Pelo que se foi, eu te prometo: não irei mais ameaçar o silêncio.
(...)
E obrigada por ter me dado a chance de consertar isso a tempo.
domingo, 24 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
Da série SUSPIROS E SORRISOS: Prece de gratidão
Pois pense em uma pessoa leve!
(...)
Agradecendo em silêncio pela minha capacidade de ter amor pelas pessoas.
Obrigada Cosmos, mesmo e sempre, por estar cercada de amor de verdade.
Um alívio que não tem nem como medir. Ufa...
(...)
Agradecendo em silêncio pela minha capacidade de ter amor pelas pessoas.
Obrigada Cosmos, mesmo e sempre, por estar cercada de amor de verdade.
Um alívio que não tem nem como medir. Ufa...
sábado, 16 de julho de 2011
Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Rotas de navegação
Por que eu me imponho tantos desafios se eu sei que sinto medo? E eu temo tantas coisas. Eu tenho medo de quebrar os dentes, de ficar só, de baratas, de mentiras internas, de enlouquecer, de engordar, de não entender, de entender mais do que todo mundo, de ficar doente demais e não poder me cuidar. É; sobretudo de não saber cuidar bem de mim.
Eu sinto muito medo, muito medo de me abandonar...
Ai, como eu alimento lugares duros de enfrentar. E como eu me lanço justamente nos lugares mais nebulosos e mais difíceis para esta alminha aquebrantada aqui.
(...)
Então, por que eu faço isso? Porque tanta sanha de caminhar por onde não conheço? Por quê?
São todos os desafios que meus braços alcançam, sempre e toda vez. Escolho cada um deles. Cada sugestão de suores, cicatrizes, superação, tudo isso me atrai como um felino diante de sangue fresco. (Saudações póstumas aos meus ancestrais desbravadores, que nem mesmo diante dos oceanos desconhecidos sugerindo a beira do mundo e uma queda infinita, temeram a imensidão do desafio de se reconhecerem num universo inexplorado.)
Me forjei a ferro quente, e amo os cortes profundos porque suas marcas servem de lembrete de minha força. Guerreira em algum lugar, sim, mas aprisionada em sonhos menores do que uma casa de bonecas branca e rosa.
O que temer então, se não me amedronta nem a perspectiva de perder partes do que sou?
Eu sou viciada em me superar, em me desfazer e recriar. Continuidade não é o meu forte, só se for na insistência da necessidade do salto. Moto-contínuo de testes, loopings, quedas, lançamentos, exaustões. Não aprendi a ficar em um só lugar e tampouco prestei atenção às lições de vôo. Minhas cartas de navegação são somente coisas coloridas, retas embaralhadas de expectativas e desejo. Estrela que reflete o mar que reflete a estrela. Me perder na escrita e na ação.
Quantas vezes a gente também não se comporta como coelhos, pegando caminhos que nos levam a lugar nenhum apenas por dar ouvidos demais à gente que está do lado de fora do nosso jogo?
O que eu quero afinal? O que temer, enfim? E, diabos!, para onde estou indo com esta certeza quase febril? Aonde?
Talvez mais do que a nova morte, eu tema a perspectiva de me perder de mim mesma. Talvez seja isso que vem gerando tanta e tanta água em meus pensamentos...
sexta-feira, 15 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Da série LEMBRANÇAS PODEROSAS: Arrumações internas
Remexendo meus arquivos de coisas sobre Fragmentos, por ocasião da apresentação de meu solo Cartografia de um Relevo Interno na faculdade de Teatro da UFS (SE), eu cheguei a este poeminha, enviado por um amigo amado como resposta à pergunta que martelava minha cabeça na época da montagem: o que é essencial levar em uma viagem de auto-conhecimento.
E, Fabão, meu conhecedor de longa data, que já me viu em tantas e tantas formatações, lançou mão de sua singeleza toda.
(...)
Em tempos de dolorosas mudanças, de abandonos forçados e de peito em espiral louca, essas palavras me pareceram tão atuais de novo...
Presentes para uma viagem
Deixar o que se é pra deixar
Levar o que se é pra levar. Dispensar o inútil e guardar o necessário. Afinal de contas é preciso que não falte mas é fundamental ter espaço para o que vem. Quero comigo uma bagagem que possa carregar sem sofrimento.
