JARDIM DOS ENCONTROS
Lugar de encontrar palavras, devaneios, imagens e sonhos plantados a esmo.

domingo, 21 de agosto de 2011

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Brasa nos pés

O desejo de me encontrar é tanto que sinto receio em escrever. Temo abrir a porta e sentir as palavras saírem em fúria, loucos ventos derrubando tudo o que havia de certeza até ontem, palavras preenchendo a tranquilidade dos dias. 
Sim. Eu sinto medo. 
Mas é tanto medo que não permite nem que eu fique em silêncio, nem que eu pare um segundo, nem que eu me lance sobre a lâmina. É medo tamanho que modifica a estrutura do corpo e é preciso mudar de posição de novo e de novo e de novo pra se ajustar a ele. 
Medo que é brasa nos pés, calo entre os dedos, afta no céu da boca, queimadura na pele, bolhas nas mãos.
Coisa que não se permite ignorar. Terror que GRITA - porque o silêncio é sua morte e isso ele não permite. Tem-se de modificar o olhar, alterar os cheiros, mudar a cor dos dias para mais claro ou verde ou opaco, depende do humor.
(...)
Ai. A vontade de dormir retorna e já não me lembro sequer onde fica o quarto de cortinas pesadas para meus olhos acalmarem. E desta vez, deste lado, não há tranquilizações ou cafunés ou histórias contadas para empurrar porta afora o eco da noite que por vezes dá paúra de verdade. Desta vez é jogo de menina-crescida e só há a mão direita pra a apertar a esquerda e vice versa. Sabe isso?
A brincadeira foi ficando mais séria e em algum momento deixou de ser divertida, ora pois. Eu não queria nada disso, talvez seja a mais simples verdade.
(...)
Eu não queria ceder às palavras, senhor, eu tinha te dito antes, não? 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Da série MENSAGENS PELO CAMINHO: Dicas para viajantes

Convivendo com pessoas diferentes, com pensamentos diferentes, estilos de vida diferentes, empregos diferentes eu tenho que me cuidar pra não entrar em parafuso.


Como eu escolhi viver, afinal, foi baseado em quê? Como decidi por essa vida? Eu não sou do tipo 'que é levado', definitivamente.


Cinco minutos de conversa deixam isso bem claro para qualquer um.


Mas aí, limpando meu computadorzinho não-super-powerful, organizando minhas coisas não-mega-hi, tirando meus sapatos não-super-fashions, eu me bati com esse gráfico que adoro:


E lembrei: eu escolhi esta vida porque eu POSSO ter esta vida. Diferente assim, arriscada assim, divertida assim, mais simples e honesta assim.


Isabela, me amo!


E tenho dito.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Da série GRANDES SEGREDOS DA HUMANIDADE: No, thanks

Em algum momento perdido no Tempo&Espaço eu aprendi a reconhecer quando o problema é comigo e quando é com o outro.

Eu de fato me esforço pra não levar pra casa o que não é meu. Se a maluquice/preconceito/babaquice/medo/baixa-estima é do outro, eu não pego pra mim não. "Muito obrigada, mesmo, mas não quero."

Se me perguntar se isso dá certo eu vou responder: 'quase sempre'. 
Se me perguntar como faz eu vou dizer: 'não faço ideia'.
Se me perguntar por onde começar eu direi: 'cuidando de você'.

Ninguém pode cuidar mais do outro do que de si. Isso começa por você. 'A máscara primeiro em você, e depois na criança', diz a sábia filosofia dos planos de emergência aéreos.

(...)

Em algum ponto importante do Tempo&Espaço eu entendi mais ou menos quem sou, o que eu posso, o que eu quero. O resto não é comigo não, na moral.

Circulando em terras estranhas é muito importante entender bem isso. Depois eu desenvolvo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Tá tudo explodindo.
Do teto ao chão.
Cansa.
E isso é chato.
Eu estou com raiva de ter sentido tanto.
E isso é frustrante.
Mas vou admitir, assim que as coisas passarem, que eu nunca nem me importei tanto assim.
(Essa defesa do estado das coisas é mais uma defesa de minhas coisas.)
Vícios de conquistadores.
Eu nem quero mais essas coisas assim.
E isso já faz tempo, na verdade.
Eu queria ter sido a dona da palavra, talvez.
Simples assim.
Boa noite, Isabela

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Da série GRANDES QUESTÕES DA HUMANIDADE: Ser-se quem se é

