JARDIM DOS ENCONTROS
Lugar de encontrar palavras, devaneios, imagens e sonhos plantados a esmo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Da série CONFISSÕES E SUSSURROS: Compartilhamentos

Tá... eu me viro bem sozinha. Na verdade me viro muito bem, até melhor do que se ficarem ao meu lado me ajudando. E eu gosto dessa independência toda sim. Na verdade eu me orgulho dela, adoro, me regozijo, me parabenizo, a nutro continuamente.

As batalhas podem ser solitárias, mesmo, numa boa. Não sofro por me degladiar com minhas hidras tout seul. Mas retornar para casa com suas cabeças em punho e não ter com quem compartilhar essa vitória, isso cansa...

A verdade desnuda é que preciso de companhia nos momentos de colher os louros. Sem isso a vitória ganha ares de placebo.  Nas corridas pelos campos repletos de incertezas, prefiro a tranquila irresponsabilidade de responder somente por meus machucados. Isso me dá leveza, agilidade, elimina negociações, concessões, preocupações e afins. Acordar na hora escolhida e seguir os planos traçados me possibilita uma alegria que não encontro em quase nenhuma outra coisa que conheço. Agora, não ter para quem enviar o meu melhor sorriso na hora em que recebo o cetro e a coroa pelo reino recém-consquistado, isso esvazia todo meu recheio de coragens.

Eu precisava dizer isso. Quero vencer-me, mas não suporto me ver sozinha nos momentos de felicidade. E sinto que eles se aproximam a passos largos... Amigos, fiquem por perto para compartilharmos as horas boas! 

(...) 
Isso vale para você também, moço-bonito...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Da série PEQUENAS AÇÕES CONCRETAS: Racismo na Farmácia Santana

Conforme carta aberta que compartilhei ontem em meu facebook, uma amiga minha muito querida foi vítima de uma horrível situação de racismo na Farmácia Santana da Graça. Basicamente, após ela entrar na loja e sair sem comprar nada, o segurança a seguiu por cerca de 1/2 quilômetro e a mandou abrir a bolsa, porque supostamente ela teria roubado algo na loja. Obviamente ela não tinha pegado coisa alguma, e o cara justificou a sua desconfiança com o fato de ela ser 'de cor' (!!!). Ela, mesmo assustada, deu queixa na loja com a gerência, no Ministério Público e abriu um processo que acaba de ser arquivado porque a Santana deu um fim no sujeito.

Simples assim.

(...)

O que eu, você, minha mãe, sua prima, professores e cunhados podem fazer diante disso?

Não comprar mais nessa empresa, a não ser que você considere justo uma cidadã correta ser acusada de forma tão leviana, ameaçando não apenas sua tranquilidade como sua própria segurança. Porque, de fato, nada 'pior' ocorreu, porque ela simplesmente não tinha nada na bolsa que tivesse sido comprado na referida farmácia. Mas, e se tivesse? Seria presa, provalvemente, simplesmente pela combinação de fatores racismo + omissão + falta de treinamento. 

Eu, assim como não quero direta ou indiretamente colaborar para a exploração de escravos lá em Sergipe pela empresa Maratá (leia aqui para entender), nem de crianças pela tal da Nike (mãos de criança, mesmo escravas, são melhores para costurar seu tênis, bolas e chuteiras!!!), também não posso dar lucro para uma empresa que vai na contramão de tudo que eu acredito. Porque é o que eu, consumidora, posso fazer de mais simples e, acredite, e-fe-ti-vo. Porque é sim, muito efetivo! Essa é a lei de mercado: ou você vende, ou você quebra. Se você compra de uma empresa, ela cresce ajudada pela sua grana. Tem mil e uma farmácias concorrentes por aí e não quero que uma empresa que não apenas compactua com formas de pensamento excludentes (a gerente hoje simplesmente mente dizendo que nunca aconteceu essa situação...) e muito, muito perigosas para os cidadãos que não 'se adequam' a um suposto modelo. Eu posso até estar mais ou menos dentro do 'modelo' para alguns olhos, mas me recuso a basear minha convivência com meus pares em privilégios de raça/gênero/condição social/insira.aqui.o.seu.critério.de.exclusão.