Quero agilidade para me movimentar. Quero leveza.
Isso, amigo. Para meu bem, preciso de toda leveza que eu puder suportar agora.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Ai, que a única coisa que meu corpo diz é palpitação, intranquilidade, loucura, demência, saudade, necessidade, vontade, querência, transtorno, vazio, angústia...
Ai, que serão dias difíceis.
Ai, que eu quero que essa tristeza nunca tivesse existido.
Ai, que eu queria que os tempos de subida voltassem agorinha mesmo.
Ai, que se nada desse certo, eu queria ir dormir e quando acordasse tivesse passado.
Ai... tá doendo! Merda, tá doendo muito. Passa, passa, passa, desespero.
Ai, que serão dias difíceis.
Ai, que eu quero que essa tristeza nunca tivesse existido.
Ai, que eu queria que os tempos de subida voltassem agorinha mesmo.
Ai, que se nada desse certo, eu queria ir dormir e quando acordasse tivesse passado.
Ai... tá doendo! Merda, tá doendo muito. Passa, passa, passa, desespero.
domingo, 3 de julho de 2011
DA SÉRIE CONFISSÃO E LOUCURA: Queda em parafuso
Depois de um ano e meio de muito crescimento, conflitos e um querer que ainda me engole, abandono agora o lugar que vínhamos tentando construir.
O que dizer?
(...)
(...)
Só ficaram lágrimas por enquanto. Simples assim, doloroso assim, desnorteador assim. Porque eu amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo.... e queria que fosse tudo de um outro jeito. Mas...
Merda pra nós!
O que dizer?
(...)
(...)
Só ficaram lágrimas por enquanto. Simples assim, doloroso assim, desnorteador assim. Porque eu amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo.... e queria que fosse tudo de um outro jeito. Mas...
Merda pra nós!
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Tem uma coisa que o tempo nos ensina: a respirar.
Não adianta, se você deseja algo, gritar para acelerar, se jogar no chão para impedir. Tem coisas que simplesmente são.
Com o amor é engraçado: fingir que se saiu dele quando ele ainda está em si é perda de tempo. Das maiores, mais graves e mais sofridas. Tem que esperar ele ir (se é que um dia ele vai mesmo de todo....)
Aprendi a ficar enquanto é importante. E respiro. Tenho aprendido a respirar profundamente...
O problema é quando o outro nos coloca em sobressalto por algum motivo, de maneira corrente e irrecorrível. Só para nos ver engasgar com a pobre tranquilidade consquistada a duras penas.
domingo, 19 de junho de 2011
Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Lobo em pele de carneiro
Eu sou difícil. Sim. E sou uma pessoa difícil. Mas posso ser difííííííííííííííícil como poucas, com vogais sofridas que se repetem ad infinitum.
Mas (porque em se tratando de confissões é sempre bom ter um 'mas'), eu sei ser uma fofa. Transtornantemente agradável. A rainha da festa, a alegria dos convidados, a mais gentil, a mais doce, a mais atenciosa, a mais engraçada, a mais delicada, a mais solícita. Se eu escolher ligar o meu botão da doçura, os incautos não poderão resistir. As palavras são sempre as certas, as entonações as mais adequadas, os elogios corretamente dimensionados. Tu-di-nho no lugar.
(...)
Em momentos assim desconfie. Desconfie severamente - é a minha única advertência. Porque me vestir com as peles mais palatáveis do guarda-roupa é uma declaração de desconforto de minha parte. A velha técnica de me prémoldar ao contexto para que não me desejem moldar de fora pra dentro. Por medo de ser modificada por coisas nas quais não acredito, não aposto, não gosto eu me disfarço de igual. Para não deixar de ser diferente.
Somente aos amigos, aos bem-vindos, aos amados eu apresento minhas vísceras. Desagradáveis, pulsantes e irremediavelmente sinceras. Somente para vocês, amigos, eu mostro meu avesso.
Aos demais, meu melhor sorriso, piadas pré-fabricadas, entonações perfeitas, desempenho impecável. Nada de conversas para além da cena. Nada de beijinhos trocados no camarim ou cabelos molhados à saída da apresentação. Nada. Somente a distância da admiração controlada.
