Tem horas, tem dias, tem suspiros que fazem a alma entender o tamanho de tudo. A imensidão do mundo, o inalcancável desse estar aqui.
Loucura lourcura loucura. Mas nada de loucura sonora, de sandices coloridas, nada de leveza. Dureza, isso sim. A alma enlouquece de tentar se expandir e chegar pelo menos perto da beirinha desse todo. Ela tenta, mas não chega nem no início do caminho.
Aí que ela se retrai, e dói tanto que a vontade é de cuspi-la boca afora.
(...)
Sabe isso? Pois me sinto assim neste exato momento em que te escrevo.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Vinte&oito
Assim... amanhã eu faço uma década de maioridade. Isso é coisa pra caramba, especialmente para mim, mocinha que detesta envelhecer. Lembro da agonia de ver o tempo me comendo ainda aos 20 anos. Como uma coisa que se embolora pela simples passagem dos dias, e nada pode ser feito diante disso, eu me sinto carcomida por um fluxo contínuo e incontrolável.
E, sabe.. eu não estou nem um pouco feliz com onde estou neste momento. Quase que detesto o entorno. E nisso eu me sinto sozinha entre os meus, ao semi-lado do mocinho-bonito-por-quem-inventei-de-me-encantar, com a família, quando encaro meu silêncio... Ruim. Ruim. Ruim. Ruim... Verdade seja dita: me sinto amada em inúmeros momentos, mas desesperadamente perdida. É de se contar nos dedos quem consegue escutar, simplesmente escutar, o que eu digo, sem tentar me dar rápidas soluções pré-prontas para minha ladainha não incomodar os ouvidos. E quando isso ocorre o amor vira placebo vagabundo, que dispenso sem pensar duas vezes.
E é nesses instantes que mais me sinto velha, engolida pelo fluxo a me arrastar para muito longe das possibilidades de mudança. Sinceramente injustiçada pela falta de escuta, pela falta de amor prático, pragmático, que não é só lamber o pêlo como igualmente ensinar a ficar de pé. Aprendi a amar desse jeito; de maneira concreta, por assim dizer. E me dou o direito de me doer de-com-força e sem pudores, porque não sou nem das que mais reclamam, nem das que se amuam por tudo, muito menos das que não agem... Eu afirmo tantos lugares que simplesmente não entendo a falta de paciência quando me interrogo.
Talvez seja isso... Confusão de pontuação.
A agonia é notar que, por desgosto, vou me fechando em meus problemas. Não vou mesmo deixar de me dar ao outro, de escutar, de me fazer presente, de ajudar pragmaticamente como eu aprendi mas estou certa de que minhas dores são meus segredos, visualmente desinteressantes aos amigos/amados/parceiros/torcedores-em-geral de minha vida. Eles me gostam inteira, em pleno funcionamento, forte e competente, porque assim se acostumaram a me ver; mas, merda, eu não sou sempre assim!
Pois, é isso. Por dentro, algumas certezas e satisfações íntimas de ter encontrado formatações adequadas a meu bem-sentir. No lado de fora, um sorriso firme, para que me deixem em paz em minha falta de brilho. E, frise-se: sorriso em silêncio, porque já deu tempo de entender que esse barulho não se faz audível o suficiente nesses dias tão ruidosos em que estamos todos imersos.
Feliz ano novo pra mim, afinal.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Da série ESCRITOS POÉTICOS: Mais de Ana Paula
VIAGEM
Preparei-te na pedra da casa / Asas do passaro Kalulu /Com pedaços de árvores destroçadas pelos raios / E resina quente. // Chamei a metade gémea do espírito / Para te passar remédios / Da cabeça até aos pés. // No fundo de meu corpo perfeito / Escondi / Pedaços de argila e feitiços fortes. // Em cada uma das doze cabaças da origem / Deitei o vinho dos votos / Um pano novo da costa / Três missangas azuis / E cera da colmeia menor / Todos os dias conservei aceso o fogo sagrado / Na hora dos fantasmas / O vento diz-me a tua voz / É a voz das viagens / Sem regresso.
