JARDIM DOS ENCONTROS
Lugar de encontrar palavras, devaneios, imagens e sonhos plantados a esmo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Da série A MULHER NO ESPELHO: Longas letras

Abriu a boca e dela quiseram sair animais peçonhentos porque eram eles que ela alimentava há dias entredentes. Para eles oferecia alimentos feitos de pensamentos nocivos nutridos desde longa data. Mas, porque mesmo nos dramas há um 'mas', o menino-de-olhos-que-endurecem ensinou uma outra coisa; lição aprendida aos pedacinhos, mas com o corpo todo. E da boca então saíram palavras cheias de vergonha, mas alinhadas e ordenadas para se fazerem entender. // E do seu ventre queriam sair os medos, aninhados na curva mais fechada das certezas, que ela brincava de torcer desde tenra infância. E os olhos se fizeram em água, coisa que desconcertou o que a ungia. E ela berrou. Berrou. Berrou, até se fazer ouvir. E o olhar de desconcerto doeu tanto nela e tão fundo e tão forte e tão de verdade que ela se refez inteira, com medo de sucumbir àquela dor apenas por mirá-la um período mais longo. (Dor-Medusa, dessas de empedrar tudo: sonhos, idéias, suspiros, afetos.) // Então se fez de rogada e, com um último soluço, se recompôs do jeito que o outro havia aprendido.// E da ponta dos dedos saíram nesgas de leveza, desmedidamente indiscretas, como grito de medo que causa vergonha assim que se acendem as luzes.// E, já sentada, do centro do seu peito saiu um chá amargo, feito de sentires gastos fervidos e re-fervidos anos a fio em uma panela cuidadosamente observada pelos seus monstros de criança.

(...)

O fato: ela está cansada. E com medo, muito medo mesmo. Apavorada com o que a curva ali à frente esconde. Ela queria ser outra, ter outros, ser de outros. Entender-se com menos pulsão, com menos cicatrizes. Ela, eu sei, gostaria de ser feita com menos nuances, trazendo em si cores mais chapadas, só pelo prazer de se simplificar um pouco.

Ela quer se sentar na estrada e ficar ali. Talvez cochilar um pouco. Mas, a pergunta: quem viria no momento certo acordá-la para lembrar que já é hora de atender à vida que chama por ela?

(???)

Por via das dúvidas, ela se mantém acordada. E segue...

domingo, 11 de julho de 2010

Da série DIA A DIA: A quem interessar possa

Esta semana eu:
  1. Passei na audição de um espetáculo que eu queria muito fazer;
  2. Escrevi um projeto atrasado;
  3. Fui em 02 aniversários de cancerianos queridos;
  4. Ganhei e dei vários chamegos de/a um mocinho-bonito;
  5. Paguei contas mil;
  6. Comprei um aspirador de pó;
  7. Organizei minha agenda;
  8. Desafiei minha criatividade diante da semi-vazia despensa de minha casa;
  9. Revi uma amiga querida;
  10. Tive reunião e dei boas idéias;
  11. Participei de um debate que considero importante;
  12. Coloquei coisas importantes no Correio;
  13. Me inscrevi em uns 30 festivais de vídeo;
  14. Recebi um trabalho atrasado de um prestador de serviço;
  15. Comi feito uma porca;
  16. Dormi o necessário;
  17. Revi um amigo querido;
  18. Tomei várias cervejas;
  19. Perdi menos horas na internet com besteiras.
A semana que vem começa em instantes e, garanto, há de ser tudo essencialmente diferente e igualmente desafiador.

E vamo que vamo, meu po(l)vo!!!!!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Da série BATALHAS DIÁRIAS: Exercício de delicadeza

Tentando comer de colherinha pra não gastar


Segurando a mão com fios de delicadeza para não permitir que a ansiedade consuma tudo antes de chegarmos ao prato seguinte. // Um instrumento para cada coisa: de uns lados ser silenciosa e vagarosa é o que se lê no manual. Noutros, rapidez e arrojo, me indicam as instruções. E no meio de tudo isso, como máxima irrecorrível, a necessidade de depor a ansiedade e a competitividade inútil. 

Ingredientes delicados de textura macia é o que tenho entre os dedos, então não adianta tentar morder o que é feito de espuma, onde há mais intervalos e ar do que material concreto. Alimento para se comer num suspiro e não abocanhando ou aos goles.
Calma...

(...)


(...)

E para os que acham tudo isso um conflito bobo, escutem: os momentos de vida em que devo pousar a espada e armadura e elmo e maça e escudos para substituir por talheres de criança são os mais tensos de todos, fiquem doravante sabendo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Da série REEDIÇÕES: Alminha azul

Esse texto eu escrevi há um tempo, e de fato gosto muito dele. Está no antigo endereço do meu blog, ao lado de tantos outros que vou reeditar aqui, sempre refletindo um pouquinho sobre a pessoa que eu era quando eu escrevi isso. É uma proposição completamente auto-centrada, movida pelo interesse de resgatar alguns escritos que ficaram meio esquecidos e de fazer uma espécie de auto-análise muito mais barata e poética do que pagar um bom terapeuta.

