.

E vinha assim alternando momentos de desinteresse sincero e desconfiança profunda. Pelo menos até agora pouco. Alguns encontros simplesmente não me demoviam. Outros, me anunciavam a catástrofe já no momento da entrada. Se fosse qualquer pessoa mais saudável do juízo em meu lugar, mais tranquila per si, menos ariana, diria a qualquer um dos visitantes recentes que não viesse mais, que não poderia recebê-los, que estava ocupada demais. Mas  ao meu olhar a beleza do ser humano é essa mesmo: a riqueza de detalhes bons e ruins. E ela só pode ser vista depois de ser retirada a superficial camada de verniz que a gente teima em colocar sobre a pele. Para isso é necessário se deter um tiquinho que seja sobre a carne e curti-la até sangrar um pouco, mostrar uma nesga dos nervos, revelar-se nua. Essa parte é a mais bonita, mas qualquer erro no manuseio da faca do curtume pode causar danos profundos. Por isso a delicadeza precisa ficar sempre à mão, guiando os gestos e orientando o ritmo da coisa toda. 

Nesse processo aprendi a silenciar. Assim como não há como se perguntar ao  couro se a faca está a machucá-lo, não se pergunta a um afeto se ele traz na bagagem traumas, dúvidas, desconfianças ou expectativas malucas. Não; isso não se pergunta. É preciso então trazer a delicadeza próxima às orelhas e usá-la como concha vazia a sussurrar a memória do mar se se quiser entender o outro que se coloca à sua frente. 

Sou boa com a faca mas ainda não muito com a concha, admito. Estou aprendendo a passos meio lentos, mas sigo. 

(...)

Pressinto que os próximos dias se converterão em duros treinamentos de escuta. Vamos acompanhar...


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Da série GRANDES QUESTÕES DA HUMANIDADE: Escoamento

Algumas certezas nunca me abandonam. Determinadas dúvidas também.

Uma coisa que volta e meia me pergunto é se eu nutro ou desnutro uma coisa quando eu falo sobre ela. Nunca sei se devo ou não emanar pensamentos para as coisas que desejo, e isso de fato me consome.

Como eu sempre penso/falo/ajo demais, termino por aqui, já para bloquear o pensamento que insiste em escoar do meu pobre crânio.

Sem mais.

domingo, 19 de agosto de 2012

Da série GRANDES QUESTÕES DA HUMANIDADE: Quereres em flor

Eu aprendi a pedir. Desde pequena eu sou uma pequena pidona, dessas que sabem exatamente o que querem (e descobri como fazer meu desejo soar de maneira mais branda aos ouvidos de quem escuta). E pedia claramente o que eu queria de aniversário, acompanhava meus pais no mercado para pedir-lhes caprichos in loco, assuntava com o irmão para ele me dar um pedacinho da sobremesa dele, apontava com dedo em riste os meus quereres momentâneos. E, como querer não é poder, eu precisei aprender também desde cedo que ao encontro da pergunta sempre vem uma resposta e muitas vezes ela não é a que queremos escutar. E aos tantos quereres meus, muitos nãos alheios se apresentaram, e com uma fome do tamanho do Alabama dentro do peito não haveria eu de chegar viva à vida adulta se eu não aprendesse cedo a ouvir negativas aos meus pedidos.

E aprendi isso também.

Então, vendo algumas pessoas expressarem mal seus desejos e suas dificuldades de negociá-los, eu sempre penso em como eu mesma lido com as coisas. Ao contrário de algumas amigas que pensam que se expor menos é o caminho para se machucar menos, eu acho que se expor mais é o caminho para fortalecer-se diante de todas as quedas que nossos desejos vão nos dar. A prudência é parceira dos sábios, isto é certo, mas o medo das frustrações é conselheiro preguiçoso que termina por embotar a nossa vontade. 

Eu não quero ter uma vontade embotada, eu quero é ter uma vontade florescida e olorosa, gigante e cheia de poder, por isso preciso nutri-la bem. Mas se é necessário dar alimento para a planta crescer é igualmente importante fazer-lhe a poda para que ela não domine todo o canteiro e esgote a terra que a sustenta. Nutrir e podar; combinação prática de ações que tenho aplicado à torrente diária de quereres que me move. Cada vez que alguém tem medo de pedir ou espera que o outro lhe adivinhe as vontades ou tenta impor-se por receio de não ter o desejado ou culpa ao mundo pelo objetivo que não alcançou, cada vezinha que isso acontece eu tenho vontade de estapear a pessoa e berrar-lhe na cara: Pára!

Porque o mundo preexiste a nossos anseios e corre a largo deles, então concentrar-se no lado de dentro é o primeiro passo para chegar aonde a gente quer. O mundo está aí, numa existência completamente alheia ao que nos é importante; galopemos então sobre nossas vontades ao invés de esperar que alguém puxe nossa carroça. Eu faço muuuuuuuuuuuuuuuita coisa por mim mesma porque eu estou convencida de que a existência não está nem aí pra mim. Então, eu que não me molde não aos acontecimentos pra ver se não parto em duas na primeira tempestade...