ENTRE OS LAGOS
Esperei-te do nascer ao pôr do sol / E não vinhas, amado. // Mudaram de cor as tranças do meu cabelo / E não vinhas, amado. // Limpei a casa, o cercado / Fui enchendo de milho o silo maior do terreiro / Balancei ao vento a cabaça da amanteiga / E não vinhas, amado. // Chamei os bois pelo nome / Todos me responderam, amado. // Só tua voz se perdeu, amado, / Para lá da curva do rio / Depois da montanha sagrada / Entre os lagos.
Da série LEMBRANÇAS PODEROSAS: Ana Paula Tavares
Foi na época d'O Contêiner que me deparei com essa poeta. Ana Paula Tavares é angolana, e na nossa busca por referências para compor nossa África imagética e não-folclórica tão desejada, vasculhamos a produção de poetas africanos antigos e contemporâneos.
É importante que se diga: produz-se muita coisa linda & poderosa & forte naquele continente, tido por nós ainda como lugar muito distante desta terra brasilis. Entre tudo que lemos, a poesia Estrangeiro daquela poeta me marcou fundo; Buranga interpretando seus versos durante o espetáculo era para mim o momento mais emocionante da peça. Mais de uma vez eu chorei ouvindo aquelas palavras, que se misturavam em dado momento às palavras do próprio Buranga, ele mesmo um estrangeiro, exilado de sua terra por falta de opção.
Aquela forma de vazio total, da ausência completa de caminhos para dentro de casa, que invariavelmente lança para muito longe de tudo o que conhecemos como nosso.
Simplesmente lindo.
ESTRANGEIRO
Estrangeiro,
teus passos alargam o fosso
em volta do cercado da casa antiga
está aceso o fogo
nos sítios do costume
e tu moves-te por dentro do frio
estrangeiro,
o pano branco na tua cabeça
anuncia a morte
de minha alma gêmea
meu irmão meu noivo
o filho muito amado de sua mãe
o que portava no peito
o colar de missangas
e fios de meu cabelo
estrangeiro,
a tua voz
é um ruído surdo
um murmúrio atento
estrangeiro,
com a tua presença
a minha dança não correu
a manteiga passou
o leite cresceu azedo pelo chão
a vaca mansa de estrela na testa
não entrou no sambo
a bezerra pequena varreu a noite de gritos
estrangeiro
ontem não nasceu ninguém de ehumbo
e a lua estava alta e nova
o velho que sofre
não conseguiu morrer
estrangeiro,
afasta de mim
teus passos perdidos
e a maldição.
terça-feira, 15 de março de 2011
Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Alucinações musicais
Palavras gritadas às vezes não param de ecoar dentro da gente, né?!
Se vem com os adicionais de fábrica 'raiva' e 'desejo de machucar' é quase impossível de se livrar de reverber tão pesado sem uns dias de duro sofrimento.
O pior é saber que não tem nem como voltar ao fornecedor e pedir-para-tirar-porque-ele-entendeu-errado-o-meu-pedido. Afinal, os idiomas têm sido outros e nem sei mais cadê meu dicionário.
(...)
Solução? Paciência com as alucinações sonoras instaladas dentro de minha cabeça. Hora dessas elas vão embora... pelo menos assim espero.
terça-feira, 8 de março de 2011
Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Para você
Eu te amo.
E você sabe disto.
E é muito difícil às vezes.
E você sabe.
E não sei o que fazer com o que sinto.
E você sabe.
E não depende de só um de nós.
E a gente já sabe.
E certamente seria melhor ficarmos separados daqui por diante.
E eu sei disso.
E você me fez dizer coisas que há muito eu sequer pensava que iria repetir.
E (acho) que você sabe.
E se eu fico é porque quando é bom, é muito, muito bom.
E isso eu te disse.
E tem sido muitas vezes pesado e ruim.
E disso já sabemos, e falamos.
E cansei de chorar.
E você percebe.
E eu preciso sair por aquela porta, logo, já!
Mas é tão difícil...
E somos A diferença, mas no fundo parecidos em pontos que ninguém pode imaginar.
E você disso talvez não saiba.
E eu, quando sair, vou sentar na porta da rua e chorar, sozinha, porque não é um outro alguém que vai me fazer sorrir.