Eu acho tão bonito gente que come pouco.
Acho bonito gente que fala baixo,
bonito gente magra,
acho lindo cabelos lisos, muito pretos e muito pesados,
acho lindo gente tranquila, que escuta todo mundo e sorri sempre,
e gosto de verdade pessoas que amam a tranquilidade da rotina.
É lindo também gente calma, que não xinga nem se descabela,
admiro quem aprendeu cedo a ficar em silêncio,
e adoro cores leves na voz, sutileza, doçura.
Adoro mesmo, mesmo, mesmo.
Mas meu lado feminino é tão masculino, tão pragmático, tão pouco sutil. Eu tenho a mão pesada, ora bolas, porque em algum lugar troquei precisão por intensidade.
E, isso não é segredo: eu posso ser muito, muito violenta. Acima do correto, acima do aceitável, acima do juridicamente inofensivo.
Eu costumo me perguntar onde eu aprendi essa violência toda. Movimento que parte, que rasga, que rompe. Me acarinho porque, graças a muitos esforços diários, eu a tenho canalizado para construir alguma coisa de positiva. Mas eu tenho medo disso que habita aqui, sinceramente.
Não tem sido simples nesses tempos de chuva. Uma pessoa mais cínica, mais provocativa, mais alheia ao meu bem-estar pode abrir uma caixinha de todas as mazelas de uma alminha aquebrantada que estão guardadas aqui. Logo eu, que posso ser tão vingativa. Ridiculamente, novelisticamente, pacientemente vinagativa...
Minha alma está se curando, está se reconfigurando, está exercitando os perdões.
Por favor, do not disturb.
Por favor, não bata à minha porta, não me chame para um conflitinho à toa só por capricho. Não chame, não chame. Porque tem dias que a gente pesa a mão e tudo vira pó no entorno.
(...)
Nos dias de tensão demais, como ontem, eu me entendo uma boa mulher porque tenho domado os impulsos mais pavorosos e colocado produtividade saudável no lugar deles. Mas meu corpo tem me punido, já disse, e eu simplesmente emano tanta energia retida que quebro coisas. Destruo coisas físicas, literamente: portas, aparelhos eletrônicos, meu carro, louças; ao meu toque é comum as coisas cederem à pressão e se partirem. E eu tenho aprendido a conviver inclusive com isso.
Logo eu que acho tão bonitas as pessoas que não dessarrumam nada por onde passam...
(...)
Já que muitas coisas se somaram nesses dias, era bom eu avisar ao universo a tempo de ele me ajudar: não quero ter que conviver com a vaidade de mais ninguém que caiu de para-quedas em minha existência.
Mande essas pessoas embora, por favor. Com seus semi-sorrisos, com seu cinismo, com sua competição, com seu beleza pré-editada.
Eu quero que a violência me abandone um pouco, e para isso eu preciso de sua ajuda, senhor.
E pra moça eu digo: vá embora, aqui em minha casa não há nada pra você levar.
É o que eu tenho pra hoje.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Eu não sei muito bem o que estou fazendo comigo não; mas consigo entender que é alguma coisa muito poderosa em termos de mudança.


Já vi esse filme antes. É jogo de gente grande mesmo.


Isabela-growing MODE ON.


Agora vou ali dormir no chão para ver até onde a minha veia fransiscana se sustenta. E bjo-Band!

domingo, 24 de julho de 2011

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Juramento

Pelo que se foi, eu te prometo: não irei mais ameaçar o silêncio.
(...)
E obrigada por ter me dado a chance de consertar isso a tempo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Da série SUSPIROS E SORRISOS: Prece de gratidão

Pois pense em uma pessoa leve!
(...)
Agradecendo em silêncio pela minha capacidade de ter amor pelas pessoas.
Obrigada Cosmos, mesmo e sempre, por estar cercada de amor de verdade.
Um alívio que não tem nem como medir. Ufa...