Para dar um charme o texto de hoje tem ilustração e tudo, by Carol Feitosa, que seria minha parceira em um projeto virtual que nunca foi pra frente.

É isso. Se não gostou da nova série deste blog clique aqui e faça sua reclamação.

 -------------------------------------------------------------------------------

23/09/2008


Da série MENSAGEM DA GARRAFA: Esse pônei não sou eu


Tirei minha alma pra lavar. Vícios de limpeza poética daqueles que descendem dos índios. Do tamanho de um vestidinho azul, como os das meninas que sabem falar como adultas mas preferem mesmo observar o trânsito das nuvens. Estendida no cabide achei que tanta vontade não caberia ali dentro. "Esta alma não é minha", cochichou a moça açucarada ao rapaz que ela escolheu para olhar nos olhos.


Quantas vezes vou precisar chegar até a porta dos meus desejos para conseguir alçar o vôo que minhas asas anseiam? Por que gastar tanta loucura para construir um chão sob os pés? Não bastava ter sapatos de Doroty e encontrar um lar onde pudesse deitar meu pensamento? Não há lugar melhor do que o nosso lá, que dobra a curva da face risonha e descobre que por trás das montanhas moram os verdadeiros sonhos multicores. Ela tentou se lançar do alto do abismo, mas o seu espírito era tão comprido que bastava se esticar para tocar os pés lá embaixo.


Salto sobre as poças para não precisar mergulhar em uma xícara de boldo, como meu lindo amigo que abriga um passarinho no ombro gosta às vezes de fazer. Me afogar em mim mesma soa tão dramático que rio com a trilha sonora latina que escapa pelos meus poros.


Rir de si mesmo: o charme do mundo...

Da série DIA A DIA: Chegadas por adentro

Muitas coisas caminhando ao mesmo tempo!

Coisas demais e algumas de fato muito boas...

Coisas que correspondem aos meus desejos, aos meus investimentos...

Coisas que se aproximam daquilo que escolhi ser...

Coisas que são minhas, forjadas com esforço e suor mesmo...

Coisas que são projetos, coisas que eram desejos, coisas que eram uns sonhos a esmo que agora parecem perto demais...

Coisas diversas, tantas e muitas, tudojuntoaomesmotempoagora que eu espero apenas ter escolhido o melhor para mim....

domingo, 4 de julho de 2010

Da série GINCANAS DIÁRIAS: Fazendo cooper com Cronos

Este é um ano de conversas com o Tempo, eu sei. Revelado seu maior segredo, o ilustre senhor me chamou então para um jogo de regras complicadíssimas no qual aceitei entrar mais por educação do que por qualquer outra coisa. Que coisa doída! Meio tateando, meio ouvindo as vaias da arquibancada, vim perdendo pontos, errando as jogadas, furando regras e procurando novas táticas até dia desses com pouco êxito. Quando então, já derrotada pelo meu próprio cansaço, o corpo pediu arrego e me vi de cama pensando que iria daquela pra melhor no momento seguinte.

(...)

Fato é que não fui pra lugar nenhum - como podemos denotar do fato de eu estar aqui escrevendo este post - e levantei dos dias de molho com a força dos renascidos no instante anterior. E mudei a forma de jogar, tentando ter prazer nesse suadouro danado que meu amigo estava propondo desde a virada de 1° de janeiro. E esse relaxar me devolveu a leveza e o foco, e as coisas voltaram a caminhar como eu gosto.

Vale destacar: em meio às duras tarefas da gincana de Cronos, eis que apareceu um participante para terminar de desafiar minha capacidade de organização. Sim, ele tem razão de dizer que muitas coisas poderiam estar sendo feitas nos tantos minutos que prefiro ficar a seu lado, mas isso não me chateia. O prazer dos minutos desperdiçados com carinhos e contemplação fazem os restantes mais fortes e valiosos. Estar assim é bom, com recheios de espuma delicada que amacia até o mais duro dos pensamentos. Com ombros mais baixos, voz mais doce, cabeça com asas... Estar assim é coisa que não se 'escolhe' e sim se 'permite' acontecer. Abrir canais, ativar ouvidos, olhar no ho.ri.zon.te, atenção ao presente e, veja só, um dia essa delícia de condição termina por se instalar. E aí não há mais de se lutar contra ela. Porque às vezes, é verdade, temos vontade de estarmos diferentes, mais bélicos e práticos; compreender que não há opção ao sentir é o melhor caminho para saborear cada um dos suspiros que o peito insiste em gerar.