Pois somente aos que não amo é que eu reservo os cortes da Isabela hermeticamente bem embalada. Por isso eu peço: aceite meu sangue e ossos e peles e nervos como a mais sincera das declarações de amizade. Porque é isso que de fato eu sou.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Da série SOLTEM OS FOGOS: Mais um
Pronto que defendi meu mestrado ontem e virei MESTRA!
Nem entendo muito bem o que fazer com essa situação, mas sei que é bom, que estou mais leve, que me liberei com êxito de um compromisso importante, que não posso parar e que tenho reunião daqui a pouco sobre outros assuntos.
Tô bem feliz, porque foi o melhor que poderia ser, cheio de amigos, banca generosa, artistas colaboradores lindos e tudo curtido com prazer.
Eia! Que venham os novos vales de caminhada.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Cassandra, Morfeu, Isabela
Eu tenho um pouco de medo das coisas que eu digo. E, mais ainda; há coisas que enquanto eu as estou dizendo eu já recebo um 'informe mental' me dizendo que terei de desdizê-las em seguida. Como se minhas profecias fossem impronunciáveis, bastando afirmá-las para elas se desfazerem.
(É fogo quando se tem pessoas queridas por perto, com quem você deseja partilhar as coisas, segredos, descobertas, planos, sensações, mas não pode porque sabe que essas mesmas coisas irão se desfazer no momento em que você as pega com os dedos para mostrar ao outro. Vidências feitas de bolha de sabão; assim são as minhas.)
E tenho uma droga de intuição lascada de forte, ou de leitura do ambiente, ou do que quer que seja. E sei, de olhar para alguém que amo, quando perdi a pessoa. Quando errei em algum lugar. O 'x' é que nunca sei qual é exatamente 'o' lugar, mas sempre sei se algo partiu.
Mas, novidade da semana, agora meus sonhos (aqueles mesmo que semana passada eu afirmava que nada me diziam) me mandaram um recado hoje. Uma mulher me enviava uma carta em sonho. Na hora não consegui ler o conteúdo, mas sabia bem a função daqueles escritos: eram um guia de leitura para uma situação, por assim dizer.
Eu o aceitei, o entendi, mas de nada me serve. Simplesmente não posso compartilhar aquelas informações com mais ninguém. Afinal, foi recado enviado na forma de sonho, e ninguém vai pra frente de um Juiz dizer: "Ô, Meretíssimo, a minha testemunha ocular neste processo é Morfeu." Simplesmente não pode.
Aí eu tenho vontade de bater a cabeça na parede, porque eu já sei, já senti, já entendi, mas sem as tais 'provas' concretas a gente não tem direito nem mesmo a pedir abertura de discussão. Só que minha experiência já me mostrou inúmeras vezes determinadas situações, e só pela aparência dos sujeitos envolvidos eu já reconheço o roteiro inteiro.
No meu roteiro há um Deus, uma carta, uma mulher que vai partir, muitos sentimentos, e algumas ausências significativas. Palavras que não vêm e deixam crateras abertas no peito da gente. Mas (essa é a parte mais dura) há algumas pessoas do lado de fora do lar do herói, sem rosto, mas bem, bem visíveis. Eu já sei o que vai acontecer com os personagens, eu sei. Mas não adianta de nada eu contar para o espectador da poltrona ao lado, porque ele insiste em deixar o filme correr para ver, pelos seus próprios olhos, o final trágico.
(...)
Como nos mitos gregos, os arquétipos nunca mudam. E as tramas se sucedem, iguaizinhas, desde que o mundo é mundo. Mas os outros espectadores precisam viver sua própria catarse. Através do meu Drama, o que é pior.
Então que venham o sangue, o choro, o grito, a força, o furacão, a tristeza, a avalanche, as precipitações trágicas todas. A mim, silenciosa Cassandra que virei, só resta me recolher junto a minha vidência.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Expandir e retrair
Tem horas, tem dias, tem suspiros que fazem a alma entender o tamanho de tudo. A imensidão do mundo, o inalcancável desse estar aqui.
Loucura lourcura loucura. Mas nada de loucura sonora, de sandices coloridas, nada de leveza. Dureza, isso sim. A alma enlouquece de tentar se expandir e chegar pelo menos perto da beirinha desse todo. Ela tenta, mas não chega nem no início do caminho.
