JARDIM DOS ENCONTROS
Lugar de encontrar palavras, devaneios, imagens e sonhos plantados a esmo.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Amar àquela que se odeia

O doloroso da morte é que com ela não se negocia. Para ela a gente não pode dizer Pára! ou Volte depois... ou Só mais um minutinho... Ela manda em nossos tempos. Ela coordena nossos ritmos.
Não há remédio, não há negócio, não há discussão, não há poréns.
Ela vem e vai. Sem nos consultar.
(...)
Hoje chorei de amor. Por conta do amor que sinto por um que sente amor por uma, eu chorei porque a Morte o desrespeitou e o machucou à toa. Como quando você engole um sapo que machuca fundo a goela, hoje vi uma pessoa tão amada com a garganta destroçada pelo tamanho da dor que precisará engolir. Essa ferida vai tão fundo e será tão longa no sarar... Talvez a goela desse meu amor nunca mais nem volte ao formato normal, talvez nem se ajuste mais ao tamanho correto dos dias antes-da-Morte. E por isso é tão duro: porque só nos resta o aceitar.
Mas se é tudo tão negociado nesses nossos tempos, se há em nós o ímpeto eterno de entender e resolver e ressaber e ceder e compreender, como conviver com o aceitar cego daquilo que a gente não iria jamais desejar? Como deixar passar pelo corpo, entrando pela boca e olhos e narinas e orelhas e não barrar o fluxo dessa dor ali na altura do umbigo, impedindo que a última pergunta se vá, mesmo que sem uma resposta? Como se despedir de nossos amores sem se dilacerar inteiro? 
Acho que não há mesmo um 'como' para isso. Cada vez mais creio que não há.
Talvez seja por conta de sua crueldade que eu nutra constantemente um carinho imenso pela morte. Como mulher enganada que insiste em olhar pelo ângulo mais positivo aquele homem que tanto a maltrata, eu a olho com olhar condescendente de quem já aceitou que serei obrigada a recebê-la vida adentro um tantão de vezes. Me contorço para achar-lhe um perfil belo, uma visão favorável... Talvez seja o caso de pintá-la de cores bonitas, recitar-me histórias doces, para que eu não lute em vão quando ela me bater à porta.
E eu tenho muita raiva da morte porque só me resta amá-la! Ela vive comigo, é mãe, irmã, conjuge e amiga; ela me acompanha em cada ciclo, então a única saída é dedicar-lhe meus bons sentimentos. Ela não me abandonará, nem a mim nem a nenhum dos meus.
(...)
Tentemos, portanto, aceitar a sua chegada. Mesmo quando a odiamos profundamente como neste exato momento.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Da série DECISÕES DO RAIAR DO DIA: Auto-silêncio

Lutando para criar uma rotina, constato como sou refém de estruturas em minha vida. Preciso (sim, pre-ci-so) de meu carro, de grana no bolso, de uma casa limpa, de telefone funcionando. E tal noção de minhas necessidades básicas ajudam-me, finalmente, a construir um caminho pessoal há tanto perdido.

Não abrirei mais as portas aos falsos torcedores, não desejo mais os perdidos por perto, não aceito dar-me demais a quem não for da soma. E isso soa um pouco trágico na vida de uma mulher que se criou cercada de problemas alheios, resolvendo as questões do outrem e servindo ao coletivo; de uma maneira sempre um tanto torta, mas ao coletivo inegavelmente. Preciso mais do silêncio, esse sim rebeldia extrema quando se tratam de pessoas como a que eu tinha escolhido ser. Mas alguma coisa no passo do rebanho não estava funcionando, e ajustar o trote mesmo que a golpes de foice nas partes mais fracas do todo se faz então vital.

Espero não ficar solitária, porque isso é em mim uma tendência. Mas enquanto eu não fizer as pazes comigo mesma, como abrir espaço para um outro? O enredo dessa insistência teria final já conhecido: começa com amores abertos ao todo e finda com quilos de ansiedade arremessadas de um lado a outro da sala de estar, não sem antes bem mirar a cabeça do pobre coitado. Não quero mais isso.

Quero paz, auto-paz, auto-paz! Não prostração, ou medo, ou palermice (outra tendência), mas uma presença completa que consiga ir além do correr feito louca ou nada-fazer-como-ameba. Quero presença real, sabe isso?!

Assim que bem souber onde estou (e isso passa por arrumar as coisas à minha volta, ainda pelo avesso), eu pelo menos já sei para onde ir. E vou traçar com carinho de menina-moça os próximos passos, não para prever o futuro, mas para ter um foco quando o vento soprar mais forte.