sábado, 16 de julho de 2011

Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Rotas de navegação

Por que eu me imponho tantos desafios se eu sei que sinto medo? E eu temo tantas coisas. Eu tenho medo de quebrar os dentes, de ficar só, de baratas, de mentiras internas, de enlouquecer, de engordar, de não entender, de entender mais do que todo mundo, de ficar doente demais e não poder me cuidar. É; sobretudo de não saber cuidar bem de mim. 
Eu sinto muito medo, muito medo de me abandonar...
Ai, como eu alimento lugares duros de enfrentar. E como eu me lanço justamente nos lugares mais nebulosos e mais difíceis para esta alminha aquebrantada aqui.
(...)
Então, por que eu faço isso? Porque tanta sanha de caminhar por onde não conheço? Por quê?
São todos os desafios que meus braços alcançam, sempre e toda vez. Escolho cada um deles. Cada sugestão de suores, cicatrizes, superação, tudo isso me atrai como um felino diante de sangue fresco. (Saudações póstumas aos meus ancestrais desbravadores, que nem mesmo diante dos oceanos desconhecidos sugerindo a beira do mundo e uma queda infinita, temeram a imensidão do desafio de se reconhecerem num universo inexplorado.)
Me forjei a ferro quente, e amo os cortes profundos porque suas marcas servem de lembrete de minha força. Guerreira em algum lugar, sim, mas aprisionada em sonhos menores do que uma casa de bonecas branca e rosa.
O que temer então, se não me amedronta nem a perspectiva de perder partes do que sou?
Eu sou viciada em me superar, em me desfazer e recriar. Continuidade não é o meu forte, só se for na insistência da necessidade do salto. Moto-contínuo de testes, loopings, quedas, lançamentos, exaustões. Não aprendi a ficar em um só lugar e tampouco prestei atenção às lições de vôo. Minhas cartas de navegação são somente coisas coloridas, retas embaralhadas de expectativas e desejo. Estrela que reflete o mar que reflete a estrela. Me perder na escrita e na ação.
Quantas vezes a gente também não se comporta como coelhos, pegando caminhos que nos levam a lugar nenhum apenas por dar ouvidos demais à gente que está do lado de fora do nosso jogo?
O que eu quero afinal? O que temer, enfim? E, diabos!, para onde estou indo com esta certeza quase febril? Aonde?
Talvez mais do que a nova morte, eu tema a perspectiva de me perder de mim mesma. Talvez seja isso que vem gerando tanta e tanta água em meus pensamentos...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Da série LEMBRANÇAS PODEROSAS: Arrumações internas

Remexendo meus arquivos de coisas sobre Fragmentos, por ocasião da apresentação de meu solo Cartografia de um Relevo Interno na faculdade de Teatro da UFS (SE), eu cheguei a este poeminha, enviado por um amigo amado como resposta à pergunta que martelava minha cabeça na época da montagem: o que é essencial levar em uma viagem de auto-conhecimento.

E, Fabão, meu conhecedor de longa data, que já me viu em tantas e tantas formatações, lançou mão de sua singeleza toda.

(...)

Em tempos de dolorosas mudanças, de abandonos forçados e de peito em espiral louca, essas palavras me pareceram tão atuais de novo...


Presentes para uma viagem

Deixar o que se é pra deixar
Levar o que se é pra levar. Dispensar o inútil e guardar o necessário. 
Afinal de contas é preciso que não falte mas é fundamental ter espaço para o que vem. Quero comigo uma bagagem que possa carregar sem sofrimento. 
Quero agilidade para me movimentar. Quero leveza.

Isso, amigo. Para meu bem, preciso de toda leveza que eu puder suportar agora.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ai, que a única coisa que meu corpo diz é palpitação, intranquilidade, loucura, demência, saudade, necessidade, vontade, querência, transtorno, vazio, angústia...


Ai, que serão dias difíceis.


Ai, que eu quero que essa tristeza nunca tivesse existido.


Ai, que eu queria que os tempos de subida voltassem agorinha mesmo.


Ai, que se nada desse certo, eu queria ir dormir e quando acordasse tivesse passado.


Ai... tá doendo! Merda, tá doendo muito. Passa, passa, passa, desespero.

domingo, 3 de julho de 2011

DA SÉRIE CONFISSÃO E LOUCURA: Queda em parafuso

Depois de um ano e meio de muito crescimento, conflitos e um querer que ainda me engole, abandono agora o lugar que vínhamos tentando construir.


O que dizer?


(...)


(...)


Só ficaram lágrimas por enquanto. Simples assim, doloroso assim, desnorteador assim. Porque eu amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo.... e queria que fosse tudo de um outro jeito. Mas...


Merda pra nós!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tem uma coisa que o tempo nos ensina: a respirar.
Não adianta, se você deseja algo, gritar para acelerar, se jogar no chão para impedir. Tem coisas que simplesmente são.

Com o amor é engraçado: fingir que se saiu dele quando ele ainda está em si é perda de tempo. Das maiores, mais graves e mais sofridas. Tem que esperar ele ir (se é que um dia ele vai mesmo de todo....)

Aprendi a ficar enquanto é importante. E respiro. Tenho aprendido a respirar profundamente...