E disso eu preciso que você saiba.
E, bem... eu ainda te amo.
(...)
Escrevo aqui para que você não esqueça na próxima manhã.
E você sabe disto.
E é muito difícil às vezes.
E você sabe.
E não sei o que fazer com o que sinto.
E você sabe.
E não depende de só um de nós.
E a gente já sabe.
E certamente seria melhor ficarmos separados daqui por diante.
E eu sei disso.
E você me fez dizer coisas que há muito eu sequer pensava que iria repetir.
E (acho) que você sabe.
E se eu fico é porque quando é bom, é muito, muito bom.
E isso eu te disse.
E tem sido muitas vezes pesado e ruim.
E disso já sabemos, e falamos.
E cansei de chorar.
E você percebe.
E eu preciso sair por aquela porta, logo, já!
Mas é tão difícil...
E somos A diferença, mas no fundo parecidos em pontos que ninguém pode imaginar.
E você disso talvez não saiba.
E eu, quando sair, vou sentar na porta da rua e chorar, sozinha, porque não é um outro alguém que vai me fazer sorrir.
E disso eu preciso que você saiba.
E, bem... eu ainda te amo.
(...)
Escrevo aqui para que você não esqueça na próxima manhã.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Da série CONFISSÕES E SUSSURROS: Jogo dos 7 erros
Quando me percebi virada do avesso, retornei à casa que me fazia em equilíbrio. Os braços que me orientam a cabeça e desorientam as pernas estavam novamente possíveis de se alcançar. (Não sei como pude tentar convencer alguém de que eles eram outra coisa minha...) E era isso que eu tanto queria, não fosse pela sensação de que alguma coisa tinha mudado na paisagem.
Pega pedaço, cola pedaço, atenta os ouvidos, pára, analisa. Quase desistindo, cercada de amor, eis que "Bingo!". Mirando seus olhos de água eu entendi: ela sentia despeito. E era todinho pra mim... Foi preciso então redirecionar em instantes as flechas antes miradas para um reino inocente. Ainda tentei calar, mas...
(...)
Pega pedaço, cola pedaço, atenta os ouvidos, pára, analisa. Quase desistindo, cercada de amor, eis que "Bingo!". Mirando seus olhos de água eu entendi: ela sentia despeito. E era todinho pra mim... Foi preciso então redirecionar em instantes as flechas antes miradas para um reino inocente. Ainda tentei calar, mas...
(...)
Flecha, bomba, tsunami, furacão! Expulsa daquela casa por causa de meus gritos, eu retorno e me deparo com o silêncio de meu lar. Eis que está aí, no não-falar, não-perguntar e não-sentir o único caminho possível de salvar a imensidão de sorrisos que só ali posso ter.
Angustiada, me aquieto.
(...)
(...)
Pois que dia(s) depois, litros depois, dores depois, urros surdos depois eu pergunto: o que afinal eu quero?
Angustiada, me aquieto.
(...)
(...)
Pois que dia(s) depois, litros depois, dores depois, urros surdos depois eu pergunto: o que afinal eu quero?
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Da série POESIA BARATA: Dezesseis de fevereiro de dois mil e onze
1.
Vontade de escrever depois de ler as palavras da amiga. Mas a visão do desenrolar o novelo cuidadosamente organizado é devoradora e interrompe meu gesto no ar. (...) Medo de me ver de novo emaranhada num oceano de idéias paralisantes.
2.
Porque eu disse 'Volta!' cheguei até aqui. Então sorrir é quase uma lei, agradecendo ao universo pela presteza no cuidar de meus desejos mais íntimos. Feliz 4ª feira para você também!
3.
Garcia, Acre, Calgary, Soho, Humaitá, Miraflores, São Paulo, Paris, Botsuana, Londrina.
Entrada, saída, esconderijo e fuga. Preparar, apontar...
4.
Fiquem por perto para servirem de escudo para as palavras que lanço.
(Reverber que cura MODE ON)
5.
O que eu enterrei na parte de trás de minha cabeça para não entender? O que gesto e alimento com meus fluidos? O que escolhi? (...) Quem tiver a resposta, favor enviar para grandesquestoesdahumanidade@gmail.com
*
*
*
*
E tenho dito!