Em breve será tempo de chegadas de novos companheiros de caminhada, pressinto isso. Sem apressar o passo, estarei me preparando desde então para esses bons encontros. Por ora é fazer a minha parte, sorrindo atenta ao entorno, sem deixar-me aterrar minha profundidade num mar de incertezas novamente.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

DA SÉRIE PALAVRAS AO VENTO: Oração

Energias criativas misturadas ao sangue; tudo corre mais veloz agora. Foram meses de luto mudo. 
Silêncio que ecoava na pele.
E chorava copiosa por um morto de quem eu sequer sabia o nome.
(I wanna go home, buddy!)

E minha loucura engoliu o inconsciente e me fez ser randômica em todas as direções. Mas, gracias!, veio a indulgência contemporânea do trabalho, o autoflagelo do trabalho, a dolorosa concentração do trabalho. (Não necessita das rezas quem têm tantas contas a pagar. Meu Deus mora dentro de envelopes timbrados. Nunca entendi como ele se faz caber.)
O foco sai de dentro e vai parar em cima da mesa, empilhados de papéis que desadoecem o juízo. Não há mais padres, não há mais confissões anônimas, não há mais sigilo. A dor agora está exposta em linha e isso é, sim, alívio exibicionista de expandir-se ao infinito.

Chorei os mortos dos outros porque para os meus não cheguei a tempo. Sabe como é; o trânsito nesta época é uma loucura.

Erro e pane e freio e barulho e choque e grito! Ah!
Mas ainda bem que os envolvidos não se feriram. Não se espalharam no asfalto, deselegantemente virados ao avesso. Foi PUM e nada. Silêncio.
De olhos abertos, se foram sem dar uma palavra. Mortos, enfim.

(...)

Sorte minha passar ali bem no momento. Sorte dramática a minha.
Desprender algumas lágrimas com pelo menos um motivo aparente. Pouco importam os nomes mas sim os guinchos copiosos que finalmente posso deixar escapar.

Sorte minha desconhecer tantos nomes. Olhar de longe é mais fácil, sabe isso?...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Da série CHEGADAS E PARTIDAS: Farewell feelings


Quando eu anunciei a minha primeira partida, os meus novos colegas já começaram a gemer de desagrado. Don't go, Isabela! Após repetir isso inúmeras vezes para os afetos que se iam, seria a minha vez de escutar isso com sotaques suíços, paulistas, ucranianos, coreanos e tantos outros mais....

Mas nunca subestime minha capacidade de ser louca, e na primeira semana de aula no último nível eu descobri que eu teria 1 semana a mais do que eu inicialmente previra. Louca, louca, louca, a brasileirinha que sequer sabia que dia teria de partir viu todos os afetos re-sorrirem satisfeitos porque ainda nos restariam alguns dias.

Ainda assim, na 4ª feira da semana que seria a da partida, TODOS estavam na minha despedida, no tradicional bar de chicken wings. Mil fotos, declarações e bons votos, eu me sentia abraçada e muito amada por todos aqueles que, passo a passo, tinham aprendido a gostar de mim como eu gostava deles.

Esta foi minha despedida nº 1!

Na 6ª feira tínhamos uma festa na casa da minha-doce-Tia-ucraniana e do Rei-de-todos-os-reis-paquistanês para o que seria minha real despedida. A festa estava marcada e, mesmo depois de descobrir que aquele não seria meu último dia, não desmarcamos o encontro. Caipirinhas mil para todos, receitas trocadas com uma nova querida turca, algum stress por conta de ciúmes masculinos, música brasileira tocando e uma noite deliciosa com amigos.

Esta foi mais uma despedida, a de nº 2.

Na semana seguinte era minha partida: passagens compradas para outros cantos do país, malas em vias de arrumar, coisas organizadas. E estavam lá meus amigos queridos, de novo, na 4ª feira, me dizendo com todo carinho palavras lindas em sotaques variados. E eu já chorava...

Esta foi minha despedida nº 3.

No dia seguinte, família canadense reunida em torno de uma mesa. A conversa fluente em inglês demonstrava que meu objetivo lá tinha sido cumprido. Alegria demais com as lindas gêmeas, com o casal bonito de pais zelosos, com a filha que me deu um presente lindo, com os meus hostparents que fizeram tudo ser tão mais simples e especial para mim. Foi uma noite muito, muito gostosa, e me senti querida por aqueles que me viram por ângulos tão diversos aos dos meus amigos.