O problema é quando o outro nos coloca em sobressalto por algum motivo, de maneira corrente e irrecorrível. Só para nos ver engasgar com a pobre tranquilidade consquistada a duras penas.


domingo, 19 de junho de 2011

Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Lobo em pele de carneiro

Eu sou difícil. Sim. E sou uma pessoa difícil. Mas posso ser difííííííííííííííícil como poucas, com vogais sofridas que se repetem ad infinitum.

Mas (porque em se tratando de confissões é sempre bom ter um 'mas'), eu sei ser uma fofa. Transtornantemente agradável. A rainha da festa, a alegria dos convidados, a mais gentil, a mais doce, a mais atenciosa, a mais engraçada, a mais delicada, a mais solícita. Se eu escolher ligar o meu botão da doçura, os incautos não poderão resistir. As palavras são sempre as certas, as entonações as mais adequadas, os elogios corretamente dimensionados. Tu-di-nho no lugar.

(...)

Em momentos assim desconfie. Desconfie severamente - é a minha única advertência. Porque me vestir com as peles mais palatáveis do guarda-roupa é uma declaração de desconforto de minha parte. A velha técnica de me prémoldar ao contexto para que não me desejem moldar de fora pra dentro. Por medo de ser modificada por coisas nas quais não acredito, não aposto, não gosto eu me disfarço de igual. Para não deixar de ser diferente.


Somente aos amigos, aos bem-vindos, aos amados eu apresento minhas vísceras. Desagradáveis, pulsantes e irremediavelmente sinceras. Somente para vocês, amigos, eu mostro meu avesso.


Aos demais, meu melhor sorriso, piadas pré-fabricadas, entonações perfeitas, desempenho impecável. Nada de conversas para além da cena. Nada de beijinhos trocados no camarim ou cabelos molhados à saída da apresentação. Nada. Somente a distância da admiração controlada.


Pois somente aos que não amo é que eu reservo os cortes da Isabela hermeticamente bem embalada. Por isso eu peço: aceite meu sangue e ossos e peles e nervos como a mais sincera das declarações de amizade. Porque é isso que de fato eu sou.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Da série SOLTEM OS FOGOS: Mais um

Pronto que defendi meu mestrado ontem e virei MESTRA! 

Nem entendo muito bem o que fazer com essa situação, mas sei que é bom, que estou mais leve, que me liberei com êxito de um compromisso importante, que não posso parar e que tenho reunião daqui a pouco sobre outros assuntos.

Tô bem feliz, porque foi o melhor que poderia ser, cheio de amigos, banca generosa, artistas colaboradores lindos e tudo curtido com prazer.

Eia! Que venham os novos vales de caminhada.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Cassandra, Morfeu, Isabela

Eu tenho um pouco de medo das coisas que eu digo. E, mais ainda; há coisas que enquanto eu as estou dizendo eu já recebo um 'informe mental' me dizendo que terei de desdizê-las em seguida. Como se minhas profecias fossem impronunciáveis, bastando afirmá-las para elas se desfazerem.

(É fogo quando se tem pessoas queridas por perto, com quem você deseja partilhar as coisas, segredos, descobertas, planos, sensações, mas não pode porque sabe que essas mesmas coisas irão se desfazer no momento em que você as pega com os dedos para mostrar ao outro. Vidências feitas de bolha de sabão; assim são as minhas.)

E tenho uma droga de intuição lascada de forte, ou de leitura do ambiente, ou do que quer que seja. E sei, de olhar para alguém que amo, quando perdi a pessoa. Quando errei em algum lugar. O 'x' é que nunca sei qual é exatamente 'o' lugar, mas sempre sei se algo partiu.

Mas, novidade da semana, agora meus sonhos (aqueles mesmo que semana passada eu afirmava que nada me diziam) me mandaram um recado hoje. Uma mulher me enviava uma carta em sonho. Na hora não consegui ler o conteúdo, mas sabia bem a função daqueles escritos: eram um guia de leitura para uma situação, por assim dizer. 

Eu o aceitei, o entendi, mas  de nada me serve. Simplesmente não posso compartilhar aquelas informações com mais ninguém. Afinal, foi recado enviado na forma de sonho, e ninguém vai pra frente de um Juiz dizer: "Ô, Meretíssimo, a minha testemunha ocular neste processo é Morfeu." Simplesmente não pode.

Aí eu tenho vontade de bater a cabeça na parede, porque eu já sei, já senti, já entendi, mas sem as tais 'provas' concretas a gente não tem direito nem mesmo a pedir abertura de discussão. Só que minha experiência já me mostrou inúmeras vezes determinadas situações, e só pela aparência dos sujeitos envolvidos eu já reconheço o roteiro inteiro.