É já metade do ano que deixamos na estrada de 2010; restam ainda uns cento e tantos dias que não saberia precisar pela matemática das aulas, mas compreendo claramente quando substituo a álgebra pela intuição, sem nem ter que recorrer aos dedos para saber que ainda há muito caminho pela frente. Muito suor. Muitas jogadas. Muita, muita, mas muita coisa mesmo. E cabe aos de bom espírito e cabeça sã fazer valer os próximos momentos dessa gincana que não tem fim.

(...)

E, dando eco aos sábios, repito: vamo que vamo!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Cada vez mais em dúvida se a liberdade aproxima ou manda embora.

(...)

Eu me pergunto, olhos borrados de saudade e carência e fome e sei-lá-mais-o-que-hormonal, se estou caminhando para o aconchego ou para o lado de fora da sala quentinha. Lá fora faz frio de bater o queixo e tremer o peito; talvez nem venha ninguém me dar um abraço longo de tanto que pensaram ser eu moça sozinha.

Sou por mim porque me ensinaram a ser desse jeito, juro que é só por isso! Não tem muita escapatória: trazer nas costas casa&espada&armadura&ungüentos diversos, porque a queda é certa e o médico hoje não virá. Auto-primeiros-socorros, de se fazer por si e olhar sem medo da falta de paciência do outro. Silêncios, vazios e um cansaço de ter que se segurar sempre nas próprias pernas. Custava atender o telefone, poxa vida?!

(Engraçado que isso faça alguma diferença agora, que já estou sã e salva em casa alheia, resignada com o destino de ser eu mesma a minha cuidadora.)

O cafuné que ensinei para a mocinha porteña foi de verdade e a professora nem precisou ressaltar que a lição era uma daquelas que não se conclui sozinho; precisa sempre de um partner, porque é carinho que só presta se realizado por mais de um.

(...)

Olho borrado, confuso e fixo em algo que não interessa de verdade. Eu queria uma pá de coisas agora, musculatura dolorida de carregar tudo sozinha. Cicatrizes que não fecham porque algum tonto sempre inventa de retirar a casquinha da ferida só por diversão.

Ando cansada... Sorriso, olho borrado, suspiro. Melhor cansada que amargurada, isso é certo. Então sigo, esperando o momento em que nenhuma das ligações não-atendidas terá mais importância. Quando não haverá pedacinhos para colocar ou tirar de quemquerqueseja. Não por desamor, porque essa é palavra feia que esconde des-coragem de se dar ao outro. Mas por des-importância recebida de presente pela certeza de que sou mesma dessas gentes que todo mundo pensa que suporta tudo. Desses bichos que retornam ao nosso lar sozinhos porque não se importam com as vezes que lhes abandonam no meio da rua. Matéria que não liga de ser deixada pra trás, ou porque compreende sempre tudo e sempre se recupera. E sempre perdoa. E sempre releva. E, mesmo cansada, sempre volta.

Tem quem pense que sou dessas gentes, desses bichos (...) Mas não sou não, eu sei. E daí que uma hora dessas eu simplesmente não volto. Desapareço porque entendi que não faço falta, e nisso não se esconde nenhum melindre, apenas medo de outra ferida. Não é porque suporto que gosto de me doer. Não gosto. Então um dia mudo o caminho e esqueço a rota do antigo lar. E sei que vão demorar de perceber a ausência não porque sou desimportante, mas porque mudar de direção é coisa de se fazer discretamente. Eu, moça que grita e faz barulho e preenche tudo também sei, escute bem, escorregar sem ruído. Devido aos anos de costume ninguém espera que o vento mude. E é bom porque essa coisa de discrição eu uso pouco, então sempre tem cheiro de novo. Gosto de coisa nova. E acho bonito ter algumas coisas dentro da gente que servem apenas para ocasiões especiais, igual a uma roupa de domingo. Me mostro do avesso, de portas abertas, escancaradas, a gente sabe. Mas é bom entendermos que sempre há gavetas, desvãos, cômodos escuros. E os meus estão aqui, cheios de matéria que recolho em dias como hoje. Dias sem grito, sem meneios de cabeça, sem saco para explicar qualquer coisa. E isso não é sinal dos melhores, eu sei.

Isabela, guarde todo o silêncio para suas fugas. Tá, concordo... O olho está borrado e o texto é ruim, mas é verdade. Então vale anotar a dica recebida em alguma página do bloquinho.

(...)

Sim, estou chateada e nem sei com o que. Nem com o quem, porque não há de fato um alguém. Só eu mesma: olho borrado, TPM, carência, frustração, saudade e goles de alguma coisa que entorpeça misturados para fazer o fim de semana passar mais rápido.

E que findem os recados!

sábado, 19 de junho de 2010

Da série VIVA LA VIDA LOCA: É bom querer coisas...