E tive minha despedida nº 4.

A última 6ª feira foi um dia de ansiedade. Eu tinha feito brigadeiros para todos os meus colegas para dizer-lhes 'Obrigado' à brasileira. Fiquei tão feliz em vê-los contentes apesar da tristeza diante da escola cada vez mais vazia. Depois daquele que foi o meu teste final (boas notas de novo, eba!), milhões de abraços e registros daquele que seria meu último dia na escola. A professora, linda e elegante como sempre, decidiu que pagaria um café para todos meus colegas de sala para me dizerem tchau.


E tive minha despedida nº 5.

O restante do dia foi essencialmente de ansiedade. Não fossem os que me esperavam aqui, eu não teria conseguido dizer adeus para os que me cuidavam lá. Crise de euforia, desespero, joelhos e testa no chão, respiração cortada e um choro copioso sozinha no meu quarto; tudo amparado pelos amores baianos, auxiliados pela tecnologia que faz o mundo ficar menorzinho... Graças a Deus que existem tais meios, graças a Deus! Porque consegui me conter, me fazer bonita, abrir um lindo sorriso e ir encontrar meus amigos para uma noite dançante. 

México, Suíça, Japão e Brasil se encontraram para, ao ritmo eletrônico, nos dizermos até logo. Foi um pouco difícil (Thanks a lot, my Sweet-heart, because you were so cute and sensitive about my feelings...) mas a música ajudou a relaxar e depois de uma hora eu já era a Isabela de sempre. E vamos dançar! Até que os meninos chegaram e (deleite total!) dançamos juntos ao estilo árabe, cortando o salão e estalando as mãos. Ai, que delícia!

Dizer tchau para minha Sweetheart foi um tanto desesperador, e agradeço ao Monsieur que me segurou para eu não derreter. Lindo, lindo, lindo. Um pedacinho foi embora com minha Meli, mas eu fiquei mais forte pelo amor que construímos.

E findei minha despedida de nº 6.

No dia seguinte foi de carinho e descanso, com direito a ser levada em casa para arrumar as coisas. Se a viagem prevista não vingou devido à tempestade de neve inacreditável que atingiu a cidade, o restante do dia fez algumas pecinhas que estavam soltas voltarem ao lugar de origem. (I'll miss you, you know...)

Mas no meu último dia, em uma congelante manhã de domingo, tive meu dengo final, com um delicioso café-da-manhã na casa de minha doce-tia. Panquecas, suco, conversa, fotos e a certeza de que a amizade que construímos sobreviverá ao além-mar. Amor daqueles que bronqueia, que manda você se cuidar direito, que manda você ser feliz, sabe?!

E no C-train vi minha doce amiga partir enquanto eu fazia meu último esquilo sorrir, findando assim minha despedida nº 7.

Durante o resto do dia, briguei com a minha bagagem até não poder mais, enquanto dizia 'obrigado/adeus' a alguns amigos e repetia 'tô chegando' para outros. Uma moça atarefada de afetos, tentando dar um último abraço no irmão-mexicano que foi fiel parceiro desde o primeiro dia na cidade.

Tive de deixar esse abraço latino para outra ocasião, porque meu 'pai' tinha preparado o seu prato predileto para nosso último jantar especial. Comida boa, vinho delicioso, fotografias natalinas e presentes maravilhosos que me arrancaram lágrimas por todo o cuidado ali expresso. Ai.... como vou sentir falta deles.

E findei minha despedida de nº 7.

Mas faltava ele, o menino que preencheu minha cabeça por longos e longos dias. E, depois da mala arrumada, ele estava lá para nossa última noite multicultural com música, sheesha, dança e amigos. Obriguei ele a entrar e prometer ao meus 'pais' que eu estaria em casa no dia seguinte sã, salva e a tempo de pegar meu vôo. E ele, lindo como sempre, o fez e me levou embora para eu lhe dizer tchau decentemente.

E foi mais uma noite deliciosa como todas as outras naquela casa-da-diversão, rindo com os moços de sotaque engraçado, ganhando carinho do rei-das-noites e explicando para minha alma que minha lazy-easy-life estava de fato terminando. E depois daquela que certamente foi minha última noite com aquele moço de sorriso tão bonito, voltei para casa sem aceitar ainda o que estava deixando em Calgary.

E, sem um final oficial, vi terminar minha despedida de nº 8.

(...)