É isso. Assim como você não almoça McDonalds todos os dias (pelo menos eu espero que vc não faça isso... rs) porque sabe que faz mal pro seu organismo, nem rouba coisas no mercado porque sabe que são de uma outra pessoa que não você, ou, por fim, não toca fogo em mendigos porque acredita que eles sejam inferiores, eu apelo aqui para sua boa consciência para fazer a sua parte em não perpetuar essa merda de desiguldade de condições que mina nossa paz nos mais diversos níveis.

Deixar passar essa chance, ainda que muito pontual, de reduzir as diferenças de tratamento entre nossos pares é esquecer que tudo não passa de uma grande cadeia, onde uma coisa influencia a outra, terminando por transformar nossas omissões cotidianas em nosso mais ferrenho algoz alguns passos a frente.

Para saber mais! http://umabadapracadadia2.zip.net/arch2011-02-06_2011-02-12.html#2011_02-07_20_14_43-135954919-0

Divulgue! E escolha uma outra farmácia mais confiável para depositar seu rico dinheirinho, que não a Farmácia Santana.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Já que você vem aqui...

Depois de uma dessas noites em que você ruma de um lugar para outro sem encontrar o seu, eis que veio como uma enxurrada todo o choro guardado desde o mais tênue desenlace. Rigor desfeito, carnes moles, perdida como poucas vezes, deixei que o desespero tomasse conta e multiplicasse as tentativas de solução no teclado do celular. (Pathos... por quê não?) E como nessas vezes em que a luz se acende e você pode enfim se localizar no espaço, eis que me veio um tufão de verdade e coragem para deixar cair as amarras do orgulho. (...) Obrigada por ter entendido isso e me brindado com carinho e palavras tranquilas. Sem rumo ainda, eu então sigo, Só que agora bem mais calma e com alguma serenidade enfim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Da série VIVER NA BAHIA: Rainha do mar


Eu gosto mesmo de Iemanjá. Seja lá como esteja grafado seu nome, eu tenho imensa simpatia e crença nessa moça de espelho na mão, caprichosa e que tem, apenas, o mar inteirinho como morada. Chiquê pouco é pros fracos, afinal... rsrs

Na verdade, moça de criação católica que sou, fui cunhada sob a hégide da culpa, do castigo, do merecimento, da angústia, do temor. 

Demorei demais a entender a simplória mas tão poderosa lógica do 'aqui se faz, aqui se paga'. Essa idéia de que o que você planta é o que você colhe, com as devidas alterações de cor&formato, os imprevistos ruins e as surpresas positivas que naturalmente estão embutidas nessa aventura do 'se estar aqui'. Então eu tento, acima de qualquer coisa, ser justa comigo e com o mundo. J.u.s.t.a., nada mais do que isso - até porque já é bastante coisa! 

Isso porque morro de medo (olha aí o medo de novo, minha gente!) de ser punida (Foucault explica outra vez) pelo Universo por minhas injustiças. O terror que amparo em meu coração desde que me entendo por gente detém lógica tão simples que nem carece de um gráfico: se viver já é tão duro e estou eu fazendo tudo direitinho, eu não preciso de punições do cosmos. Meu medo é que na hora de retirar minhas benéfices lá no guichê dos que crêem no trabalho e no amor, a mocinha aqui, munida de sua guia comprobatória de anos de construção/ação/investimento/coragem, seja supreendida por uns descontos de má-sorte graças às injustiças feitas ao mundo e a seus pares. Ser injustamente remunerada aquém do investimento, simplesmente por ter se valido de injustiças para tomar mais do que lhe era de direito.

(...)