Sabe o que eu queria agora?

Primeiro, que estivesse um pouco menos frio onde estou. Depois, saber que terei tempo de dormir antes do trabalho que farei daqui a pouco. E queria muito ter trabalhado mais e melhor este ano. E estar com o projeto que está atrasado já escrito. E a-do-ra-ria ter noção de como encaminhar minha dissertação. E queria não ter deixado uns quilinhos a mais se alojarem em meu corpo. E queria muito ter dinheiro para ir para Paris semana que vem. E lá quereria ficar por longos 3 meses. E depois eu poderia ficar um tempo na Itália e conhecer a Toscana. Não fui no Museu Dali na Espanha, então adoraria passar lá depois disso. E queria já saber falar inglês. E queria ter dinheiro para fazer isso sem me preocupar, mesmo sem esbanjar. E queria que o moço-bonito também tivesse e desejasse ir comigo. E eu queria saber escolher com clareza os rumos de minha vida profissional, que me parece inercialmente plena de possibilidades tantas que me amarram no lugar. E, ai como eu queria!, ter a procrastinação expurgada de meu corpo. E queria ser mais equilibrada, mais ouvinte, menos ansiosa. E queria já ter operado esse meu joanete que dói tanto agora. E colocado aparelho antes nos dentes, porque acho gente perto dos 30 anos de aparelho uma coisa meio besta. E queria ter duvidado menos de minha beleza e a aproveitado muito mais. E desejo, com força, aproveitar a minha beleza e juventude ainda muito, sem medo dela. E queria ser escritora de verdade. E queria que minha família me apoiasse de verdade nos meus projetos profissionais, porque seria mais simples realizá-los. E queria realizar tantos mais projetos profissionais. E queria que o VAGAPARA tivesse uma sede. E que meu amigo Ciolo ganhasse muito bem pelo trabalho que ele faz com tanta competência. E queria que o moço parasse de perder tempo com dúvidas e entendesse logo o quanto é poderoso no que faz. E queria poder ir no casamento de minha amiga. E ter algumas amigas de infância mais perto também seria uma delícia. E queria que café nunca fizesse mal. E que legalizassem logo a maconha para acabar essa punheta de meus queridos sofrerem para fumar. E, sabe, queria fazer um outro curso agora. Mas antes eu queria decidir de verdade. E queria ganhar o dobro do que ganho, sem trabalhar mais do que trabalho. E queria que nascessem logo as abóboras e melancias que plantei no meu quintal.

(...)

E eu sou tão boba e tão empolgada com a vida e tão otimista e quero tantas coisas que, se estivesse um pouquinho mais calor, as coisas nascessem no meu quintal e eu pudesse dormir eu já ficaria MEGA feliz por longos dias.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Da série BATALHAS DIÁRIAS: T.O.C.

E se olhou no espelho: tudo no devido lugar. Sorriso, pensar, papéis, seio, calores. Linha do horizonte na altura do nariz... Para que melhor do que isso? Não há porque duvidar do que informa a imagem.

(...)

Jogo de espelhos é devaneio roubado dos circos do interior. Monga, a mulher-gorila! Não, não tenho talento para distorções desse tipo. Que hora serão os trapézios?

Recupera o foco. Sapatos altos. Algum peso nos ombros. Não mudamos tão ligeiro assim... Suspiro de coragem e bons brincos de enfeite. 

Bom dia, semana.

sábado, 12 de junho de 2010

Da série MODUS OPERANDIS: Bulas, dicas e lembretes

Mas eu escrevo porque eu preciso. Palavras pra fora para enxergar o lado de dentro. Esvaziar os armários e selecionar o conteúdo. Lavar os cantos e identificar as fontes de mau-cheiro. Ou de calor, dependendo da posição do Sol...

Olhos de pedra, que me convidam a subir e me lançar. Encaro porque tenho vontade. Entrego toda a água de meu olhar para ser engolida pelo que é feito de rocha. (Engraçado eu ter demorado tanto a entender que o líquido que se adapta&molda pode corroer mais do que a dureza da pedra que se trinca num simples mudar de clima...). Eu me sorrio aos pedaços e seguro a fragilidade com as pontas dos dedos, mentalizando para não me virar em solo ao primeiro sopro do conflito. Tenho alma caprichosa, ô se tenho; e se reclamo é porque quero ficar e você não deixa, porque não entende. E - já assisti tantas versões desse filme... - um dia sou eu que vou querer partir. E me farei de vento, daqueles que escorrem pelas brechas das portas e ninguém pode impedir de seguir o rumo, deixando apenas o assobio doce por já ter passado.