O choro incessante no aeroporto na manhã seguinte tinha motivo tão óbvio que a atendente que me ajudava logo entendeu:
- You're sad because you don't wanna leave Calgary, don't you?
- Yeah.. I got here an wonderful time and great feelings.
- I understand. But don't forget: our city will be ever over here, my honey...
- I know... Eu sei. Por isso mesmo que dia desses irei voltar.

I see you soon, Calgary!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Em memória dos meus

Eu sou uma espécie de raízes aéreas. Meus laços se prendem no alto da cabeça e não na planta dos pés. Não poderia ser amarrada por baixo, porque a agressividade dos passos ao certo me levaria ao chão. Mas meu material interno tende aos desafios, e a gravidade convida ao solo mas não controla o voo.

Pois que sou uma mulher de raízes aéreas. E se por genealogia essas raízes são mais frágeis, eis que elas se embebem de ar até o transbordo.

...

Sim, hoje é sobre saudade de casa

(...)

Não, eu não sinto falta do terreno conhecido sob os pés; já trago hectares inteiros amarrados a meu juízo. Desbravei por toda vida as sombras e caminhos e sabores e trilhas e sementes e clareiras dos que me são meus por direito. Dos meus, que recebem esta alcunha apenas porque me sabem deles.

Os meus...

Sinto falta dos meus, ainda que sempre encontre alguém bonito pra se emprestar para mim onde eu estiver. Não há como reclamar dos braços alheios mais longos do que de costume, das vozes que ecoam diferente, dos abraços que apertam em pontos imprevistos, das histórias que remetem a um outro lugar... Não, não poderia reclamar disso. 


(Eles me alimentam como a vizinha zelosa que cuida dos filhos alheios para permitir-lhes um saldo de ar fresco)

Mas os olhos dos meus são banheira de água quente onde me diluo sem medo de afogamento. Deleite dos que me entendem pelo arfar das ideias, acolhendo meus suspiros e os guardando num lugar seguro. 

Os-bonitos-que-se-emprestam-pra-mim têm, sim, águas mornas e sadias, bastante cheirosas tantas vezes, mas há alguma coisa que falta pra aquietar o corpo completamente. Esse nãoseiquê me dá desejo de ser o mundo bem pequeninho, tanto que bastasse uma corrida mais decidida para alcançar suas águas.

Eu amo os meus. Os que eu assim chamo porque me abriram suas portas, porque me revelaram seus cantos, porque me mostraram os espelhos escondidos do lado de dentro do guarda-roupas... desnecessidades de revelamento extremo. De tão e tanto é que esse exagero do compartilhar-se se faz tão vital. E nesses lugares minha alma pousa e respira.

Minhas raízes são aéreas e, hoje, apontam somente para o alto da cabeça daqueles que me têm com amor.

Obrigada.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Como diminuir de tamanho? Há mesmo sentido em mudar de matéria, de cor, de tom para menos, se foi com tanto esforço que chegamos ao mais?
Ai, cansei de perguntar.
Eu silencio. Há de ser melhor, tenho certeza...
(...)
E, lembremos, a natureza da pesca e da caça são tão distintas. Volte àquele dia em que você entendeu a loucura do amar-se, mocinha. Volte, caminhe até ele se for necessário. Não enlouqueça de terror e cansaço. Caminhe...
E entenda: não adianta correr atrás do peixe ou aguardar calmamente a presa. São, sim, diferentes, inclusive nos sabores. Saber aguardar é coisa difícil, sim, eu entendi isso há tanto tempo, desde o primeiro grito ofegante querendo que a realidade fosse outra no instante seguinte.
Ela não será. Nem pelo mais poderoso dos feitiços, nem pelo mais vigoroso dos golpes. Ela é maior, mais ampla, mais forte e mais duradoura que os ganidos de mulher desesperada.
Corre pra cima se as paredes estiverem apertadas. Descola da pele pela velocidade do salto, se for preciso. Mas, por favor, não fique parada e sucumba às incertezas que você tem criado.
Corre, mulher. Corre!


‎"Saber aguardar é coisa difícil, sim, eu entendi isso há tanto tempo, desde o primeiro grito ofegante querendo que a realidade fosse outra no instante seguinte.
Ela não será. Nem pelo mais poderoso dos feitiços, nem pelo mais vigoroso dos golpes, nem pelo querer mais sutil. Ela é outra. E sempre será maior e mais ampla e mais forte e mais duradoura que os ganidos de mulher desesperada.
Corre pra cima se as paredes estiverem apertadas. Invade o solo. Descola da pele pela velocidade do salto se for preciso. Desafia os ossos. Parta-se em inúmeras. Não dilua-se no ar. Segura-se a sua matéria, segura firme e de mão cheia.
Só, por favor, não sucumba a incertezas residentes nos olhos. Não fique parada a esperar um fim.
(...)
Corre, mulher. Corre!"