Sempre lembro de duas pessoas muitos amadas, um amigo e um ex-companheiro, responsáveis por iluminar minha mente em momentos de desespero e incapacidade de ação. O primeiro me lembrou apenas: Seus resultados serão sempre proporcionais a seus esforços. Essa frase simples foi a catapulta de coragem para a criação de meu solo, unicamente porque me livrei dos fantasmas de que não era habilitada para fazer aquilo (...e 5 anos estudando teatro na Universidade foi pra quê, maluca?) e da obrigação de um resultado genial. 

Já o segundo moço - pessoa que considero de sucesso por dentro e por fora - fazia ecoar em nossa casa a máxima: Eu só quero o que é meu. Nem mais, nem menos. Mas apenas o dele por direito. (...) Libertador assim...

Aí que retorno à Iemanjá; eu sempre a saúdo quando entro no mar, quando vira o ano, no seu dia... E peço trocentas mil desculpas quando furo com ela e, se for o caso, mesmo com meses de atraso eu a cumprimento pela data festiva perdida. Agradeço, pergunto, me equilibro. E peço. Muitas coisas... Cada vez com mais cuidado, porque ela é moça danada e me deu absolutamente tudo que pedi. Ainda que seja um ato totalmente haribô por essência, entendo essa potência muito menos como que uma ação mágica a mudar meu destino do que se poderia pensar de início; a clara sensação que tenho é que a mistura de grandeza, água, sal e movimento me desanuvia o pensamento e me faz enxergar o melhor caminho que já está aqui dentro mas ainda não conseguia acessar. E isso já basta.

(Quando morava na Pituba perdi as contas das vezes que peguei o ônibus que passava pela orla simplesmente para dar um alô para a moça e me reestruturar internamente...)

É por isso que daqui a pouco vou ali cumprimentá-la. Mais do que pela festa, as pessoas, a bagunça: por ela. Porque lhe devo um monte de respostas encontradas. (Dicas de melhor aproveitamento de minha matéria mais secreta, aquela alocada no fundo de minhas profundezas e içada à superfície num golpe de clareza da mente.) Devo isso a ela e não posso deixar de lhe dizer. A gratidão é outra dessas lógicas que tenho aprendido e rendido homenagens a cada novo dia.

Vou ali pedir a benção e me iluminar por dentro por mais um período. E aí que lembro de um outro homem muito importante na minha vida, a me dizer num momento de profunda confusão: Todas as soluções estão aí dentro, basta encontrá-las. Mas somente quando cessam as perguntas é que as respostas se apresentam.

Odoyá!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Da série VADE MECUM: Isabela

Meu procedimentos???? 

Ok; ei-los:

  1. Olhos pintados
  2. Protetor solar
  3. Contas em dia
  4. Vocabulário rico
  5. Cabelos hidratados
  6. Unhas-sem-fazer
  7. Boa comida
  8. Nunca mais de 4 cores combinadas!
  9. Vinho ou cerveja
  10. Correios
  11. Os mesmos cds para todo o sempre amém
  12. Camisinha(s)
  13. Sorriso
  14. Pouca tolerância ao medo de não posar bem na foto
  15. Exposição. Muita, aos borbotões...

Da série DEVANEIOS NA MADRUGADA: In vino veritas

O vinho ajuda, sabe... Mas não é ele. Nem meu horóscopo com ares de BigBrother que antevê pensamentos e ações secretas. Talvez seja o tempo, os novos tempos, o cansaço. O fato é que inventei de viver melhor e inauguro amanhã o melhor de todos os períodos de toda a minha vida. Não caibo em mim de ansiedade boa, dessas que apenas brilham os olhos mas pouco afetam o estômago.

(...)

Fiquei solteira e solitária longos períodos. Mas agora estar só ganha ares de maturidade boa, como as que eu via nos filmes importados de outros tempos. Vivi para chegar aqui, e tenho que me repetir isso quando invento de ter medo do que eu mesma decidi ser. Maluca, sim. Por quê não, afinal?

(...)