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Da série CONFISSÕES E SUSSURROS: Compartilhamentos
Tá... eu me viro bem sozinha. Na verdade me viro muito bem, até melhor do que se ficarem ao meu lado me ajudando. E eu gosto dessa independência toda sim. Na verdade eu me orgulho dela, adoro, me regozijo, me parabenizo, a nutro continuamente.
As batalhas podem ser solitárias, mesmo, numa boa. Não sofro por me degladiar com minhas hidras tout seul. Mas retornar para casa com suas cabeças em punho e não ter com quem compartilhar essa vitória, isso cansa...
A verdade desnuda é que preciso de companhia nos momentos de colher os louros. Sem isso a vitória ganha ares de placebo. Nas corridas pelos campos repletos de incertezas, prefiro a tranquila irresponsabilidade de responder somente por meus machucados. Isso me dá leveza, agilidade, elimina negociações, concessões, preocupações e afins. Acordar na hora escolhida e seguir os planos traçados me possibilita uma alegria que não encontro em quase nenhuma outra coisa que conheço. Agora, não ter para quem enviar o meu melhor sorriso na hora em que recebo o cetro e a coroa pelo reino recém-consquistado, isso esvazia todo meu recheio de coragens.
Eu precisava dizer isso. Quero vencer-me, mas não suporto me ver sozinha nos momentos de felicidade. E sinto que eles se aproximam a passos largos... Amigos, fiquem por perto para compartilharmos as horas boas!
(...)
Isso vale para você também, moço-bonito...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Da série PEQUENAS AÇÕES CONCRETAS: Racismo na Farmácia Santana
Conforme carta aberta que compartilhei ontem em meu facebook, uma amiga minha muito querida foi vítima de uma horrível situação de racismo na Farmácia Santana da Graça. Basicamente, após ela entrar na loja e sair sem comprar nada, o segurança a seguiu por cerca de 1/2 quilômetro e a mandou abrir a bolsa, porque supostamente ela teria roubado algo na loja. Obviamente ela não tinha pegado coisa alguma, e o cara justificou a sua desconfiança com o fato de ela ser 'de cor' (!!!). Ela, mesmo assustada, deu queixa na loja com a gerência, no Ministério Público e abriu um processo que acaba de ser arquivado porque a Santana deu um fim no sujeito.
Simples assim.
(...)
O que eu, você, minha mãe, sua prima, professores e cunhados podem fazer diante disso?
Não comprar mais nessa empresa, a não ser que você considere justo uma cidadã correta ser acusada de forma tão leviana, ameaçando não apenas sua tranquilidade como sua própria segurança. Porque, de fato, nada 'pior' ocorreu, porque ela simplesmente não tinha nada na bolsa que tivesse sido comprado na referida farmácia. Mas, e se tivesse? Seria presa, provalvemente, simplesmente pela combinação de fatores racismo + omissão + falta de treinamento.
Eu, assim como não quero direta ou indiretamente colaborar para a exploração de escravos lá em Sergipe pela empresa Maratá (leia aqui para entender), nem de crianças pela tal da Nike (mãos de criança, mesmo escravas, são melhores para costurar seu tênis, bolas e chuteiras!!!), também não posso dar lucro para uma empresa que vai na contramão de tudo que eu acredito. Porque é o que eu, consumidora, posso fazer de mais simples e, acredite, e-fe-ti-vo. Porque é sim, muito efetivo! Essa é a lei de mercado: ou você vende, ou você quebra. Se você compra de uma empresa, ela cresce ajudada pela sua grana. Tem mil e uma farmácias concorrentes por aí e não quero que uma empresa que não apenas compactua com formas de pensamento excludentes (a gerente hoje simplesmente mente dizendo que nunca aconteceu essa situação...) e muito, muito perigosas para os cidadãos que não 'se adequam' a um suposto modelo. Eu posso até estar mais ou menos dentro do 'modelo' para alguns olhos, mas me recuso a basear minha convivência com meus pares em privilégios de raça/gênero/condição social/insira.aqui.o.seu.critério.de.exclusão.