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Da série POESIA BARATA: Financeiramente falando

Morro tantas vezes por dia que não haveria como pagar as carpideiras.

Ninguém chora as mortes cotidianas, então acumulo corpos olorosos na sala de estar.
Pessoas que eu era ontem hoje deixam de servir tão logo é notado o Sol a esgueirar-se pelas cortinas.
Não há como enterrar todas elas, não há, Isabela(s), não se preocupe(m). Todos irão entender que não se trata de falta de zelo...
Pagaria com meus olhos se eles aceitassem desligar-se das suas moradas, se eles estivessem desatentos por quaisquer pares de minutos...
(...)
Sim, eu os roubaria para pagar minha paz.
Mas eles nunca ficam ausentes. É sinceramente muito estranho.

Mas, sim, falava sobre os corpos. 
Pilhas de ossos aquebrantados por dores tão bobas que haveria de enrubescer até aqueles abatidos pela febre ou gripe ou gastrites. Ardores tão bobos que matariam de vergonha mesmo os finados pelos males mais estúpidos.
Mas são minhas queimações, e elas têm matado milhares de centenas de mim.

(A white lie, maybe...)

E para onde olhar se para dentro as luzes se apagaram e as portas do sentido se fecharam até para o tato. Onde?
(...)
A verdade é que nem tem doído assim como parece, mas o vício me obriga a gritar alto para que alguma parte sã desperte e venha em socorro dos cantos mais bagunçados.
Não, não se preocupe. Não há nada machucado, guarde os curativos, por favor. Nada mais sangra, meu querido.
Há muito eu sequei também por dentro. Alimentai-me de seus fluidos, Ânimo, porque tenho medo de sucumbir a essas sedes que nunca terminam.

Mas agora sinto apenas sono. Legítimo, sim. Talvez.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DA SÉRIE FURTOS VIRTUAIS*: Ulisses nosso de cada dia

Itaca

Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.

Constantino Kabvafis (1863-1933) 
in: O Quarteto de Alexandria - trad. José Paulo Paz.

Presente furtado da caixa de verdades de Lisavietra Dias.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nota da autora

Mas faz tanto tempo que não escrevo que quase esqueci minha senha. A falta de uso, o costume, o hábito, a repetição, o eco... coisas tão úteis quanto traiçoeiras em determinados momentos.

Cheguei a esta cidade há mais de 1 mês e os avanços notáveis na comunicação se chocam com a desestrutura interna. Mas nem cabe falar disso, porque o silêncio tem sido parceiro fiel nos momentos de spins do lado de dentro.

Aí que a maluca aqui, depois de rodar-dançar-pular-cair-correr-confundir feito louca, desiste de ser reta e se arruma em pontos. O que melhor do que tópicos para ajudar um adulto confuso? Até tentei arrumar a minha cabeça para criar meus próprios tópicos com alguma cronologia, mas desisti instantaneamente, então não espere coerência nas linhas a seguir.