Comer, beber, dormir, estudar, arrumar, mudar, correr, suar, dançar, viçar, trabalhar, organizar, organizar, organizar, rever, reestruturar, instaurar, mudar, abandonar, esclarecer, plantar, pagar, dormir. Viver 2011, afinal, que já está mais pra pré-adolescente que recém-nascido, ora pois!

(...)

"Sim; o SOl é umA EstrelA!" - obrigada amigo lindo por me mostrar isso.

(...)

Se eu não morar em Paris pelo menos 5 meses antes de morrer, eu vou ficar puxando o pé de cada um dos franceses até o fim dos tempos do homem na Terra, ok?! Estamos conversados, né, Monsieur Destino?! Ah, bom...

(...)

Eu amei muito o meninoqueaindanãoaprendeuacuidardesi, mas eu estava mesmo com saudade de mim, assim, errada mesmo, sabe? Boa noite para nós, por fim!

(...)

Minha casa está cheia de fotos de mim, agora. Veja só que beleza!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Da série MENSAGENS NA GARRAFA: Reviravoltas, revira e voltas

Aí que foi encontro desses de importância tamanha que muda o rumo da Mocinha na história. Como reviravolta bem pensada pelo roteirista engenhoso, o que parecia reles cruzamento de desejos se transforma em uma longa série de eventos, com direito a muitas cenas. Segredos na mesa, mistura de quereres, desequilíbrios de energias, chaves mágicas que abrem portas para intimidade... estava tudo ali. Por mais improvável que parecesse, os espectadores rapidamente notaram que se tratava de um personagem desses essenciais para a trama andar.

E, giro, salto, grito, parece que era sina desses dois terminar seguindo em linhas não-paralelas, não-perpendiculares, não-harmônicas... seguimento de reta que invade o umbigo e termina em um ponto de interrogação: para onde seguir agora?

A única certeza é que, apesar do que tenha dito em momentos de sangue nos olhos, a Mocinha sabe bem que esse encontro valeu a pena. Em muitos, muitos, muitos momentos, foi esse encontro que fez tudo fazer um pouco mais de sentido à sua volta.

E ela queria muito dizer isso de uma maneira tranquila, em um tom de voz que se fizesse escutar, sem mágoa, sem pressa, sem peso nas palavras que nada mais são que uma declaração de amor. No passado, presente ou futuro, pouco importa: mas carinho de verdade, daqueles de antigamente, que não se desfazem num lampejo de raiva e nem se alquebram na primeira sacudida mais forte.

Se valendo de tudo o de melhor que traz no peito, ela senta e pacientemente espera; pressente pouco ansiosa o bom momento de fazer ecoar nos ouvidos do moço-bonito essas palavras que guarda como um pequeno tesouro.

E respira...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Da série DESENLACES: Que venha o novo ano!

Pesou! Cansei! Não quero mais nada com esse formato, com essa cor, esse incômodo, esse cheiro, essa textura. Nada, nada, nada.


Demorou, mas terminou. Com amor, um beijo.


(Ai, enfim, o fim!)


Me larga, 2010!!!!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Da série ORGANIZAÇÕES: Clarice

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Da série DESENLACES: 2010

Sabe nesses dias que um satélite alinha com uma estrela e entra em conjuntura com o sol que a gente traz nos olhos e tudo de uma vez só tudo mesmo clama por ser resolvido? Como num golpe firme de sabre que decapita o inimigo; ZÁS! E eis que tombam no chão os conflitos pequenos que fazem a poesia escorrer entre os dedos e por mais que você se debruce aflita sobre o ralo nada mais do tempo perdido há de retornar? 

(...)

Sabe isso?...

(...)

(...)

Pois bem, que peito em flor, margaridas no lugar de cada certeza, ventos fortes por dentro, como naquelas frestas mágicas que revelam um vendaval no momento seguinte a abrir uma porta de saída eu me vejo assim. Confusa (começando no grave e terminando no agudo-agudo-agudo....)