Na minha loucura cotidiana vejo um fato: o MUNDO não está se importando com minhas dores e vontades, então para fazê-las audíveis é preciso gritar alto. E eu grito!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Da série GRANDES SABERES DA HUMANIDADE: Aritmética

A matemática é simples: eu demiti todo o elenco, porque nenhum deles correspondia à minha concepção do personagem. Agora não tenho ninguém e o espaço vazio no palco me incomoda.

vários - vários = zero

(Então porque a angústia?)

Não é nem que eles não fossem bons, não tivessem seus méritos, não estivessem se esforçando lá ao modo deles... mas a verdade é que eu queria explosões shakesperianas e eles me ofereciam uma interpretação com ares de Malhação. Eu amo o desvario, a Loucura, amo as tragédias, as falhas e precipitações que se abatem sobre o herói mas os atores que eu escolhera estavam preocupados demais com o penteado ou a hora que partia o último ônibus, e isso me dava uma certa agonia.

Uma das coisas mais lindas que eu acho no mundo é gente concentrada. Talvez porque eu seja uma tonta-multi-foco-diletante por natureza, eu simplesmente babo por qualquer pessoa que esteja efetivamente imersa no fazer de alguma coisa. Qualquer coisa, e por vezes os fazeres mais mecânicos são os que mais me geram suspiros de admiração. E lhes faltava isso, não por escolha, mas por alguma falha inata. Não havia nada a fazer que não aceitar o erro.

Mas eu insisti, porque eu sempre insisto de alguma maneira.

Só que vendo os olhares preocupados em consultar o relógio a cada novo ensaio, aquele ar distante de quem não sabia bem como responder aos seus próprios impulsos de criação, aquele aparvalhamento, eis que eu me desinteressei sinceramente. E perdi de fato a paciência, porque o tom errado da voz durante cada diálogo, a eterna intenção mal escolhida pro texto, a falta de entendimento da coisa toda me deu uma chateação que não tinha mais fim. E explica, re-explica, desenha, demonstra, faz no lugar do outro, repete e re-repete, eu cheguei à conclusão que nem a mais sólida vontade poderia modificar a verdade: era o elenco errado para a peça certa.

Agora o palco está vazio. E, no teatro, uma das coisas mais difíceis certamente seja acolher o silêncio e apenas encarar a ausência. Sem música, sem paliativos, sem substitutos, sem galãs-enlatados, sem truques fajutos; agora é o momento de voltar à sala de ensaio e re-conceber os desejos. O passo seguinte é apurar o olhar e procurar os novos integrantes desse elenco, que talvez possa ser feito de um, uma ou vários novamente. Nenhuma resposta é relevante neste momento, porque ainda é hora de fazer as boas perguntas. Em breve eu publico no mural a lista dos novos selecionados.

Por enquanto, repito-me o mantra recém aprendido: às vezes o mais difícil a fazer é não fazer nada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Da série PALAVRAS AO VENTO: Fluffy soul

Eu sou um animal feito para o afeto. Maciez de pele, de pêlos, de couro. E se não tem afago, algo se fecha como concha maciça, que engole a parte mais mole do bicho.

Loucura. Já tinha falado e digo de novo: estou sentindo falta de usar meu corpo e não apenas a minha cabeça.

Processo de mudança profunda se anunciando nas sirenes da fábrica interna das loucuras.

E nada mais precisa ser dito.

Da série CONEXÕES: Na verdade

Cheguei de viagem, depois de mais de 2mil quilômetros percorridos em mais de 36 horas de sacolejo dentro de ônibus, carro, van, avião, e estou mais contente do que cansada. O saldo é efetivamente positivo, ainda que a montanha de demandas acumuladas me cause desespero tanto que até minha sanidade seja posta em dúvida.

Muchochos à parte, a verdade é eu adoro quando as conexões existem mundo afora. Talvez estar em contato seja a coisa que eu mais goste na vida toda, sabe...

(...)

Desses contatos surgiu esse presente, que ganhamos da linda Ana Luiza, de lá de Maceió, através de uma cena muito delicada construída na nossa oficina. Gostei tanto de tudo que ela mandou a letra por e-mail, como um pombo correio poético que traz no bico uma colherada de açúcar para adoçar a rotina.

Obrigada, querida. Obrigada, queridos e queridas todos, que estavam dentro, fora, ao lado, em cima e sempre por perto, fazendo tudo mais significativo e divertido. Eia!


Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou
(Teatro Mágico)

Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou

Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso
E o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou

Descobrir
Da onde veio a vida
por onde entrei
Deve haver uma saída
mas tudo fica sustentado
Pela fé
Na verdade ninguém
Sabe o que é
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou

Perceber que a cada minuto
tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência

Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que guardo dentro do meu travesseiro

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou

Eu não sei na verdade quem eu sou...

sábado, 21 de julho de 2012

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Siblings

Ontem foi Dia do Amigo, né isso? 
Se eu mandei mensagem carinhosa pra alguém? Não.
Como? Se eu tenho amigos? Tenho sim... acordei ao lado de um e fechei a noite ao lado de outra. Daqueles beeeeem importantes!
Se eu não ligo pra essas coisas? Não, nã, eu ligo, e muito!
Mas é que e eu tava acorrentada no pé da cadeira, tão louca de trabalhos urgentes, que não houve espaço para poesia nenhuma entrar pela porta. 

Agora, assim... eu sei, eu sei: ainda dá tempo porque amizade é coisa de todosantodia. Então fiquei pensado na importância dos amigos, nessa coisa deles serem uma parte da família que a gente constroi e que se soma à família natural, na ginga que eles dão pra minha vida, nesse empurrão diário cheio de charme e leveza. E caí em Ben Jor. #Gênio

Mas, não se confundam: eu tenho dois blood brothers, Rodolfo e Robson. Mas fiz tantos outros amigos que minha família ficou uma coisa mega grande. Um bônus para uma mocinha filha de migrantes, que nunca soube o que era ter um priminho pra brincar.

(À parte a pegada meio JesusChristSuperStar, eu sei que Jésus é meu amigo, sim. Ele em suas infinitas expressões de amizade que manda pra meu caminho. Eia!)


sábado, 14 de julho de 2012

Da série A SORTE NO BISCOITO CHINÊS: Lições para ser Soma

A verdade é que já fui muito amada. Por amigos, amigas, parceiros, parceiras, família, marido, namorados, conhecidos, colegas; realmente não poderia reclamar disso.

A verdade é que ainda sou.

Às vezes sou intragável, eu sei, mas talvez porque isso faça parte do charme. E porque também já me machucaram tremendamente, ora por vontade de machucar, ora por estarem demais preocupados com os próprios quereres. Acho esta última possibilidade muito legítima, e me fez ter aprendido a ser uma boa perdedora. Sei, aos quase 30 anos, reconhecer bem quando não dá pra mim, quando não é minha vez, quando é preciso abandonar o barco. E vou-me embora com toda dignidade que dispor no momento e certamente sem disparar blasfêmias contra os que me dispensaram. E sei que a vida é cíclica, e em momentos outros serei eu a escolher/selecionar/dispensar outros seres, e estar tranquila para fazê-lo é poderoso remédio para lidar com as rejeições passadas e futuras.

Não posso muito reclamar, mesmo, de todo amor que recebi, ainda que ele não tenha me sido dado por acaso; estive sempre muito, muito atenta para aprender com aquelas pessoas que vivem rodeadas de carinho. Aprendi a abrir a porta para os bons afetos entrarem e saírem, e distribuo carinho quando o tenho. Se em dias de casa vazia as ansiedades apertam a mente e sopram no ouvido 'que os tempos de ser amada acabaram', eu as mando embora com telefonemas sadiamente claros, informando aos amigos que preciso de uma dose extra de cuidado, de preferência delivery. E, boa negociadora que sou, não me importo se meu desejo não for saciado no primeiro lance, e faço mais tantas ligações quanto forem necessárias para me ver de pé de novo.

(...)

Comecei a semana virada do avesso, por conta de coisas que sequer consegui compreender. Louco, louca,  loucura(s); reconheci o bater da Depressão à porta, e antes de deixá-la entrar acionei os afetos que poderiam botar a monstra para correr sem que ela invadisse minha casa, batesse na minha cara e roubasse todos os meus bens. Ufa! A humildade misturada à certeza de que não estou sou só me salvaram de mais esse confronto. Os afetos vieram, em seus ritmos e com suas armas próprias, fosse ela a luz do sol, a praticidade ou um mar de palavras tremulantes. E se recebi um deles aos prantos, ao despedir-me eu sorria, após uma sessão cantarolante de banho quente. Obrigada, quiabito...

(...)

Então, observando as pessoas que reclamam da falta de amor, olho para trás e vejo quantos golpes foram necessários para moldar uma alma aberta ao bem-querer. Amaciei-me consideravelmente ao longo dos anos, engolindo ofensas, re-formatando críticas para se tornarem mais delicadas, negociando com minha mesquinharia e egoísmo, lutando com minha arrogância. Por enquanto não houve nocautes, mas posso considerar que venho ganhando essa luta por pontos. (O maior defeito é ainda a capacidade de simplesmente abandonar as pessoas, sem grandes explicações ou excusas, apenas abrindo a porta e partindo. Conquistar e ir-me; não sei direito conjugar o chegar e manter-me...).