Com amor,
Isabela

____________________________________________________

  • Eu vim parar no meio do nada;
  • É possível encontrar nossos pares em todo lugar;
  • Esta é a cidade mais espalhada de todos os tempos ever!
  • Don't lose what you want of your sight, dizia o biscoito;
  • Eu bem que quis uma sogra da Tanzânia, admito no auge de minha heterogênea-alma-multicultural, mas...
  • Raspas e restos não mais me interessam, foimalaêpapá;
  • Meu passarinhos são os mais belos, meus amigos são os mais fortes, minhas verdades são as mais efêmeras (esta afirmação se auto-destruirá em 15s);
  • Prefiro francês ao inglês, mas a ideia de virar poliglota me faz dar gritinhos de ansiedade;
  • Eu concordo com Raiça Bomfim: o texto da salvação tem sete palavras: esquecer e conhecer e conhecer e esquecer e esquecer e conhecer e esquecer;
  • Eu amo muito fácil e muito rápido e com muita verdade e muitos ao mesmo tempo e muitas vezes por estação;
  • Agradeço ao Cosmos diariamente pela afirmação acima ser verdadeira;
  • Meu castellano é ruim mas que eu me comunico direitinho, ah, isso eu me comunico!
  • After C class, piada interna, deliciosa e tonta repetida em looping até o fim da vida;
  • Meus 2 irmãos vão casar. Simples assim.
  • Eu definitivamente não pareço ter 28 anos pra ninguém;
  • Com qualquer meia dúzia de palavras eu sou capaz de fazer piada em qualquer idioma (leia-se: atestado de tontagem profissional);
  • A nossa gaveta é a melhor!!!!!!!!!!!
  • Nossos apelidos são os melhores (Aquidauana, Ursinha e Leôncio estão no top 5 de minha vida rsrsrsrs);
  • Ela tem olhos de aço mas coração de brasa;
  • Ne pas perdre de vue ce que vous voulez pour votre vie;
  • Talvez minha missão na Terra seja ensinar diversidade aos outros, na moral;
  • Sim, o ideal da mulher moderna sobrevive no além-mar;
  • Tem pessoas que eu queria muito, mas muito, mas muito meeeeeesmo ao alcance das mãos para eu afirmar com o corpo todo o quanto as admiro;
  • Eu quero ir pro Quebéc treinar meu francês, ora bolas!
  • Preciso fazer um novo solo;
  • AMO S-AB-E-R QUE NA MESMA RUA QUE EU VIVEM ESQUILOS, COELHOS E BICHOS FOFINHOS OUTROS;
  • Eu estava na homestay errada mesmo, não dá pra negar. Que mané hora de fazer cada coisa, o quê, meu rei?! Obrigada, meu Deus!
  • I also wanna be a hunter! Or a handsome cowboy, teacher!
  • Uma certeza que tenho: minha casa vai estar no bordel no Carnaval 2012. Evoé!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Da série NOTÍCIAS LANÇADAS AO VENTO: Sunshine


O humor é, definitivamente, uma forma refinada da clássica inteligência. O resto é (pretensioso) silêncio. 
(...)
E tenho dito.

domingo, 21 de agosto de 2011

Talvez o monstruoso seja admitir que ele me embebeu de silêncio e roubou meu amor pelas palavras. Talvez seja isso, só isso: fortaleza que se desfez pelo discreto filete escorrendo por sua fundação. / E talvez eu tenha vergonha disso, de ser tão pouco, de ver tanta riqueza falida por um golpe tão simples.

Talvez eu quisesse que fosse uma imensa tragédia, dessas que fazem todos abrirem largamente a boca em sonoros 'Ohs' e tudo se finda na misericórdia diante do irrecorrível. / Talvez seja só orgulho, ego, pequeneza, transtorno, retorno, desleixo com a verdade. / Sim, talvez eu não queira tanto assim crescer e minha alma sinta reais ganas de se apequenar e entrar buraco do rato adentro.

Talvez eu comece a achar o mínimo espaço suficiente para mim.

(...)

Alguma coisa em mim calou e não sei mas como fazê-la dizer. Eu preciso ficar em silêncio, simplesmente preciso  e sei disso, como o velho curandeiro receita repouso sem explicar o porquê.

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Brasa nos pés

O desejo de me encontrar é tanto que sinto receio em escrever. Temo abrir a porta e sentir as palavras saírem em fúria, loucos ventos derrubando tudo o que havia de certeza até ontem, palavras preenchendo a tranquilidade dos dias. 
Sim. Eu sinto medo. 
Mas é tanto medo que não permite nem que eu fique em silêncio, nem que eu pare um segundo, nem que eu me lance sobre a lâmina. É medo tamanho que modifica a estrutura do corpo e é preciso mudar de posição de novo e de novo e de novo pra se ajustar a ele. 
Medo que é brasa nos pés, calo entre os dedos, afta no céu da boca, queimadura na pele, bolhas nas mãos.
Coisa que não se permite ignorar. Terror que GRITA - porque o silêncio é sua morte e isso ele não permite. Tem-se de modificar o olhar, alterar os cheiros, mudar a cor dos dias para mais claro ou verde ou opaco, depende do humor.
(...)
Ai. A vontade de dormir retorna e já não me lembro sequer onde fica o quarto de cortinas pesadas para meus olhos acalmarem. E desta vez, deste lado, não há tranquilizações ou cafunés ou histórias contadas para empurrar porta afora o eco da noite que por vezes dá paúra de verdade. Desta vez é jogo de menina-crescida e só há a mão direita pra a apertar a esquerda e vice versa. Sabe isso?
A brincadeira foi ficando mais séria e em algum momento deixou de ser divertida, ora pois. Eu não queria nada disso, talvez seja a mais simples verdade.
(...)
Eu não queria ceder às palavras, senhor, eu tinha te dito antes, não? 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Da série MENSAGENS PELO CAMINHO: Dicas para viajantes

Convivendo com pessoas diferentes, com pensamentos diferentes, estilos de vida diferentes, empregos diferentes eu tenho que me cuidar pra não entrar em parafuso.