E, ai, eu quase esqueci(!), mas preciso dizer isso antes que vire um cravo na ponta do meu nariz ou uma espinha atravessada na minha garganta: odeio quem sempre escolhe as respostas certas, os únicos bons ângulos de beleza, somente o correto, o coerente, o belo. Embuste, falsidade, hipocrisia. Me dá vontade de dar-lhes tapinhas no ombro e lembrar que a vida é curta e que todo mundo percebe que é apenas uma jóia de mentirinha encontrada no fundo do pacote de doces. 

(Não,amigos, isso não é indireta a nenhum de vocês....)

Sim, sim, sim.... o tempo disparou na minha frente e corro louca atrás dele, gritando peloamordeDeusvoltaporqueeuteamoeprecisodevocêcomoninguémjamaisprecisou!!!!!

(...)

Mas quem poderia acreditar numa frase tão melodramática? 

Eu no lugar dele, não voltaria, na boa... E você?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Da série POESIA BARATA: Tempestades de dentro pra fora






Porque se eu fosse agora procurar ajuda seria apenas dinheiro jogado fora. Rosa-dos-ventos enlouquecida, apontando para todos os cantos mais recônditos dos continentes. / Mesmo assim eu falo e os outros apenas riem. Eu só gostaria que escutassem antes de reagir. Seria tão educado.../ O além-mar, muitas vezes, soa tão longe. Dentro a água barrenta, parada com algumas coisas boiando na superfície. Por mais que observe não consigo identificar o que é. / O que pode ser tanta agonia?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Da série SEGREDOS DE INTERNET: Pavor


*
*
*
*
*

Quando sinto medo a ú-ni-ca vontade é ficar embaixo da cama em posição fetal, sabe?!
*
*
*
*
*
*

*****

Da série ENSAIOS: Duplo carpado de costas

Eu cresci na Pituba. Quem conhece sabe que ali reinam os prédios compridos, com crianças correndo em playgrounds. Muitos, muitos prédios, cada vez mais numerosos e mais próximos uns dos outros. 

Tinha um prédio que ficava a questão de metros da janela do fundo do nosso apartamento. Pelo menos é isso que eu sentia: que eram tão poucos metros que um salto mais potente me levaria até a janela do vizinho!

E nos dias mais difíceis, durante toda minha vida, lembro de pensar que se eu saltasse com a força necessária eu conseguiria o feito de me dependurar no, sei lá, 13º andar do Edf. Paraguaçu; tão pertinho ele afinal...

Eu ensaiei mentalmente esse salto imaginário durante toda minha infância e adolescência.

(...)

Bem; o fato de eu estar aqui, com meu cérebro inteiro DENTRO de minha caixa craniana já é o suficiente para dizer que eu nunca tentei o salto. Mas aquela sensação de que era possível ainda está aqui dentro. E levei essa certeza para tantas outras coisas, nas mais diversas áreas de minha vida.

Eu ensaio saltos mentais circenses todo-santo-dia. Foi assim para fazer Teatro, para raspar o cabelo, para começar e terminar coisas muito importantes, para abandonar pessoas... Eu sempre ensaio na cabeça trocentas-mil-vezes, em silêncio. E refaço os cálculos, e redimensiono os riscos, e penso nas piores consequências de um erro qualquer. Muda, quieta, com aquilo circulando sem parar entre olhos e alto do meu estômago.

Quando eu revelo meus planos para os mais íntimos, é porque eu já estou certa de que é possível. É apenas uma última verificação da solidez de minhas certezas.

E eis que, um dia... eu salto! Sem avisar a ninguém, sem convocar os repórteres, sem ajeitar o colchão lá embaixo. Apenas me lanço no vazio, embebida no sentimento de que o chão firme sob meus pés é já matéria obsoleta há muito tempo.