Quando olho a lista de ex-namorados (praticamente todos são pessoas por quem guardo e de quem recebo afeto), de ex-colegas que sempre me têm com carinho recíproco, ao notar o sorriso e alegria verdadeira de amigos espalhados pelo mundo ao nos encontrarmos e observando a tranquilidade de minha família eu silenciosamente agradeço. Porque afeto pode ser raiz e não necessariamente flor, dessas que apontam na beirada do galho e se exibem olorosas. Não precisa, mesmo; basta saber que eles estão ali sustentando a gente e amarrando-se a outros troncos que dando suporte até mesmo os carinhos desconhecidos.

(...)

Ontem um amigo me disse: "Você está no lugar que deveria estar". Achei tão bonito, porque tinha uma verdade e doçura ao me ler que só pude sorrir. Eu concordo com ele: eu tento tratar as pessoas com carinho e respeito, mesmo quando sou confusa e terrivelmente atrasada nas soluções. E se eu poderia auto-aceitar-me em minhas diletâncias, sofro horrores porque ser descuidada também machuca. Mas tenho tentado honestamente, assim como outras vezes eu me vi exercitando para aprender a dividir o meu lanche ou conter críticas maldosas ou aprender com a diferença, que é inerente ao mundo. E foram muitos perdões a tantas pessoas, e tantas desculpas sinceramente apresentadas e, o mais complicado, tantas rotas corrigidas antes do choque que, por fim, os louros vão brotando no quintal. E hoje eis que sou uma divididora verdadeira, que compartilha tudo o que dispõe, na certeza de que não me faltará a minha parte nas horas importantes. Quando minhas mesquinharias pipocam na porta de entrada, eu deixo elas entrarem, converso com todas, observo-nos juntas, discuto, abro os ouvidos para suas mensagens e, ao invés de tentar me esconder, o que eu escondo é a comida até o momento que elas decidirem ir embora. Porque elas vão um dia e, se não posso matá-las, posso expulsá-las por fome ou desconforto, aceitando que essas pequenezas são parte de mim também.

Aos que lutam por amor, recomendo: analisem suas despensas, leiam os rótulos de cada caixa, lata e pacote e selecionem aquilo que alimenta os afetos e não os orgulhos. Como uma pesca, o amor é da natureza da espera ativa, onde criar condições é mais importante do que perseguir os quereres. Sugestão de uma moça complicada e instável que vem sobrevivido a si mesma apenas cuidando bem daqueles que estão à sua volta.


E sejamos soma e não subtração sempre que pudermos, por fim. Pois se nós estamos por nós, quem estará contra nós?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Da série PALAVRAS AO VENTO: Nero e seus descendentes

E eis que acordo detestando tudo. O dentro, o fora, o entorno, as formas, as esperas, os cheiros, as texturas, os sons, o toque. Vontade de ser Nero e lançar fogo sobre tudo, extinguindo as verdades do mapa enquanto elas ainda ecoam em algum lugar. 

(...)

Reconheço no ar esse movimento de ódio e descrença e, Deus é Pai, peço ajuda (que espero que chegue logo). Se não, amanhã serão pratos ao chão, afetos no lixo e projetos lançados ao vento. Não quero mais nada, nem este corpo, nem estes olhos, nem esses afetos, nem este sangue, nada nada nada. Por mim, queima tudo e começa de novo!

E não me peça - ninguém de honradez pelo menos - para não ser tanto sentir; os sábios entenderiam o quão impossível é isso. E quero assim que tudo no meu entorno se desfaça como sopro e que o telefone toque por outros motivos e que outros quereres venham gerar meus passos e organizar meus sorrisos. Quero tudo novo, porque enjoo mais rápido do que uma jovem tirana recém-empossada querendo mostrar seu poder.

Enfiada num trono maior do que o corpo precisaria, os pés nem tocam no chão, e a cara de enfado é fato diário; ela entende que não poderia estar ali, mas bem sabe que não caberia em nenhum outro lugar. Tirania errante, por assim dizer.

Enfiada até o nariz na própria loucura, a verdade é que isso cansa, e se por dentro eu fosse macia como acho que devia ser, os meus ânimos não seriam tão cíclicos. E cínicos. Queria outra coisa, outro jeito, ser diferente mesmo, sabe? Maciez dentro da armadura, mas não essa loucura líquida de mudar de forma a cada estação. (Apatia, euforia, apatia, euforia, apatia, euforia, apatia, euforia, apatia, euforia... para daí virar salto-giro-destruição-grito, é um pulo. Porque eu me canso de tanta circularidade, tantas mudanças sem-quê-nem-pra-quê).