Aí que ela se retrai, e dói tanto que a vontade é de cuspi-la boca afora.
(...)
Sabe isso? Pois me sinto assim neste exato momento em que te escrevo.
Loucura lourcura loucura. Mas nada de loucura sonora, de sandices coloridas, nada de leveza. Dureza, isso sim. A alma enlouquece de tentar se expandir e chegar pelo menos perto da beirinha desse todo. Ela tenta, mas não chega nem no início do caminho.
Aí que ela se retrai, e dói tanto que a vontade é de cuspi-la boca afora.
(...)
Sabe isso? Pois me sinto assim neste exato momento em que te escrevo.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Vinte&oito
Assim... amanhã eu faço uma década de maioridade. Isso é coisa pra caramba, especialmente para mim, mocinha que detesta envelhecer. Lembro da agonia de ver o tempo me comendo ainda aos 20 anos. Como uma coisa que se embolora pela simples passagem dos dias, e nada pode ser feito diante disso, eu me sinto carcomida por um fluxo contínuo e incontrolável.
E, sabe.. eu não estou nem um pouco feliz com onde estou neste momento. Quase que detesto o entorno. E nisso eu me sinto sozinha entre os meus, ao semi-lado do mocinho-bonito-por-quem-inventei-de-me-encantar, com a família, quando encaro meu silêncio... Ruim. Ruim. Ruim. Ruim... Verdade seja dita: me sinto amada em inúmeros momentos, mas desesperadamente perdida. É de se contar nos dedos quem consegue escutar, simplesmente escutar, o que eu digo, sem tentar me dar rápidas soluções pré-prontas para minha ladainha não incomodar os ouvidos. E quando isso ocorre o amor vira placebo vagabundo, que dispenso sem pensar duas vezes.
E é nesses instantes que mais me sinto velha, engolida pelo fluxo a me arrastar para muito longe das possibilidades de mudança. Sinceramente injustiçada pela falta de escuta, pela falta de amor prático, pragmático, que não é só lamber o pêlo como igualmente ensinar a ficar de pé. Aprendi a amar desse jeito; de maneira concreta, por assim dizer. E me dou o direito de me doer de-com-força e sem pudores, porque não sou nem das que mais reclamam, nem das que se amuam por tudo, muito menos das que não agem... Eu afirmo tantos lugares que simplesmente não entendo a falta de paciência quando me interrogo.
Talvez seja isso... Confusão de pontuação.
A agonia é notar que, por desgosto, vou me fechando em meus problemas. Não vou mesmo deixar de me dar ao outro, de escutar, de me fazer presente, de ajudar pragmaticamente como eu aprendi mas estou certa de que minhas dores são meus segredos, visualmente desinteressantes aos amigos/amados/parceiros/torcedores-em-geral de minha vida. Eles me gostam inteira, em pleno funcionamento, forte e competente, porque assim se acostumaram a me ver; mas, merda, eu não sou sempre assim!
Pois, é isso. Por dentro, algumas certezas e satisfações íntimas de ter encontrado formatações adequadas a meu bem-sentir. No lado de fora, um sorriso firme, para que me deixem em paz em minha falta de brilho. E, frise-se: sorriso em silêncio, porque já deu tempo de entender que esse barulho não se faz audível o suficiente nesses dias tão ruidosos em que estamos todos imersos.
Feliz ano novo pra mim, afinal.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Da série ESCRITOS POÉTICOS: Mais de Ana Paula
VIAGEM
Preparei-te na pedra da casa / Asas do passaro Kalulu /Com pedaços de árvores destroçadas pelos raios / E resina quente. // Chamei a metade gémea do espírito / Para te passar remédios / Da cabeça até aos pés. // No fundo de meu corpo perfeito / Escondi / Pedaços de argila e feitiços fortes. // Em cada uma das doze cabaças da origem / Deitei o vinho dos votos / Um pano novo da costa / Três missangas azuis / E cera da colmeia menor / Todos os dias conservei aceso o fogo sagrado / Na hora dos fantasmas / O vento diz-me a tua voz / É a voz das viagens / Sem regresso.