No meu roteiro há um Deus, uma carta, uma mulher que vai partir, muitos sentimentos, e algumas ausências significativas. Palavras que não vêm e deixam crateras abertas no peito da gente. Mas (essa é a parte mais dura) há algumas pessoas do lado de fora do lar do herói, sem rosto, mas bem, bem visíveis. Eu já sei o que vai acontecer com os personagens, eu sei. Mas não adianta de nada eu contar para o espectador da poltrona ao lado, porque ele insiste em deixar o filme correr para ver, pelos seus próprios olhos, o final trágico.

(...)

Como nos mitos gregos, os arquétipos nunca mudam. E as tramas se sucedem, iguaizinhas, desde que o mundo é mundo. Mas os outros espectadores precisam viver sua própria catarse. Através do meu Drama, o que é pior.

Então que venham o sangue, o choro, o grito, a força, o furacão, a tristeza, a avalanche, as precipitações trágicas todas. A mim, silenciosa Cassandra que virei, só resta me recolher junto a minha vidência.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Expandir e retrair

Tem horas, tem dias, tem suspiros que fazem a alma entender o tamanho de tudo. A imensidão do mundo, o inalcancável desse estar aqui.

Loucura lourcura loucura. Mas nada de loucura sonora, de sandices coloridas, nada de leveza. Dureza, isso sim. A alma enlouquece de tentar se expandir e chegar pelo menos perto da beirinha desse todo. Ela tenta, mas não chega nem no início do caminho.

Aí que ela se retrai, e dói tanto que a vontade é de cuspi-la boca afora.

(...)

Sabe isso? Pois me sinto assim neste exato momento em que te escrevo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Queimei os antigos navios. 


E que venham os novos mares de certeza e calor!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Vinte&oito

Assim... amanhã eu faço uma década de maioridade. Isso é coisa pra caramba, especialmente para mim, mocinha que detesta envelhecer. Lembro da agonia de ver o tempo me comendo ainda aos 20 anos. Como uma coisa que se embolora pela simples passagem dos dias, e nada pode ser feito diante disso, eu me sinto carcomida por um fluxo contínuo e incontrolável.

E, sabe.. eu não estou nem um pouco feliz com onde estou neste momento. Quase que detesto o entorno. E nisso eu me sinto sozinha entre os meus, ao semi-lado do mocinho-bonito-por-quem-inventei-de-me-encantar, com a família, quando encaro meu silêncio... Ruim. Ruim. Ruim. Ruim...  Verdade seja dita: me sinto amada em inúmeros momentos, mas desesperadamente perdida. É de se contar nos dedos quem consegue escutar, simplesmente escutar, o que eu digo, sem tentar me dar rápidas soluções pré-prontas para minha ladainha não incomodar os ouvidos. E quando isso ocorre o amor vira placebo vagabundo, que dispenso sem pensar duas vezes.

E é nesses instantes que mais me sinto velha, engolida pelo fluxo a me arrastar para muito longe das possibilidades de mudança. Sinceramente injustiçada pela falta de escuta, pela falta de amor prático, pragmático, que não é só lamber o pêlo como igualmente ensinar a ficar de pé. Aprendi a amar desse jeito; de maneira concreta, por assim dizer.  E me dou o direito de me doer de-com-força e sem pudores, porque não sou nem das que mais reclamam, nem das que se amuam por tudo, muito menos das que não agem... Eu afirmo tantos lugares que simplesmente não entendo a falta de paciência quando me interrogo. 

Talvez seja isso... Confusão de pontuação.

A agonia é notar que, por desgosto, vou me fechando em meus problemas. Não vou mesmo deixar de me dar ao outro, de escutar, de me fazer presente, de ajudar pragmaticamente como eu aprendi mas estou certa de que minhas dores são meus segredos, visualmente desinteressantes aos amigos/amados/parceiros/torcedores-em-geral de minha vida. Eles me gostam inteira, em pleno funcionamento, forte e competente, porque assim se acostumaram a me ver; mas, merda, eu não sou sempre assim!

Pois, é isso. Por dentro, algumas certezas e satisfações íntimas de ter encontrado formatações adequadas a meu bem-sentir. No lado de fora, um sorriso firme, para que me deixem em paz em minha falta de brilho. E, frise-se: sorriso em silêncio, porque já deu tempo de entender que esse barulho não se faz audível o suficiente nesses dias tão ruidosos em que estamos todos imersos.

Feliz ano novo pra mim, afinal.