Como eu escolhi viver, afinal, foi baseado em quê? Como decidi por essa vida? Eu não sou do tipo 'que é levado', definitivamente.


Cinco minutos de conversa deixam isso bem claro para qualquer um.


Mas aí, limpando meu computadorzinho não-super-powerful, organizando minhas coisas não-mega-hi, tirando meus sapatos não-super-fashions, eu me bati com esse gráfico que adoro:


E lembrei: eu escolhi esta vida porque eu POSSO ter esta vida. Diferente assim, arriscada assim, divertida assim, mais simples e honesta assim.


Isabela, me amo!


E tenho dito.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Da série GRANDES SEGREDOS DA HUMANIDADE: No, thanks

Em algum momento perdido no Tempo&Espaço eu aprendi a reconhecer quando o problema é comigo e quando é com o outro.

Eu de fato me esforço pra não levar pra casa o que não é meu. Se a maluquice/preconceito/babaquice/medo/baixa-estima é do outro, eu não pego pra mim não. "Muito obrigada, mesmo, mas não quero."

Se me perguntar se isso dá certo eu vou responder: 'quase sempre'. 
Se me perguntar como faz eu vou dizer: 'não faço ideia'.
Se me perguntar por onde começar eu direi: 'cuidando de você'.

Ninguém pode cuidar mais do outro do que de si. Isso começa por você. 'A máscara primeiro em você, e depois na criança', diz a sábia filosofia dos planos de emergência aéreos.

(...)

Em algum ponto importante do Tempo&Espaço eu entendi mais ou menos quem sou, o que eu posso, o que eu quero. O resto não é comigo não, na moral.

Circulando em terras estranhas é muito importante entender bem isso. Depois eu desenvolvo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Tá tudo explodindo.
Do teto ao chão.
Cansa.
E isso é chato.
Eu estou com raiva de ter sentido tanto.
E isso é frustrante.
Mas vou admitir, assim que as coisas passarem, que eu nunca nem me importei tanto assim.
(Essa defesa do estado das coisas é mais uma defesa de minhas coisas.)
Vícios de conquistadores.
Eu nem quero mais essas coisas assim.
E isso já faz tempo, na verdade.
Eu queria ter sido a dona da palavra, talvez.
Simples assim.
Boa noite, Isabela

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Da série GRANDES QUESTÕES DA HUMANIDADE: Ser-se quem se é

Eu acho tão bonito gente que come pouco.
Acho bonito gente que fala baixo,
bonito gente magra,
acho lindo cabelos lisos, muito pretos e muito pesados,
acho lindo gente tranquila, que escuta todo mundo e sorri sempre,
e gosto de verdade pessoas que amam a tranquilidade da rotina.
É lindo também gente calma, que não xinga nem se descabela,
admiro quem aprendeu cedo a ficar em silêncio,
e adoro cores leves na voz, sutileza, doçura.
Adoro mesmo, mesmo, mesmo.
Mas meu lado feminino é tão masculino, tão pragmático, tão pouco sutil. Eu tenho a mão pesada, ora bolas, porque em algum lugar troquei precisão por intensidade.
E, isso não é segredo: eu posso ser muito, muito violenta. Acima do correto, acima do aceitável, acima do juridicamente inofensivo.
Eu costumo me perguntar onde eu aprendi essa violência toda. Movimento que parte, que rasga, que rompe. Me acarinho porque, graças a muitos esforços diários, eu a tenho canalizado para construir alguma coisa de positiva. Mas eu tenho medo disso que habita aqui, sinceramente.
Não tem sido simples nesses tempos de chuva. Uma pessoa mais cínica, mais provocativa, mais alheia ao meu bem-estar pode abrir uma caixinha de todas as mazelas de uma alminha aquebrantada que estão guardadas aqui. Logo eu, que posso ser tão vingativa. Ridiculamente, novelisticamente, pacientemente vinagativa...
Minha alma está se curando, está se reconfigurando, está exercitando os perdões.
Por favor, do not disturb.
Por favor, não bata à minha porta, não me chame para um conflitinho à toa só por capricho. Não chame, não chame. Porque tem dias que a gente pesa a mão e tudo vira pó no entorno.
(...)
Nos dias de tensão demais, como ontem, eu me entendo uma boa mulher porque tenho domado os impulsos mais pavorosos e colocado produtividade saudável no lugar deles. Mas meu corpo tem me punido, já disse, e eu simplesmente emano tanta energia retida que quebro coisas. Destruo coisas físicas, literamente: portas, aparelhos eletrônicos, meu carro, louças; ao meu toque é comum as coisas cederem à pressão e se partirem. E eu tenho aprendido a conviver inclusive com isso.
Logo eu que acho tão bonitas as pessoas que não dessarrumam nada por onde passam...
(...)
Já que muitas coisas se somaram nesses dias, era bom eu avisar ao universo a tempo de ele me ajudar: não quero ter que conviver com a vaidade de mais ninguém que caiu de para-quedas em minha existência.
Mande essas pessoas embora, por favor. Com seus semi-sorrisos, com seu cinismo, com sua competição, com seu beleza pré-editada.
Eu quero que a violência me abandone um pouco, e para isso eu preciso de sua ajuda, senhor.
E pra moça eu digo: vá embora, aqui em minha casa não há nada pra você levar.
É o que eu tenho pra hoje.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Eu não sei muito bem o que estou fazendo comigo não; mas consigo entender que é alguma coisa muito poderosa em termos de mudança.