ENTRE OS LAGOS
Esperei-te do nascer ao pôr do sol / E não vinhas, amado. // Mudaram de cor as tranças do meu cabelo / E não vinhas, amado. // Limpei a casa, o cercado / Fui enchendo de milho o silo maior do terreiro / Balancei ao vento a cabaça da amanteiga / E não vinhas, amado. // Chamei os bois pelo nome / Todos me responderam, amado. // Só tua voz se perdeu, amado, / Para lá da curva do rio / Depois da montanha sagrada / Entre os lagos.
Da série LEMBRANÇAS PODEROSAS: Ana Paula Tavares
Foi na época d'O Contêiner que me deparei com essa poeta. Ana Paula Tavares é angolana, e na nossa busca por referências para compor nossa África imagética e não-folclórica tão desejada, vasculhamos a produção de poetas africanos antigos e contemporâneos.
É importante que se diga: produz-se muita coisa linda & poderosa & forte naquele continente, tido por nós ainda como lugar muito distante desta terra brasilis. Entre tudo que lemos, a poesia Estrangeiro daquela poeta me marcou fundo; Buranga interpretando seus versos durante o espetáculo era para mim o momento mais emocionante da peça. Mais de uma vez eu chorei ouvindo aquelas palavras, que se misturavam em dado momento às palavras do próprio Buranga, ele mesmo um estrangeiro, exilado de sua terra por falta de opção.
Aquela forma de vazio total, da ausência completa de caminhos para dentro de casa, que invariavelmente lança para muito longe de tudo o que conhecemos como nosso.
Simplesmente lindo.
ESTRANGEIRO
Estrangeiro,
teus passos alargam o fosso
em volta do cercado da casa antiga
está aceso o fogo
nos sítios do costume
e tu moves-te por dentro do frio
estrangeiro,
o pano branco na tua cabeça
anuncia a morte
de minha alma gêmea
meu irmão meu noivo
o filho muito amado de sua mãe
o que portava no peito
o colar de missangas
e fios de meu cabelo
estrangeiro,
a tua voz
é um ruído surdo
um murmúrio atento
estrangeiro,
com a tua presença
a minha dança não correu
a manteiga passou
o leite cresceu azedo pelo chão
a vaca mansa de estrela na testa
não entrou no sambo
a bezerra pequena varreu a noite de gritos
estrangeiro
ontem não nasceu ninguém de ehumbo
e a lua estava alta e nova
o velho que sofre
não conseguiu morrer
estrangeiro,
afasta de mim
teus passos perdidos
e a maldição.
terça-feira, 15 de março de 2011
Da série SEGREDOS E SUSSURROS: Alucinações musicais
Palavras gritadas às vezes não param de ecoar dentro da gente, né?!
Se vem com os adicionais de fábrica 'raiva' e 'desejo de machucar' é quase impossível de se livrar de reverber tão pesado sem uns dias de duro sofrimento.
O pior é saber que não tem nem como voltar ao fornecedor e pedir-para-tirar-porque-ele-entendeu-errado-o-meu-pedido. Afinal, os idiomas têm sido outros e nem sei mais cadê meu dicionário.
(...)
Solução? Paciência com as alucinações sonoras instaladas dentro de minha cabeça. Hora dessas elas vão embora... pelo menos assim espero.
terça-feira, 8 de março de 2011
Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Para você
Eu te amo.
E você sabe disto.
E é muito difícil às vezes.
E você sabe.
E não sei o que fazer com o que sinto.
E você sabe.
E não depende de só um de nós.
E a gente já sabe.
E certamente seria melhor ficarmos separados daqui por diante.
E eu sei disso.
E você me fez dizer coisas que há muito eu sequer pensava que iria repetir.
E (acho) que você sabe.
E se eu fico é porque quando é bom, é muito, muito bom.
E isso eu te disse.
E tem sido muitas vezes pesado e ruim.
E disso já sabemos, e falamos.
E cansei de chorar.
E você percebe.
E eu preciso sair por aquela porta, logo, já!
Mas é tão difícil...
E somos A diferença, mas no fundo parecidos em pontos que ninguém pode imaginar.
E você disso talvez não saiba.
E eu, quando sair, vou sentar na porta da rua e chorar, sozinha, porque não é um outro alguém que vai me fazer sorrir.