E eu falo porque eu me perco. Camadas e camadas e camadas e camadas de sentir de mil cores e formatos. Nunca toquei no fundo que sustenta todos os andares desse recheio; tenho medo que a pressão de ir tão profundo exploda meus ouvidos me isolando para sempre em um mundo de imagens. Observo as fendas desse abismo do alto de minha covardia, que é tão alta pra algumas coisas e em outras horas precisa de um banquinho para alcançar os objetos nas prateleiras. Coragens voláteis...

E por que insisto? Porque eu gosto. Acho um charme cicatrizes e marcas e talhos; exibo com orgulho as lembranças de ter combatido mesmo com medo e depois estar ali, sã e salva, para contar a história bem alto. Meus leões já levaram pés, dentes, cabelos, pensamentos, devaneios e amores aos borbotões; algumas vezes abri a barriga das feras com minhas próprias unhas para reaver o que é meu. E houve momentos em que chorei encolhida na arena sob os gritos horripilantes dos espectadores achando graça de minha dor. Servir-se aos olhares é exercício difícil, mas desisti de ter medo de ser vista.

E, sabe, eu remôo porque aí eu me curo. Quero entender, quero entender, quero entender! Levar o cachorrinho à casinha, visualizar aonde se atam os laços. Não tenho como deixar de ser assim; seria preciso começar outra vez, retirando de minha composição todos os litros de curiosidade na qual minha carne foi marinada. Sou feita de interrogações (exclamações são ponto de interrogação que se esticaram sob a luz do entender), e de pontos de continuação, vírgulas e parênteses. Desses últimos eu tenho tentado me livrar, porque cada vez que saio deles eu esqueço a rota e decido começar novas estradas.

(...)

Ai... eu sei que isso cansa. Mas eu escrevo, eu encaro, eu falo, eu insisto, eu remôo para eu mesma não me esquecer abandonada nas curvas de tanto pensamento que me acompanha. E se quiser ir indo, pode ir, que eu já te alcanço mais na frente...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Da série A MULHER NO ESPELHO: Fazendo as pazes

Muito cuidado com o que deseja, porque pode acontecer.

De uns tempos para cá, eu tenho pensado nisso com carinho. Aconteceram muitas coisas boas. Não as persegui desesperadamente: apenas criei as condições, abri os canais para entender quando finalmente chegassem e aguardei. Certa de que viria mais cedo ou tarde.

O processo agora é eliminar a eterna síndrome de vira-lata do meu coração e aceitar que as coisas que me acontecem são boas e merecidas. E parar de procurar defeitos. E me olhar sem estar sob a sombra dos modelos.

Não sei bem sobre o que quero escrever... Mas acho que estou tentando de maneira meio torta explicar a mim mesma que eu posso, que sou capaz, que eu pare de me desconcentrar pelos medos, que eu aproveite minhas companhias, que eu ame meu corpo, que eu desfrute de meu trabalho e acredite nele e etc etc etc...

Ah! Entreguei o capítulo. Saí da pasmaceira. Muitas coisas resolvidas essa semana, como é de meu feitio. Sem tempo de pensar besteiras. Sem medo de não alcançar.

Isabela: fazendo as pazes com o Tempo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Da série PISTAS: Chega um dia...

E, curioso, como tem um dia que os nós simplesmente desatam e pronto.

A vida pode ser tão misteriosa às vezes... Ainda bem!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Da série BATALHAS DIÁRIAS: Perseguição

Há um monstro em meu encalço. Ele tem olhos de fogo que observam meu pensar. Pernas tão longas que se adiantam a qualquer rota minha. E voz de trovão. Me persegue há meses, sem nunca conseguir me alcançar. Já me teve encurralada à sua frente algumas vezes, mas com um curioso sadismo me deixou escapar. (...) Acho que ele gosta de me ver doída, suada, confusa correndo de sua sombra. E me fazer de presa faria com que o jogo acabasse. Afinal, quem poderia ser uma mocinha tão desesperada como eu? Perfeita combinação de mulher descabelada com monstro bem-controlado. Cena dantesca que se repete aqui dentro há tantos dias que já perdi a conta. (...) E por que eu não o mato? Chances não faltaram, apenas coragem de me ver destituída de meu papel de vítima. Devo admitir que me apeguei aos suores que me transfiguram em uma espécime especial de vivente: 'A que perseguem'. 'A que foge'. 'A que sofre'; alcunhas sonoras que se apoderaram de mim e agora não sei mais como me desfazer delas. (...) Passei dias na cama e minhas pernas perderam a força. A certeza de que não poderia nunca mais correr me trouxe uma vontade gigantesca de arranjar novas formas de ocupar o tempo. Entendi que para isso é necessário matar o tal monstro. (Punhalada certeira no meio dos olhos!). Aceitei que é este o caminho, agora falta apenas polir a arma escolhida. (...) Estou aqui me convencendo que tenho direito a buscar essa morte, por todo desgaste que ele já me causou. Por todos os dias em que tão bem executei o papel da vítima, da presa. Por todo sofrimento. Não, Isabela, não será preciso fazer um velório. Nada, nada. Apenas punhal, força, sangue e o som seco do corpo se chocando contra o solo. Para, então, se instalar o silêncio que há quilômetros atrás abandonou a minha mente.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Da série DIA A DIA: Levantando da cama

Caí de cama na semana passada. Tive dengue. Achei que fosse morrer, que tivesse com um tumor na cabeça, que tava com câncer, que o Diabo vinha buscar minha alma, sei lá. Foi bem ruim.