Já vi esse filme antes. É jogo de gente grande mesmo.


Isabela-growing MODE ON.


Agora vou ali dormir no chão para ver até onde a minha veia fransiscana se sustenta. E bjo-Band!

domingo, 24 de julho de 2011

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Juramento

Pelo que se foi, eu te prometo: não irei mais ameaçar o silêncio.
(...)
E obrigada por ter me dado a chance de consertar isso a tempo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Da série SUSPIROS E SORRISOS: Prece de gratidão

Pois pense em uma pessoa leve!
(...)
Agradecendo em silêncio pela minha capacidade de ter amor pelas pessoas.
Obrigada Cosmos, mesmo e sempre, por estar cercada de amor de verdade.
Um alívio que não tem nem como medir. Ufa...

sábado, 16 de julho de 2011

Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Rotas de navegação

Por que eu me imponho tantos desafios se eu sei que sinto medo? E eu temo tantas coisas. Eu tenho medo de quebrar os dentes, de ficar só, de baratas, de mentiras internas, de enlouquecer, de engordar, de não entender, de entender mais do que todo mundo, de ficar doente demais e não poder me cuidar. É; sobretudo de não saber cuidar bem de mim. 
Eu sinto muito medo, muito medo de me abandonar...
Ai, como eu alimento lugares duros de enfrentar. E como eu me lanço justamente nos lugares mais nebulosos e mais difíceis para esta alminha aquebrantada aqui.
(...)
Então, por que eu faço isso? Porque tanta sanha de caminhar por onde não conheço? Por quê?
São todos os desafios que meus braços alcançam, sempre e toda vez. Escolho cada um deles. Cada sugestão de suores, cicatrizes, superação, tudo isso me atrai como um felino diante de sangue fresco. (Saudações póstumas aos meus ancestrais desbravadores, que nem mesmo diante dos oceanos desconhecidos sugerindo a beira do mundo e uma queda infinita, temeram a imensidão do desafio de se reconhecerem num universo inexplorado.)
Me forjei a ferro quente, e amo os cortes profundos porque suas marcas servem de lembrete de minha força. Guerreira em algum lugar, sim, mas aprisionada em sonhos menores do que uma casa de bonecas branca e rosa.
O que temer então, se não me amedronta nem a perspectiva de perder partes do que sou?
Eu sou viciada em me superar, em me desfazer e recriar. Continuidade não é o meu forte, só se for na insistência da necessidade do salto. Moto-contínuo de testes, loopings, quedas, lançamentos, exaustões. Não aprendi a ficar em um só lugar e tampouco prestei atenção às lições de vôo. Minhas cartas de navegação são somente coisas coloridas, retas embaralhadas de expectativas e desejo. Estrela que reflete o mar que reflete a estrela. Me perder na escrita e na ação.
Quantas vezes a gente também não se comporta como coelhos, pegando caminhos que nos levam a lugar nenhum apenas por dar ouvidos demais à gente que está do lado de fora do nosso jogo?
O que eu quero afinal? O que temer, enfim? E, diabos!, para onde estou indo com esta certeza quase febril? Aonde?
Talvez mais do que a nova morte, eu tema a perspectiva de me perder de mim mesma. Talvez seja isso que vem gerando tanta e tanta água em meus pensamentos...