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E o ruim, ruim mesmo, é chorar copiosamente lançada ao chão sem sequer saber o porquê. Não é uma dissimulação envergonhada (para quem ela seria, ora pois?), mas um choque de idiomas entre mente e corpo.  NÃO SEI PORQUE ESTOU ARRASADA, mas sei que um tornado desfez todos os campos arrancando as árvores pela raiz. Que dia, hora, como, porque isso aconteceu, não me perguntem, pois a verdade é que nem vi. Talvez tenha vindo por debaixo da terra, e feito o solo borbulhar e cuspir seu manto colorido para se ver desnudo outra vez. 

Depois do charco, a feiúra. E só então as flores de novo. Talvez.

domingo, 8 de julho de 2012

Da série A SORTE NO BISCOITO CHINÊS: Toda a verdade

A verdade, mesmo, é que eu sou instável que dói.

(...)

Pensei em mil coisas pra escrever, mas tantas, que até cansei antes de começar. Então, exercitando meu poder de síntese, finalizo meu final de semana com a afirmação acima.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Da série POR QUE NÃO SOMOS FEITOS DE PLÁSTICO?: Before the breakfast

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Para dias em que um pouco de emoção antes mesmo dos sucrilhos seria bem-vindo...


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Da série O QUE AS ESTAÇÕES ENSINAM: Deixar-se ser Nilo

...sim, porque a gente não tem um lago dentro da gente, mas um rio. Ou melhor; antes do rio que corre há ainda a fonte que o faz nascer. Nossas águas são de fluxo, de caminho, de seguir... nascemos preenchidos de água de correr, por assim dizer. Então não podemos ter medo delas.

Quando a amiga disse sua resolução de novo ano ("Neste final de ano gastarei t-o-d-o o meu dinheiro; aí ano que vem eu sento e choro.") e a cumpriu, eu amei-a tanto por sua sabedoria para lidar com seu rio. Eu achei ela tão imensa e sábia e ainda mais bruxa que meu movimento foi unicamente do encantamento. Nem me deu o ímpeto de reaver minhas estradas de dentro e seguir para as margens de meus próprios espelhos d'água. Mas hoje, ao acordar, me perguntei porque de fato não estou incomodada com as perspectivas no horizonte imaterial. Parei, me indaguei olho-a-olho, e vi a moça de cara amassada responder-me tão tranquila que nada temia porque conhecia bem o caminho de ida e de volta nessa estrada diária de construções afetivas.

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Vai, mulher, vai, até onde as pernas e pés e ânimos puderem te levar. Quando virar o novo ano de seu juízo, você retorna se arrastando se for preciso, se deita ali, aninha-se e chora. Chora, chora, chora, chora.... e deixa que esse rio estancado por dentro transborde pelas barragens e te engula e vaze e nutra tudo de novo. Uma estação depois da enchente destruidora, o rio que te corta será fio de água novamente, e mesmo com os olhos ainda doendo vai conseguir ver a beleza da vida crescendo às suas margens. Eu, mulher-Nilo, mulher-seca-enchente-florescimento, mulher-ida-volta-rodopio-grito, renascerei mais bonita do que nunca a partir das minhas margens encharcadas de lama. Essa lama rica que se cria na beira dos nossos rios de correr, à qual nunca se pode temer porque nela habitam os microrganismos que comem nossas incertezas e renovam toda a terra que nos sustenta os pés.


Rainha do Nilo, porque não? Àquela que não temer as enchentes sempre terá a sorte de contemplar a colheita da estação seguinte; Ela me confessou há tempos ser exatamente esta a sua força. 

domingo, 1 de julho de 2012

Da série PREPARAR, APONTAR...: Intuição, Senhora das ações

Logo após me separar, eu preenchi o oco interno com muito, muito, mas muito ruído externo mesmo. Encontrei um amigo gêmeo de alma em termos de hiperatividade, e cumprimos juntos todo o roteiro de festas, serões de trabalho e conversas na cozinha madrugada adentro. (Lov u, Ciroco!!!)

Era comum eu enlouquecer e ser a alegria das festas, nas quais devo ter bebido pelo menos 30% do meu soldo mensal. Era realmente divertido, e Ju era uma das companheiras mais frequentes naquelas incursões noite afora. Saudade dela.

E foi ela que, recebendo um muchochento telefonema meu num domingo de tarde, me chamou atenção para o fato de que aquela depressão infeliz que eu sentia de forma recorrente poderia ser nada mais do que uma rebordosa por conta de um cigarro mentolado que eu costumo fumar. Uma ressaca química, por assim dizer.

Acho que ela estava muito certa, e salvou-me de gastar em intermináveis sessões de terapia às quais teria ido para localizar o incômodo existencial que me acometia todo domingo ao acordar... Ainda bem que é mais simples.

(...)