É isso. Assim como você não almoça McDonalds todos os dias (pelo menos eu espero que vc não faça isso... rs) porque sabe que faz mal pro seu organismo, nem rouba coisas no mercado porque sabe que são de uma outra pessoa que não você, ou, por fim, não toca fogo em mendigos porque acredita que eles sejam inferiores, eu apelo aqui para sua boa consciência para fazer a sua parte em não perpetuar essa merda de desiguldade de condições que mina nossa paz nos mais diversos níveis.
Deixar passar essa chance, ainda que muito pontual, de reduzir as diferenças de tratamento entre nossos pares é esquecer que tudo não passa de uma grande cadeia, onde uma coisa influencia a outra, terminando por transformar nossas omissões cotidianas em nosso mais ferrenho algoz alguns passos a frente.
Para saber mais! http://umabadapracadadia2.zip.net/arch2011-02-06_2011-02-12.html#2011_02-07_20_14_43-135954919-0
Divulgue! E escolha uma outra farmácia mais confiável para depositar seu rico dinheirinho, que não a Farmácia Santana.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Já que você vem aqui...
Depois de uma dessas noites em que você ruma de um lugar para outro sem encontrar o seu, eis que veio como uma enxurrada todo o choro guardado desde o mais tênue desenlace. Rigor desfeito, carnes moles, perdida como poucas vezes, deixei que o desespero tomasse conta e multiplicasse as tentativas de solução no teclado do celular. (Pathos... por quê não?) E como nessas vezes em que a luz se acende e você pode enfim se localizar no espaço, eis que me veio um tufão de verdade e coragem para deixar cair as amarras do orgulho. (...) Obrigada por ter entendido isso e me brindado com carinho e palavras tranquilas. Sem rumo ainda, eu então sigo, Só que agora bem mais calma e com alguma serenidade enfim.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Da série VIVER NA BAHIA: Rainha do mar
Eu gosto mesmo de Iemanjá. Seja lá como esteja grafado seu nome, eu tenho imensa simpatia e crença nessa moça de espelho na mão, caprichosa e que tem, apenas, o mar inteirinho como morada. Chiquê pouco é pros fracos, afinal... rsrs
Na verdade, moça de criação católica que sou, fui cunhada sob a hégide da culpa, do castigo, do merecimento, da angústia, do temor.
Demorei demais a entender a simplória mas tão poderosa lógica do 'aqui se faz, aqui se paga'. Essa idéia de que o que você planta é o que você colhe, com as devidas alterações de cor&formato, os imprevistos ruins e as surpresas positivas que naturalmente estão embutidas nessa aventura do 'se estar aqui'. Então eu tento, acima de qualquer coisa, ser justa comigo e com o mundo. J.u.s.t.a., nada mais do que isso - até porque já é bastante coisa!
Isso porque morro de medo (olha aí o medo de novo, minha gente!) de ser punida (Foucault explica outra vez) pelo Universo por minhas injustiças. O terror que amparo em meu coração desde que me entendo por gente detém lógica tão simples que nem carece de um gráfico: se viver já é tão duro e estou eu fazendo tudo direitinho, eu não preciso de punições do cosmos. Meu medo é que na hora de retirar minhas benéfices lá no guichê dos que crêem no trabalho e no amor, a mocinha aqui, munida de sua guia comprobatória de anos de construção/ação/investimento/coragem, seja supreendida por uns descontos de má-sorte graças às injustiças feitas ao mundo e a seus pares. Ser injustamente remunerada aquém do investimento, simplesmente por ter se valido de injustiças para tomar mais do que lhe era de direito.
(...)
Sempre lembro de duas pessoas muitos amadas, um amigo e um ex-companheiro, responsáveis por iluminar minha mente em momentos de desespero e incapacidade de ação. O primeiro me lembrou apenas: Seus resultados serão sempre proporcionais a seus esforços. Essa frase simples foi a catapulta de coragem para a criação de meu solo, unicamente porque me livrei dos fantasmas de que não era habilitada para fazer aquilo (...e 5 anos estudando teatro na Universidade foi pra quê, maluca?) e da obrigação de um resultado genial.