E disso eu preciso que você saiba.
E, bem... eu ainda te amo.
(...)
Escrevo aqui para que você não esqueça na próxima manhã.
E você sabe disto.
E é muito difícil às vezes.
E você sabe.
E não sei o que fazer com o que sinto.
E você sabe.
E não depende de só um de nós.
E a gente já sabe.
E certamente seria melhor ficarmos separados daqui por diante.
E eu sei disso.
E você me fez dizer coisas que há muito eu sequer pensava que iria repetir.
E (acho) que você sabe.
E se eu fico é porque quando é bom, é muito, muito bom.
E isso eu te disse.
E tem sido muitas vezes pesado e ruim.
E disso já sabemos, e falamos.
E cansei de chorar.
E você percebe.
E eu preciso sair por aquela porta, logo, já!
Mas é tão difícil...
E somos A diferença, mas no fundo parecidos em pontos que ninguém pode imaginar.
E você disso talvez não saiba.
E eu, quando sair, vou sentar na porta da rua e chorar, sozinha, porque não é um outro alguém que vai me fazer sorrir.
E disso eu preciso que você saiba.
E, bem... eu ainda te amo.
(...)
Escrevo aqui para que você não esqueça na próxima manhã.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Da série CONFISSÕES E SUSSURROS: Jogo dos 7 erros
Quando me percebi virada do avesso, retornei à casa que me fazia em equilíbrio. Os braços que me orientam a cabeça e desorientam as pernas estavam novamente possíveis de se alcançar. (Não sei como pude tentar convencer alguém de que eles eram outra coisa minha...) E era isso que eu tanto queria, não fosse pela sensação de que alguma coisa tinha mudado na paisagem.
Pega pedaço, cola pedaço, atenta os ouvidos, pára, analisa. Quase desistindo, cercada de amor, eis que "Bingo!". Mirando seus olhos de água eu entendi: ela sentia despeito. E era todinho pra mim... Foi preciso então redirecionar em instantes as flechas antes miradas para um reino inocente. Ainda tentei calar, mas...
(...)
Pega pedaço, cola pedaço, atenta os ouvidos, pára, analisa. Quase desistindo, cercada de amor, eis que "Bingo!". Mirando seus olhos de água eu entendi: ela sentia despeito. E era todinho pra mim... Foi preciso então redirecionar em instantes as flechas antes miradas para um reino inocente. Ainda tentei calar, mas...
(...)
Flecha, bomba, tsunami, furacão! Expulsa daquela casa por causa de meus gritos, eu retorno e me deparo com o silêncio de meu lar. Eis que está aí, no não-falar, não-perguntar e não-sentir o único caminho possível de salvar a imensidão de sorrisos que só ali posso ter.
Angustiada, me aquieto.
(...)
(...)
Pois que dia(s) depois, litros depois, dores depois, urros surdos depois eu pergunto: o que afinal eu quero?
Angustiada, me aquieto.
(...)
(...)
Pois que dia(s) depois, litros depois, dores depois, urros surdos depois eu pergunto: o que afinal eu quero?
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Da série POESIA BARATA: Dezesseis de fevereiro de dois mil e onze
1.
Vontade de escrever depois de ler as palavras da amiga. Mas a visão do desenrolar o novelo cuidadosamente organizado é devoradora e interrompe meu gesto no ar. (...) Medo de me ver de novo emaranhada num oceano de idéias paralisantes.
2.
Porque eu disse 'Volta!' cheguei até aqui. Então sorrir é quase uma lei, agradecendo ao universo pela presteza no cuidar de meus desejos mais íntimos. Feliz 4ª feira para você também!
3.
Garcia, Acre, Calgary, Soho, Humaitá, Miraflores, São Paulo, Paris, Botsuana, Londrina.
Entrada, saída, esconderijo e fuga. Preparar, apontar...
4.
Fiquem por perto para servirem de escudo para as palavras que lanço.
(Reverber que cura MODE ON)
5.
O que eu enterrei na parte de trás de minha cabeça para não entender? O que gesto e alimento com meus fluidos? O que escolhi? (...) Quem tiver a resposta, favor enviar para grandesquestoesdahumanidade@gmail.com
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E tenho dito!
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