Ontem foi um dia de festa. Nada tão pesado a ponto de comprometer a conta bancária como outrora, mas divertido o suficiente a ponto de gerar muito lixo que precisei juntar em sacos grandes e levar até o alto de minha rua. Foi divertido, foi afetuoso, depois ainda foi gostoso. Então, porque será que acordei de madrugada completamente incomodada com um sei-lá-o-que que está me fazendo sentir enjôo de tanto que está mexendo comigo? Whatfuck do you feel, Isabela? Come on, honey, help your own mind (or heart, I don't know actually...).


Aí que estou aqui, LOUCA-DA-SILVA, porque entendi que é hora de arrumar a casa. As casas na verdade, com direito a mudanças por fora e por dentro e pelos lados e por trás e no futuro à frente. Tá uma consumição interna por conta de algo que nem consigo reconhecer, e sei que nesses momentos a minha intuição é coroada senhora de mim. Ela tocou seu alarme, e só ficarão as coisas sob sua aprovação, isto é certo.

Enfim; dia de arrumações. Furacões apontam no horizonte, então o momento é de levar as coisas mais importantes para o abrigo no porão e deixar o restante voar pelos ares.

(...)

Que assim seja, então!



terça-feira, 19 de junho de 2012

Da série PALAVRAS AO VENTO: Engoli-lo, gestá-lo, nascê-lo


Hoje um encontro me tirou o chão.

Não o encontro da manhã, que é curso leve de rio, que conduz tranquilo o olhar do passante. Esse ficou na sensação da manhã, no sorriso, no perfume. Veio comigo, mas ficou lá ao mesmo tempo; dialética do sentir.

Mas, então; hoje um encontro me tirou o chão. Na verdade me roubou o rumo, me descontrolou, me virou do avesso. Ele fora. Eu dentro. E os olhos se encontraram pelo vidro que ele molhou. Aí eu o reconheci; quase o tinha perdido no fundo da memória, porque o que mora em mim é apenas uma criança do lado de fora. Sempre fora, mas, sabe... nunca tinha sido tão fora quanto hoje. A gente se reconheceu, mas não nos sabíamos mais, porque aqueles que se conheceram há tantos anos se perderam num tempo de esperanças. Naquele tempo eu acreditava que um dia estaríamos os dois do lado de dentro. Que não haveria mais um fora tão mortificante quanto o desta tarde.

Eu parei naqueles olhos, que são tão duros que não deixaram nem o rastro reconhecível do garoto por debaixo daquele encarar de pedra. E foi minha vez de virar rocha diante do ex-menino-esfinge, que me mordia com os olhos boiando sem lugar.

A água sobre o vidro vira água sobre os olhos, escorre pelo queixo, molha o colo, as pernas, os pés; enlameou tudo com aquela dureza de pedra a rolar sobre minha memórias. 

Eu lembro que sentamos juntos e conversamos lá atrás. Alef. Ele era um menino, era pequeno, e era loiro. E tinha um primo, Júnior, que era negro e dentucinho. Eu levava presentes e conversava sobre o como era bom dividi-los. E sentava com eles e escutava as histórias bobas de criança e as perguntas sabidas que só podem ser feitas por quem observa o mundo estando de fora dele. Eu amava aqueles meninos dentro do que eu poderia amar. E sonhei tanto e vibrei tanto e emanei e desejei e projetei e fiz tanto quanto sabia fazer para que existisse, mesmo que num plano distante, uma energia de amor direcionada àqueles dois pequenos. 

Dois pequenos... Um deles encontrei hoje, já meio médio meio grande. Ele tinha uma espécie de bigode de adolescente, e ele me reconheceu com os olhos, mas não sei se dentro da cabeça. E ele molhou o vidro que congelou nossos olhos, e meus olhos então que se molharam de dor como se tivesse vendo o meu filho morto dentro daquele rapaz. (...) Não é vaidade do que roubaram 'de mim', mas dor lancinante pelo que roubaram dele! Está errado... Eu queria sair dali e gritar por entre os carros e contar pra todo mundo quando era eu quem levava carros de plástico para a gente sonhar um pouco juntos. Está errado e não há mais como fazer isso gritar dentro da gente!

(...)

Hoje esse encontro me tirou o chão. Ainda estou chorando, não posso negar. Tá sangrando aqui dentro e não sei como fazer estancar, meu Deus. Vontade apenas de engolir aquele rapaz e gestá-lo e pari-lo de novo pelo olhos, só pra nos dar a chance de recomeçar por um novo começo.

Mas eu não posso.

Hoje um encontro não me tirou o chão. Na verdade, hoje um encontro me tirou um pouco de tudo aquilo que morava na parte mais bonita de minha memória...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Quando eu era gincanista....

(...)

Sim, eu já fui gincanista. Dessas de se referir a si mesma alguns anos mais tarde como 'gincanista', como se fosse esse um título a zelar. E de certo modo até era, porque a gente sempre ganhava t.u.d.o, incluindo amigos, respeito dos professores pela capacidade de organização, uma-coisa-parecida-com-admiradores vindos das classes vizinhas e, é claro, o grande prêmio em dinheiro que dava pra pagar uma viagem BALA para algum lugar do estado. Bons tempos...