Já o segundo moço - pessoa que considero de sucesso por dentro e por fora - fazia ecoar em nossa casa a máxima: Eu só quero o que é meu. Nem mais, nem menos. Mas apenas o dele por direito. (...) Libertador assim...
Aí que retorno à Iemanjá; eu sempre a saúdo quando entro no mar, quando vira o ano, no seu dia... E peço trocentas mil desculpas quando furo com ela e, se for o caso, mesmo com meses de atraso eu a cumprimento pela data festiva perdida. Agradeço, pergunto, me equilibro. E peço. Muitas coisas... Cada vez com mais cuidado, porque ela é moça danada e me deu absolutamente tudo que pedi. Ainda que seja um ato totalmente haribô por essência, entendo essa potência muito menos como que uma ação mágica a mudar meu destino do que se poderia pensar de início; a clara sensação que tenho é que a mistura de grandeza, água, sal e movimento me desanuvia o pensamento e me faz enxergar o melhor caminho que já está aqui dentro mas ainda não conseguia acessar. E isso já basta.
(Quando morava na Pituba perdi as contas das vezes que peguei o ônibus que passava pela orla simplesmente para dar um alô para a moça e me reestruturar internamente...)
É por isso que daqui a pouco vou ali cumprimentá-la. Mais do que pela festa, as pessoas, a bagunça: por ela. Porque lhe devo um monte de respostas encontradas. (Dicas de melhor aproveitamento de minha matéria mais secreta, aquela alocada no fundo de minhas profundezas e içada à superfície num golpe de clareza da mente.) Devo isso a ela e não posso deixar de lhe dizer. A gratidão é outra dessas lógicas que tenho aprendido e rendido homenagens a cada novo dia.
Vou ali pedir a benção e me iluminar por dentro por mais um período. E aí que lembro de um outro homem muito importante na minha vida, a me dizer num momento de profunda confusão: Todas as soluções estão aí dentro, basta encontrá-las. Mas somente quando cessam as perguntas é que as respostas se apresentam.
Odoyá!
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Da série VADE MECUM: Isabela
Meu procedimentos????
Ok; ei-los:
Ok; ei-los:
- Olhos pintados
- Protetor solar
- Contas em dia
- Vocabulário rico
- Cabelos hidratados
- Unhas-sem-fazer
- Boa comida
- Nunca mais de 4 cores combinadas!
- Vinho ou cerveja
- Correios
- Os mesmos cds para todo o sempre amém
- Camisinha(s)
- Sorriso
- Pouca tolerância ao medo de não posar bem na foto
- Exposição. Muita, aos borbotões...
Da série DEVANEIOS NA MADRUGADA: In vino veritas
O vinho ajuda, sabe... Mas não é ele. Nem meu horóscopo com ares de BigBrother que antevê pensamentos e ações secretas. Talvez seja o tempo, os novos tempos, o cansaço. O fato é que inventei de viver melhor e inauguro amanhã o melhor de todos os períodos de toda a minha vida. Não caibo em mim de ansiedade boa, dessas que apenas brilham os olhos mas pouco afetam o estômago.
(...)
Fiquei solteira e solitária longos períodos. Mas agora estar só ganha ares de maturidade boa, como as que eu via nos filmes importados de outros tempos. Vivi para chegar aqui, e tenho que me repetir isso quando invento de ter medo do que eu mesma decidi ser. Maluca, sim. Por quê não, afinal?
(...)
Comer, beber, dormir, estudar, arrumar, mudar, correr, suar, dançar, viçar, trabalhar, organizar, organizar, organizar, rever, reestruturar, instaurar, mudar, abandonar, esclarecer, plantar, pagar, dormir. Viver 2011, afinal, que já está mais pra pré-adolescente que recém-nascido, ora pois!
(...)
"Sim; o SOl é umA EstrelA!" - obrigada amigo lindo por me mostrar isso.
(...)
Se eu não morar em Paris pelo menos 5 meses antes de morrer, eu vou ficar puxando o pé de cada um dos franceses até o fim dos tempos do homem na Terra, ok?! Estamos conversados, né, Monsieur Destino?! Ah, bom...
(...)
Eu amei muito o meninoqueaindanãoaprendeuacuidardesi, mas eu estava mesmo com saudade de mim, assim, errada mesmo, sabe? Boa noite para nós, por fim!