Sempre que eu fico doente eu penso que eu vou morrer. Invariavelmente eu chego à certeza de que tá na minha hora mesmo e não vou passar daquela nunca mais. Essa recorrência mórbida talvez seja fruto de uma culpa oculta por ser uma pessoa que usa o corpo até o deslimite da razão e da resistência. Vai entender...

Pois ali, prostrada na cama, percebi que tenho cuidado bem dos meus afetos. Amores de ordens diversas se apresentaram para cuidar de mim, porque eu precisava. Eu até precisei pedir em um ou outro caso; mas sempre chegavam eles zelosos e com paciência de sobra para meus rompantes de moça-teimosa. Recebi carinhos, sopinha na boca, tempo dispensado à minha pessoa, sorrisos, cafunés, massagens, remédios, cuidados com minha morada. Tudo que uma pessoa pode desejar em forma de carinho nessa vida!

Junto a isso, meu trabalho, apesar de tudo, também mostrou que tem andado bem relacionado; as demandas profissionais bateram à minha porta sem parar. Infelizmente, como poucas vezes tenho registrado em minha memória, não dei conta de tudo. Sucumbi mesmo, depois de lutar contra o corpo até o lugar que consegui. Mas não cumpri tudo o que devia, e junto com os remédios estou tentando me livrar da culpa pós-doença. Fica a ressaca moral-profissional ao lado de um aprendizado de que, sim, não devo ultrapassar determinadas linhas sob pena de me lascar de-com-força.

Ah! O moço-bonito-que-tem-me-feito-sorrir mais uma vez me surpreendeu. (...) Mas em respeito às suas preferências no lido com seu material íntimo, isto é tudo que tenho a dizer sobre este tema específico. 

No mais, amigos e família me fizeram chorar aqui depois por entender que sou, sim, gostável e cuidável. Choro aliviado, de quem se cobra demais e acha que o mundo um dia vai perceber que sou uma pessoa intratável. Mas suspirei tranquila, por notar, sã e salva, que não desaprendi a me deixar amar apesar de todos os recorrentes devaneios sonhando em fugir da civilização.

E, como sempre, repito: vamo que vamo!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da série ITENS DE PRIMEIRAS NECESSIDADES: Código Binário

Não-vivo-sem: momentos de silêncio e solidão; celular de conta; dias de sol; casa limpa; dinheiro suficiente; Shampoo Bonacure e leave-in que preste; rímel; salada verde; café, café, café; produtividade; coisas funcionando à minha volta; andar na rua; cigarros de menta vez ou outra; peso controlado; bons ouvintes; livros de arte; viajar; roupas que eu goste; bijuterias; confiança no interlocutor; elogios; perspectivas profissionais; agenda; cerveja gelada; discussões sinceras; amigos; desodorante e perfume; uma boa cama; bons parceiros de trabalho; novidades; caminhar pra frente.

Vivo-sem: namorado; roupas da moda; cabelos lisos e unhas feitas; puxa-saco; cargos de destaque; riqueza; carro; aprovação do olhar do outro; agradar a desconhecidos; cartão de crédito; televisão; ganhar sempre; ser 'a mais' qualquer coisa; batom; lugares badalados; modas em geral; inveja; música; chocolate; ar-condicionado; travesseiro; internet; animais de estimação; shopping; drogas ilícitas; refrigerante; disputas de qualquer ordem; sexo; turma; cinema; calça jeans; falar inglês; Carnaval.

(...)

Reflexões de fim de tarde. Porque saber o que nos parece essencial é sempre coisa das mais úteis.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Da série A QUEM INTERESSAR POSSA: Top Ten

1 - Estou mesmo bem feliz do jeito que estamos;
2 - Meu corte de cabelo atual é o mais bonito de toda minha vida;
3- Minha internet está uma merda;
4 - Ontem decidi ser, de fato, uma acadêmica séria daqui pra diante;
5 - Plantas legais nascem no meu quintal;
6 - Estou empunhando a pacífica bandeira "Morte à Violência Urbana em Salvador!";
7 - Vai ser mesmo impossível viajar agora;
8 - Preciso de organizar profissionalmente antes que eu morra;
9 - Minha casinha tem andado mais arrumada do que de costume;
10 - Oui, je parle bien le français!

domingo, 9 de maio de 2010

Da RASCUNHOS POÉTICOS: Poesia barata

Caminhando por entre metáforas. Tropeço em pedaços de coisas que não fazem mais sentido, largadas pelos cantos por eu não saber bem que fim lhes dar. Pensamento embaraçado. Cabelo que cresce como grama, alimentado pelo calor das idéias que giram em moto-contínuo. Parei a minha Roda da Fortuna e agora anda difícil vencer a sua inércia. (As aulas de Física atentamente acompanhadas tornaram meu vocabulário uma miscelânia bizarra, de amperagem elevada em formas termo-dinâmicas).