Mas então; quando eu era gincanista eu já era ocupada. Descrevendo minha rotina de adolescente para um moço-querido esses dias eu notei como, PQP!, desde sempre eu sou uma pessoa lotada de afazeres. Eu costumava acordar 5:15, fazer exercícios no meu quarto enquanto assistia Telecurso 2000, preparava meu café, arrumava minhas coisas, tomava banho, passava meu uniforme, me maquiava (ato religioso desde 14 anos), CAMINHAVA uns 2km até a escola, assistia aulas até 13h, às vezes estudava com os outros mais atrasados até umas 14h, voltava caminhando (sempre com a meta de emagrecer mais e mais e ainda economizar uns trocados), tomava banho, fazia minha comida de dieta, es-tu-da-va umas 5h, me arrumava, ia pro ballet, fazia sei-lá-quantas-horas-de-aula, voltava andando de novo, arrumava minhas coisas pro dia seguinte, lia alguma coisa e, aí sim, ia dormir.

Em época de gincana era tudo isso mais ir no Cabula e em Nazaré de buzu só pra convencer os colegas do colégio conveniado a se juntar à minha equipe, cortar papel, criar coreografias, gerenciar finanças, argumentar com professores para me liberarem das aulas, vender lanches para levantar grana pra equipe, conversar com fornecedores, conversar com pais de  bons alunos do 1º grau para que eles autorizassem a participação dos filhos na gincana, conversar com pais de maus alunos do 2º grau para que eles igualmente autorizassem a participação dos filhos na gincana, me relacionar com os outros líderes da equipe (quase sempre quatro marmanjos), negociar com minha família o empréstimo de um zilhão de coisas, negociar com meus hormônios adolescentes, dar pesca pros amigos que já estavam quase perdendo de ano e, claro, achar um tempo pra motivar as mais de 200 pessoas que compunham a equipe. 

(...)

Nunca compreendi como eu sobrevivi à minha adolescência!

Pois que, quando eu era gincanista, eu já não gostava de gente correndo com cara de desesperada pelos corredores. Sempre tive certeza que o Tempo era coisa pra se gerenciar e nunca para ser perseguida que nem um fugitivo. Cunhei nessa época a frase pseudofilosófica: 'O Tempo é meu amigo', completada invariavelmente com a pergunta: 'Se seu amigo estiver caminhando muito rápido em sua frente, você corre atrás dele ou vai pedir pra ele ir mais devagar?'. E aprendi cedo a pedir pro tempo me aguardar.

Em algum momento, ainda nova, eu entendi a não me desesperar com as coisas, mesmo quando elas parecem ABSURDAMENTE acumuladas. E fiz um tantão de coisas na vida apenas cumprindo uma depois da outra, ou todas ao mesmo tempo, mas sem o desespero de achar que não vai dar. Acho que sempre irá dar, e trabalho para isso acontecer.

A porra do meu mestrado (e um namoro desestruturante concomitantemente) me roubaram um pouco dessa clareza, que estou reconquistando dia a dia. Alguma coisa nos astros reacendeu há poucos dias a chama do auto-controle temporal que existe em mim, e lembrei como é ser dona dos meus sentidos e ferramentas de trabalho. Parece que estive dormindo e acordei. Santa felicidade, Isabela, você está de volta!

Mesmo doente eu tinha um zilhão de atividades pra dar conta ao mesmo tempo. Mas agora elas não tem me dado tanto pavor. E olhe que atualmente o que está em jogo é bem mais do que boas notas e uma viagem de fim de semana com os amigos. Hoje eu respondo por um teatro, integro o trabalho de um grupo de artistas, lido com alguns milhares de reais dos outros, compartilho experiências e conhecimentos de assuntos sérios, gerencio minha casa, minha saúde, meu peso, minhas dezenas de afetos, minha conta bancária, enfim... meu Tempo! E sempre atenta para não deixar o bom-humor se escoar, porque ele é fluido leve que se evapora num piscar de olhos.

Ai. É isso. Estou feliz (ainda que não esteja eufórica) com esse retorno. E queria firmar isso em palavras públicas. Tarefa cumprida, termina aqui o que poderia interessar ao resto do mundo; o que se segue é apenas uma listinha de demandas no modelo dessas que habitam minha vida desde a tenra juventude:

  1. Adaptar projeto Andrea 1;
  2. Adaptar projeto Andrea 2;
  3. Adaptar projeto moços 1;
  4. Adaptar projeto moços 2;
  5. Adaptar projeto Bebé;
  6. Escrever projeto educação;
  7. Enviar proposta financeira cantora;
  8. Prestação de contas dos outros;
  9. Definir horários com músico e videomaker;
  10. Elaborar Termo de referência ocupação;
  11. Elaborar Termo de referência outubro;
  12. Re-revisão dos procedimentos de rotina;
  13. Fazer guia de procedimentos equipe;
  14. Contato com centro de cultura canadense (projeto!);
  15. Enviar presentes Ucrânia, Canadá, Coreia e Suíça;
  16. Preparar material de amanhã cedo;
  17. Preparar material da semana que vem;
  18. Organograma projeto de circulação;
  19. Revisão dissertação;
  20. Compras da casa;
  21. Começar academia;
  22. Médicos (todos os que faltam);
  23. Documentos em aberto;
  24. Pagar itens em aberto;
  25. Arrumação cozinha (armários, geladeira, etc);
  26. Arrumação sala (forro sofá e quadros);
  27. Arrumação escritório (limpeza geral);
  28. Fazer mercado!!!!;
  29. Passar na costureira pegar roupas;
  30. Passar no sapateiro pegar itens;
  31. Mudar de agência bancária;
  32. Colocar aparelho;
  33. Relatório nosso;
  34. Enviar presentes Québec;
  35. Processo de mudança geral;
  36. Pós-2;
  37. Iniciar inglês;
  38. Iniciar francês;
  39. Capas Magritte;
  40. Devolver os livros emprestados;
  41. Terminar os 45 livros que faltam;
  42. Pendências do carro (buzina, limpador, tapetes, etc);
  43. Coisinhas bobas (novos sapatos, itens de cozinha, roupas, cremes, dormir...);
  44. Projetos artísticos: COMEÇAR!;
  45. Resolver trânsitos afetivos;
Acredite; isso são apenas as demandas importantes, relevantes e que têm prazo para serem cumpridas. Ainda teria uma tonelada de coisas se eu começasse a listar o que eu desejo fazer, como viajar, tomar um banho de folhas ou retornar pro ballet. 

Mas é isso. Acho meio bonito essa coisa de heroína que tem tantas demandas À espreita e ainda assim consegue sorrir, tomar banho, namorar de vez em quando e até comer decentemente. Acho bonito, sim... não era de ser assim, mas a verdade é que eu sempre achei bonito.

Agrava um pouco a minha situação o fato de que eu cuido de mim sozinha, solita, solita, à exceção dos amigos que tantas vezes se cedem a mim por amor e cuidado. Mas de ser 'dona' mesmo dos problemas, aí é tudo comigo. Às vezes dói, mas em geral dá só satisfação depois que fica pronto. Então, sigamos rumo à reta final, que espero eu que seja beeeeeem distante de onde estou neste exato momento. Energia gera energia; esta é uma certeza.

Alors, allons-y, Isabela!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Da série PALAVRAS AO VENTO: 1,2,3,4

1. Ok; eu não sou fácil. Mas sou honesta e amorosa e leal. Claramente leal, ainda que vez ou outra a certeza do ser abandonada me faça repensar sobre essa faceta. E nem adianta, viu?! Tentou me controlar, me dobrar, jogou 'contra' meu jogo, eu saio pela tangente. Porque eu estou me dando bem comigo mesma e não vou arrendar essa paz a qualquer preço. E, olhe, eu g.o.s.t.o de trocar, de compartilhar, de abrir as portas de casa e da rotina, então sejam bem-vindos; só não venha mexer na arrumação dos móveis e palpitar no tempero da comida sem receber autorização prévia, porque simplesmente não vai rolar. // E estou sendo sincera; não sou uma dessas reclusas que têm a solidão como companhia preferida. Mesmo! (...) A verdade é que esta postagem é para mim. Porque eu gosto de ficar sozinha, mas queria mais opções de compartilhamento. 

2.  Un jour elle m'a dit que je suis une femme d'épouser... plusiers. C'est vrais, la tellement lourde verité. A mais pura verdade.


Agora,... quem tem coragem de vir nessa jornada que muda de cenário a cada solstício? Como negociar com o ego do outro e convencer de que talvez eu mude de ideia, então sejamos apenas o momento presente? (...) Eu não viria, na moral...

3. Há um lugar na casa reservado para o devaneio. Nada mais apropriado do que o silêncio como companhia, porque a poesia minha é construída com imagens em giz-de-cera e não com palavras. Não há o que dizer que não seja apenas para abrir a porta das metáforas internas. Sou uma moça de discursos internos, sim sim, meu senhor...

4. O meu corpo afirma ódio eterno a alguns hábitos; cansaço, desgaste, dores, devoluções, inchaços, entupimentos. A rotina me diz que não acharemos solução juntas, então será preciso jogá-la na lona e vencer por cima de seu querer. (...) Me perdi, mas vou me achar. Eu, a mocinha do controle, me dôo com a errância dos passos. Mas uma coisa que a maturidade tem ensinado desde o seu apontar no horizonte é a como ter paciência.

Assim sendo, terei-a!