Amo meu bom-senso; o cultivo com colheradas generosas de doçura e palavras cuidadosamente gestadas. Ainda ofegante no pós-salto, tenho o hábito de me regozijar sem palavras, sorrindo por dentro ao constatar que sou mesmo capaz de cuidar de mim mesma. Auto-amor fruto de algo que aprendi desde cedo: não sou amável o suficiente para fazer os outros perderem tempo com excessivos cuidados comigo. Eu sempre, sempre, sempre, termino mordendo quem me alimenta, porque meu desejo de voar costuma ser mais extenso que a altura da gaiola. Mania de liberdade, que custa caro como poucas coisas entre o céu e a terra poderiam custar.

Mas, sabe? Eu só sei ser assim...

E por que falar disso agora? Simplesmente porque estou ensaiando um salto pavoroso para os de alma  pequena. Se um dia eu chegar à conclusão de que a distância ora calculada é mesmo humanamente possível, acho que dessa vez não vai restar nada do lado de cá, igual aquelas bases de lançamento que entram em chamas logo após a partida do foguete.

Minha angústia é essa, sabe?...  Debruçada sobre planos de mudança que vão me levar para uma outra dimensão completamente desconhecida, recupero todos meus registros de proficiência nos auto-cuidados para dizer para mim que, sim, eu consigo vencer mais essa.

(...)

Olhando o prédio ao lado, hoje, ansiosa com o futuro que estou traçando, eu acho a janela do vizinho tão próxima como nunca notei estar. Me espatifar no chão lá embaixo soa tão pueril que me envergonho de nunca ter tentado. E cheia de medos de mulher, me rio sozinha desse antigo medo bobo cultivado desde criança.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Da série PALAVRAS AO VENTO: Isabela(s)

Sobre o ventre:
Eu não queria ser dessa espécie de mulher que engole. Mulheres que sofrem no ventre, que se angustiam no interior do corpo. Quero ser dessa que solta, que lança, arremessa rumo ao sol, somente para ver a parábola bonita da dúvida se perder no contraluz.
(Anseios íntimos de ser Atena e não Deméter)

Dos meus limites:
Eu queria tanto acreditar mais no Acaso, e aceitar mais o Entorno. Mantenho boas relações com o Destino, porque seu humor sempre me faz perdoá-lo de qualquer falta grave. E sigo o Tempo com a certeza de ter com ele a melhor de todas as companhias.

Mãos:
Fiar, tecer, alisar, manter, segurar, apertar, entregar, derramar, socar, esfregar, estender, pegar, pegar, pegar, alcançar mais ao invés de forjar.

D'ele:
"Daí que ele um dia saiu da sombra e sentou bem no centro da minha atenção. Nesse dia peguei vício de segui-lo com o olhar, de fazer perguntas como a fã-mirim que se aproxima do famoso. Olhar fixo como quem quer tirar um retrato mas esqueceu a máquina em cima da mesa de cabeceira; esforço com o corpo todo para conseguir lembrá-lo em detalhes quando ele escorregasse de novo para penumbra. 
Daí que hoje eu posso sair da platéia, levantar a cortina já abaixada e procurá-lo por entre as cortinas. Delícia de procura, porque é uma dessas buscas autorizadas, como um jogo de crianças.
Sempre que eu encontro eu suspiro de alívio. Sorrio com os olhos.
(...) 
Eu gosto mesmo dele, sabe..."

S.a.n.g.u.e:
Aqui dentro parece que algo perdeu volume e de vez em quando falta recheio para todos os cantos. Tá ruim aqui, porque eu desisti de manter a casa arrumada. Preciso cuidar de minha morada.
Segunda-feira, por favor, faça as pazes comigo!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Da série GRANDES DESCOBERTAS DA HUMANIDADE: Bingo!

Passeando pela internet, diletante, olhando escritos de outras pessoas, fugindo de meu trabalho, com a casa bagunçada, com zero dinheiro, me reconhecendo pouco nas pessoas, cansada, querendo morrer por longos períodos, eu parei e constatei: como você se tornou uma mulher solitária, Isabela!

(.!.)