(...)

Ando procurando o botãozinho de 'reset', mas essa coisa em que me lançaram não veio com esse adicional de segurança.

(...)

Ontem eu vi uma cena pós-acidente e a única coisa que me entretia era entender o movimento pré-impacto. Louca, exausta, sozinha do lado de dentro, inquieta, cuidada do lado de fora, zarolha, vesga, inquieta: posso estar como estiver, mas minha cabeça não pára de calcular as medidas do mundo.

(...)

Curioso que 'viver' não seja verbo reflexivo na língua francesa. Eu sempre quero usar o 'être' para as coisas que já passaram. Resistência em 'ter' ao invés de 'ser' a me confundir as pernas e cansar meus joelhos que suportam a minha eterna corrida maluca para LugarNenhum - ou para as TerrasDesconhecidasDoVãoDoMeuPensamento. O que na prática dá no mesmo...

Ah! Depois do inglês vou aprender alemão, só para brincar de criar palavras xifópagas que, de tão grandes, consigam abraçar o continente. A vida também é composta de inutilidades, darling....

(...)

Olho para cima, pros lados e para frente, como a menina-bem-educada que aprendeu a atravessar a rua sozinha desde cedo. Problema é quando a distração com o caminho me faz sempre dar meia-volta e oferecer o corpo para o choque seco contra o carro. ..............................................................TUM! Silêncio, suspiro, sonhar: sequência de sibilos que não passam de poesia barata de canto de boca.

As palavras jorram como os minutos. Para onde vão eu não me importo em perguntar. Minha cabeça gera apenas suores e metáforas bobas a se acumularem no chão e, como no começo, vão me fazer tropeçar logo ali adiante.

(...)

Ah! A quem interessar possa: acho um saco isso de esquecer a gaveta onde guardei minhas certezas.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Da série COISAS QUE A GENTE NÃO APRENDE NA ESCOLA: Resiliência

Minha vida tem sido uma malhação diária dos nervos do auto-controle, otimismo e paciência. Me sinto, desde o começo do ano, caminhando em um pesado charco, não muito fundo e pouco ameaçador, mas que cansa as pernas com a quase solidez de sua composição.

Lama, barro, terra, lodo... até os joelhos, onde sigo lutando contra a densidade da matéria que me toma da cintura para baixo. Não tem como pedir ajuda a alguém e me entregar a cuidados de outrem, porque é mesmo comigo a coisa, isso já entendi. Então tem que ter força-na-peruca, ainda que cafunés e dengos sejam, como de costume, reanimodores dos mais bem-vindos.

O fogo é não poder parar... Desistir não é idéia das mais reluzentes, posto que sequer tenho algo sólido para pousar meu ilustre derrière. (Como no Sol, não há solo aqui embaixo). Sob mim apenas densidade e necessidade de se seguir.

O curioso é que eu vejo, com clareza e proximidade, os campos sequinhos e coloridos nos quais poderei caminhar se tiver paciência e resiliência* para continuar no caminho, mesmo que desafiador e entediante até o talo!

E, poxa vida Destino, dá uma amaciada aí na mão! Pelo menos, por piedade, suspenda o envio de novos desafios por uns (longos) tempos. Porque corrida-de-velocidade-sozinha-na-lama-com-peso-e-obstáculos é uma modalidade tão extenunante que não caberia nem nos Jogos Olímpicos Antigos.

E, exausta, repito: vamo que vamo!

__________________________________________________________


*Resiliência: [Do ingl. resilience.] Substantivo feminino
1.Fís. Propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica.
2.Fig. Resistência ao choque.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Da série INSPIRA, EXPIRA, TRANSPIRA: Um dia da-que-les