(...)
Minha casa está cheia de fotos de mim, agora. Veja só que beleza!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Da série MENSAGENS NA GARRAFA: Reviravoltas, revira e voltas
Aí que foi encontro desses de importância tamanha que muda o rumo da Mocinha na história. Como reviravolta bem pensada pelo roteirista engenhoso, o que parecia reles cruzamento de desejos se transforma em uma longa série de eventos, com direito a muitas cenas. Segredos na mesa, mistura de quereres, desequilíbrios de energias, chaves mágicas que abrem portas para intimidade... estava tudo ali. Por mais improvável que parecesse, os espectadores rapidamente notaram que se tratava de um personagem desses essenciais para a trama andar.
E, giro, salto, grito, parece que era sina desses dois terminar seguindo em linhas não-paralelas, não-perpendiculares, não-harmônicas... seguimento de reta que invade o umbigo e termina em um ponto de interrogação: para onde seguir agora?
A única certeza é que, apesar do que tenha dito em momentos de sangue nos olhos, a Mocinha sabe bem que esse encontro valeu a pena. Em muitos, muitos, muitos momentos, foi esse encontro que fez tudo fazer um pouco mais de sentido à sua volta.
E ela queria muito dizer isso de uma maneira tranquila, em um tom de voz que se fizesse escutar, sem mágoa, sem pressa, sem peso nas palavras que nada mais são que uma declaração de amor. No passado, presente ou futuro, pouco importa: mas carinho de verdade, daqueles de antigamente, que não se desfazem num lampejo de raiva e nem se alquebram na primeira sacudida mais forte.
Se valendo de tudo o de melhor que traz no peito, ela senta e pacientemente espera; pressente pouco ansiosa o bom momento de fazer ecoar nos ouvidos do moço-bonito essas palavras que guarda como um pequeno tesouro.
E respira...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Da série DESENLACES: Que venha o novo ano!
Pesou! Cansei! Não quero mais nada com esse formato, com essa cor, esse incômodo, esse cheiro, essa textura. Nada, nada, nada.
Demorou, mas terminou. Com amor, um beijo.
(Ai, enfim, o fim!)
Me larga, 2010!!!!
Demorou, mas terminou. Com amor, um beijo.
(Ai, enfim, o fim!)
Me larga, 2010!!!!
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Da série ORGANIZAÇÕES: Clarice
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Da série DESENLACES: 2010
Sabe nesses dias que um satélite alinha com uma estrela e entra em conjuntura com o sol que a gente traz nos olhos e tudo de uma vez só tudo mesmo clama por ser resolvido? Como num golpe firme de sabre que decapita o inimigo; ZÁS! E eis que tombam no chão os conflitos pequenos que fazem a poesia escorrer entre os dedos e por mais que você se debruce aflita sobre o ralo nada mais do tempo perdido há de retornar?
(...)
Sabe isso?...
(...)
(...)
Pois bem, que peito em flor, margaridas no lugar de cada certeza, ventos fortes por dentro, como naquelas frestas mágicas que revelam um vendaval no momento seguinte a abrir uma porta de saída eu me vejo assim. Confusa (começando no grave e terminando no agudo-agudo-agudo....)
E, ai, eu quase esqueci(!), mas preciso dizer isso antes que vire um cravo na ponta do meu nariz ou uma espinha atravessada na minha garganta: odeio quem sempre escolhe as respostas certas, os únicos bons ângulos de beleza, somente o correto, o coerente, o belo. Embuste, falsidade, hipocrisia. Me dá vontade de dar-lhes tapinhas no ombro e lembrar que a vida é curta e que todo mundo percebe que é apenas uma jóia de mentirinha encontrada no fundo do pacote de doces.
(Não,amigos, isso não é indireta a nenhum de vocês....)
Sim, sim, sim.... o tempo disparou na minha frente e corro louca atrás dele, gritando peloamordeDeusvoltaporqueeuteamoeprecisodevocêcomoninguémjamaisprecisou!!!!!
(...)
Mas quem poderia acreditar numa frase tão melodramática?
Eu no lugar dele, não voltaria, na boa... E você?
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