Tenho minhas dúvidas se isso é de todo ruim. Sei apenas que constatar isso foi, de fato, uma grande surpresa pra minha segunda-feira.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Da série PRESENTES VIRTUAIS: Stop emotion




Para ele e sua pequena-mocinha-Clean

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Da série FURTOS VIRTUAIS: Selva

"A ETERNA dúvida do homem é: ir ou não ir para a tempestade. Muita gente acha abrigo na casa da grande mãe. É melhor refugiar-se no seguro, do que enfrentar o abismo. Sei que vão dizer (os bitolados) que isto é idealismo negativista, ou qualquer nome idiota. Mas não me importa. Há muito que não me importo mais com os meus inimigos superficiais, que encontraram em alguma organização da teoria a paz para os seus complexos de frustração. Eu, pelo menos, não descanso, não me perdôo. A floresta é o grande perigo. É lá que estão as feras e o grande mel, a fonte rodeada de avencas e o sexo que é mais profundo e colorido quando a chuva cai serena e triste sobre a mata."

JORGE MAUTNER

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Alerta Vermelho

Definitivamente, eu me perdi.

Preciso de ajuda.

Rápido!

(...)

Alguém?...

domingo, 3 de outubro de 2010

Da série PRONTO, FALEI!: Sonhos de hibernação

Quem me conhece já viu esse movimento... Desânimo e vontade de sentar. Transe causado pelas dúvidas. Desejo de colocar a casa abaixo. Ânsia de me deter. Suspender. Parar. Desfalecer.

Ano a ano, uma coisa - que ainda não sou capaz de identificar - traz uma carroça de ansiedades e larga na minha porta. Não importa o quanto eu mude de endereço; uma hora ela me encontra. E me vejo sozinha absolutamente desesperada, porque só eu posso dar conta do que me é entregue. São minhas dores; sem possibilidade de postulação a outros.

Enfim... segui esse roteiro tantas vezes na vida que já intuo os frames seguintes: medo, prostração, desespero, derretimento sincero por várias portas, cansaço, pausa, suspensão longa, renascimento.

Porque, o único alívio é saber que eu SEMPRE renasço.

(Vícios de uma Fênix)

Vontade de girar na maior velocidade possível. Braços abertos derrubando o entorno. Me livrar de tudo o que perdeu o sentido. Riscar os fósforos que ainda me restam. E pôr tudo, absolutamente tudo!, abaixo. Uso de pesada maça em cada parede, em cada estrutura, em cada mínima certeza. Zerar para começar com contornos mais bonitos; porque não assumir enfim essa vontade de beleza? Ver consumir em chamas os medos de ter me perdido. E, poxa, Isabela, mais uma vez você se vê lotada de coisas inúteis. Malas abarrotadas de perguntas, explicações, conversas sem fundamento, vaidades. E agora, os ciúmes! Sabem que recentemente aderi à moda, sem nem bem perceber?! Quando notei, me vi metida em trajes meticulosamente ajustados para satisfazer a esse bichinho traiçoeiro.

Ironia grande para aquela que nunca gostou de ciúmes de ninguém.

(...)

Queria valises mais leves, porque meus ombros reclamam de pronto à simples menção de uma aventura mais demorada. Desta vez, como nunca, eu queria partir. Ir para dentro, e ficar lá esperando o próximo inverno. Pernas cruzadas, respirando, em silêncio. E como na imaginação tudo podemos, em meu refúgio meus joelhos não doem e meu telefone não toca. E ninguém, abolutamente ninguém, me pede pressa na hibernação.

(Pqp! Ler isso faz eu notar como eu ando com medo...)

E a cada dia eu me desconheço mais. Reconheço no espelho a mistura que elegi, mas do lado de dentro está tudo um horror. Vontade de me deitar. Um sono que não passa. Uma dor que não diminui...

(...)

(...)

(...)

Sincera e prática como nunca hei de deixar de ser, compreendo com clareza: isso aqui não está mais adiantando. Preciso de ajuda de um profissional.

Pronto; falei!