  • 7:00 - acorda depois de semi-desmaiar na cama na noite anterior. Sorriso sentindo por ter que deixar quem permanece ali deitado logo cedo.
  • 8:00 - descoberta de uma MEGA infiltração no meu quarto, na parede ao lado da cama, mais um capítulo da novela 'A Casa Velha & o Telhado Furado'.
  • 8:30 - discussão prática e conceitual com a vizinha do telhado em questão. Limpeza fast e arrumação fast + fast da casa.
  • 9:00 - MEGA debate e negociação com um dos donos da minha casa e co-autor da novela 'A Casa Velha  & o Telhado Furado'.
  • 9:30 - respostas e aceites de novos trabalhos (pra fazer que horas mesmo, minha nêga?!). Terceiro café do dia. Cobranças de prestadores de serviço enrolões do cão! Resoluções para Fragmentos. Banho, arrumação e planejamento do dia.
  • 10:00 - corida maluca para devolver o carro alugado para ir ontem no Barradão. Cheguei atrasada e pimba! 50 conto de multa!
  • 10:30 - ônibus e parada no BB para pedir novo cartão e sacar na boca do caixa. O banco parecia o estádio no jogo da final de ontem, de tanta gente. Desistência. Corrida para Caixa Econômica para fazer a mesma coisa que no BB. Lá estava a mesma hecatombe.
  • 11:00 - ida para casa da mãe. Recebimento de livros comprados pela internet. Descoberta que o livro que comprei para dar de presente veio amassado(!). Breve discussão com o porteiro por motivos diversos. Desabafos com Conça. Dar presentes para ela.
  • 12:00 - almoço, banho, planos refeitos. Decisão da agenda do dia das Mães.
  • 13:30 - saída para turno da tarde.
  • 14:00 - giro no estacionamento do Iguatemi cerca de 20 minutos por uma vaga, sem sucesso. Morrer em 4 conto no estacionamento ao lado. Pagamento do aluguel, reposição do cheque roubado, discussão e negociação MEGA sobre os próximos capítulos de 'A Casa Velha & o Telhado Furado'.
  • 15:00 - passagem na SECULT para começar o trabalho (pra fazer que horas mesmo, minha nêga?!) que vai garantir meu final de ano. Adiamento do início, devido ausência da pessoa responsável.
  • 16:00 - corrida maluca para o Barbalho para resolver do carro velho. Cidade semi-parada pros lados da Bonocô e Rótula. Retorno praticamente em Aracaju para fugir dos engarrafamentos. Discussão e negociação MEGA com o mecânico. Saída para comprar o jogo de embreagem inteiro. Pagamento de algumas centenas de reais. Oitavo café do dia.
  • 17:00 - vinda para pagamento do chaveiro que tornou a porta de casa, finalmente, algo seguro. Pagamento em cheque, porque a pessoa não tem nem cartão nem como sacar porque todas as pessoas do mundo decidiram ir ao banco nos últimos dias para servirem de figuração da sua novela. Sorrisos para vizinhos. Décimo café do dia. Resoluções de internet.
  • 18:00 - reunião de trabalho. Dores no corpo. Quinto choro-choramingo do dia. Quarto cigarro do dia. Mais um café. Decepção com a inviabilidade total de ir à academia, já paga e muito bem paga.
  • 19:00 - em desobediência a todos os planejamentos, parada para desabafar no blog.
(...)

de 20:00 às 24:00 - reunião do VAGAPARA. Devolução do carro emprestado lá na puta-que-pariu. Retorno de ônibus. Tradução de um texto. Lavagem de roupas. Alteração de uma viagem. Planejamento da semana. Mais uns três choramingos e uns dez cafés.

Porque, se fosse fácil, a vida não terminava sempre em morte, né não?!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Da série RASCUNHOS POÉTICOS: É bom querer coisas, mocinha...

Eu queria escrever como eu sonho, com as cores escolhidas e a leveza de não ter hora. E queria falar como eu penso, com fluidez de verdade e peso apenas de mentirinha. E queria amar como eu me projeto, sem os odores do ciúme e com a bênção da maturidade que também embebeda. Queria me lançar como eu planejo, rotas perfeitas sem choques contra o solo duro. (Apenas um minuto de silêncio)

Mas não costuma ser assim...

E queria, com o corpo todo, me amar como amo aquela que carrego na ilusão, sem remendos, sem consertos, sem indiscrições que não servem para coisa alguma. E queria saber me calar como eu o carinho, macio, suave, doce... E queria olhar como eu sinto, com todo o corpo, sem deixar escapar nem a menor nuance de verdade. E seria mais contente se me alegrasse como me dôo, com profunda certeza de que aquilo não há de passar nunca. E queria aprender como eu observo, com prazer descompromissado de saber que nada vai ser perdido. E queria ganhar como eu cuido, sem dúvidas de que é mesmo aquela minha sina.

Eu queria tantas coisas...

Se eu quisesse menos, talvez eu apenas desejasse querer mais! Na minha corrente circulam vontade e entusiasmo genuínos, placebo útil para combater a paúra irrecorrível do não saber para onde estou indo. Salto, giro, caio, levanto, pulo, sussuro, me estico. Reflito.

(...) Vida sem charadas é coisa pra poucos privilegiados doravante entediados...